18 janeiro 2026
03 novembro 2023
Cortinado
Perco-me nos teus olhos
E procuro o silêncio,
E afago o teu cabelo,
Perco-me nos teus olhos
Enquanto a noite desce
sobre a tua mão,
Sabendo eu que a noite é
um pedaço de tecido,
Um cortinado que não me
deixa ver o mar,
Perco-me nos teus olhos,
Flor em papel crepe,
Luar que incendeia a
insónia
E depois lança contra a
montanha,
A minha solidão,
A minha triste memória,
Perco-me nos teus lhos,
E procuro o silêncio,
E procuro o silêncio dos
teus lábios,
Nuvem de algodão-doce,
Poema da manhã…
Perco-me nos teus olhos,
E ignoras que também eu
tenho olhos…
Mas tu, tu não te perdes
nos meus olhos,
Perco-me nos teus olhos
E procuro o silêncio,
E afago o teu cabelo,
E o mar do teu olhar me
abraça,
E o mar do teu olhar me
beija…
Enquanto a noite se esconde
na minha lareira.
03/11/2023
28 outubro 2023
Noite de mim
Encosta o teu olhar
Ao meu olhar,
Abraça-me, abraça-me
clandestinamente
Como se eu fosse um foragido,
Um condenado por um
qualquer pequeno delito,
Enquanto me sacio com
esta lareira,
Que me ilumina, que nos
ilumina…
Quando mais logo, quando
mais logo regressar a noite…
E a noite nos beija,
Nos beija sibilinamente,
Abraça-me, encosta o teu
olhar
Ao meu olhar,
Abraça-me
clandestinamente,
Enquanto todos os
pássaros dormem,
E a noite se veste de poema.
Abraça-me e encosta o teu
olhar
Ao meu olhar,
Abraça-me enquanto a lua
poisa nos teus seios…
E o luar,
E o luar escreve em ti…
amo-te,
Dos teus olhos de mar,
Como eu,
Clandestinamente.
28/10/2023
26 outubro 2023
Os teus olhos
São os teus olhos, meu amor,
São os teus olhos que
iluminam este túnel frio e escuro,
Que alguém apelidou de
vida.
São os teus olhos, meu
amor,
São os teus olhos que me
servem o pequeno-almoço do desejo,
De olhar os teus olhos.
São os teus olhos, meu
amor,
O primeiro poema da
manhã, mesmo quando a manhã se esquece de acordar,
E os teus olhos me
abraçam,
E os teus olhos me lançam
ao mar…
São os teus olhos, meu
amor,
São os teus olhos o
primeiro ramo de flores que recebo, pela manhã,
26/10/2023
25 outubro 2023
Círculo de luz
Quando te ris e desenhas no meu olhar
Um círculo de luz com
olhos verdes,
Quando te ris e escreves
no meu olhar,
Amo-te,
Quando te ris, meu amor…
E poisas no meu rosto,
A tua mão,
E eu, aprisiono-a e finjo
que durmo…
E finjo que os meus olhos
são o mar.
25/10/2023
22 outubro 2023
Imaginação
Encosta a cabeça ao meu ombro
Imagina que a lua poisa
nos teus lábios
Imagina que o mar…
… que o mar brinca nos
teus olhos,
Encosta a cabeça ao meu
ombro
Imagina que o sol corre
juntamente com o vento…
No teu cabelo,
Imagina que todos os pássaros
cantam para ti
E que todas as manhãs
São manhã de
algodão-doce,
Imagina o silêncio
escondido na tua mão
Quando imaginas acariciar
o meu rosto,
Também ele, imaginado por
um louco,
Imagina que as gaivotas
são filhas da preia-mar…
E que todos as
estrelas-do-mar,
São imaginadas pela tua
boca,
Que imagina o beijo
Encosta a cabeça ao meu
ombro
Imagina a lua,
Imagina o sol,
Imagina a noite imaginada
por um poeta,
Quando te despes
vagarosamente…
E eu,
E eu imagino-te nos meus
braços,
Baloiçando,
Até que depois ouvimos os
gritos do mar…
22/10/2023
21 outubro 2023
Lábios de saudade
Um pedaço de mim és tu
Um pedaço de mim é o teu
sorriso
É a luz dos teus olhos,
Um pedaço de mim,
Pertence-te,
Um pedaço de mim…
Voa,
Nos teus lábios de
saudade.
21/10/2023
15 outubro 2023
Primeiro olhar
Afinal onde ficou
O teu primeiro olhar
Onde se esconde
O teu primeiro sorriso
A tua primeira lágrima
Afinal onde ficou
O teu primeiro olhar
Onde se esconde agora
O teu primeiro silêncio
Para mim
Afinal onde ficou
A tua primeira palavra
Que se abraçou
Ao meu poema
Afinal onde ficou
Onde se esconde
O teu primeiro olhar
Do teu primeiro beijo
Afinal onde mora
Onde está
A tua primeira alegria
Do dia
Em poesia.
15/10/2023
14 outubro 2023
A minha rua
É noite nos teus olhos,
Meu amor,
É noite nos teus olhos,
E do outro lado da rua,
Procuro a outra rua,
A rua da minha ausência,
É noite, meu amor,
É noite e do outro lado
da rua,
Procuro a tua rua,
A rua das flores,
A rua dos jardins
suspensos da Babilónia…
É noite, meu amor,
É noite no outro lado da
rua,
É noite nos teus olhos,
meu amor,
E procuro as tuas mãos,
E procuro os teus lábios…
Do outro lado da rua,
Em frente à minha rua…
Junto ao mar.
14/10/2023
11 outubro 2023
Estrelas-do-mar
(para ti, menina com lábios de mel)
Os teus olhos,
Meu amor,
São estrelas-do-mar,
São pétalas em flor,
Os teus olhos,
Meu amor,
São o sorriso do luar,
São madrugadas em dor.
Os teus olhos,
Meu amor,
São olhos de mar,
São palavras de escrever,
Os teus olhos,
Meu amor…
São manhãs de sofrer.
11/10/2023
30 setembro 2023
Alvorada em teu olhar
Amo os teus olhos de mar
Teus lábios de mel
Amo o luar
E esta pequena folha de
papel
Amo o silêncio do teu cabelo
estrelar
E as tuas palavras que
crescem a cada madrugada
Amo sonhar
Sonhar cada palavra
Amo o poema que se solta
da poesia
Quando da chuvinha da
manhã sem nome
O poeta sem dia
Não se cansa de correr
Do dia que não come
No dia que vai nascer
30/09/2023
27 setembro 2023
Purpurinas
Escondes no olhar
As purpurinas palavras de
escrever
Do silêncio da manhã sem
poesia
Escondes na mão o mar
Que não se cansa de viver
Viver a cada dia,
Escondes no olhar
A alegria que acorda no
amanhecer
Enquanto no teu cabelo de
vento
Um pedaço de luar
Está desesperado e com
medo de morrer…
Quando a morte é apenas
um verbo sem tempo
E sem tempo de acontecer,
Escondes no olhar
A tristeza que avassala a
sanzala com lábios de amar
Escondes no olhar o medo
de viver
Junto ao rio que pincela
o luar
Junto ao rio de amar…
Com o medo de tudo
perder.
27/09/2023
24 setembro 2023
Despedida dos teus olhos
Cai a noite
Nos teus olhos
E pouco tempo disponho
Para olhar os teus olhos
Cai a noite nos teus
olhos
E pouco tempo tenho de
respiração
E pouco tempo tenho de
vida
Quando cair a noite nos
teus olhos
Todo o mar ficará à
deriva
E nos meus braços
Ficarão todos os barcos
E as lágrimas dos teus
olhos
Cai a noite
Cai a noite nos teus
olhos
Pergaminho doirado
Silêncio endiabrado nas
mãos de Deus
Quando cai a noite nos
teus olhos
E pouco tempo tenho de
vida
E quase não tenho tempo
para me despedir
Dos teus olhos.
24/09/2023
Meia-luz
Meia-luz da luz que o dia consome
Na luz que o dia lança ao
mar
Quando não tem fome
Meia-luz incendeia a tua
mão
Na tua mão meia-luz
Da meia-luz do coração
Na meia-luz do teu olhar
Meia-luz que o dia abraça
Meia-luz de medo
Nas profundezas desta
barcaça
Em meia-luz e contraluz
da desgraça
Na meia-luz que não tem
graça
Meia-luz que o dia
consome
Na outra meia-luz que o
dia vomita
Porque a cada meia-luz
sem nome
É meia-luz em fome
Na meia-luz que não dorme
Na meia-luz que levita
Meia-luz no teu olhar
Do teu olhar meia-luz de
mar
Mei luz que o dia consome
Da meia-luz que o dia
come
Sem segredar à outra
meia-luz
Que em cada meia-luz há uma
outra meia-luz com fome
23/09/2023
19 setembro 2023
Incenso
Pincelo o teu olhar
De doce insónia
Pincelo o teu doce olhar
Com os primeiros pingos
de chuva
Que a manhã esconde
Em sua mão
Pincelo o teu olhar
De puro silêncio
adormecido
Da noite em despedida
Em despedia aflita
Quando a noite se perde
No teu olhar
E gravita
E grita
O teu olhar pincelado
Com muitas cores
Com muitos sorrisos
E flores
Pincelo o teu olhar
Com a luz que se ergue
das profundezas da terra
Da água salgada
Na planície que apelidam
de mar
E do mar
O teu olhar em pedacinho
de doce pincelado
Com perfume de sonhar
Vezes sem conta em
pequenas deambulações
Pincelo o teu doce olhar
Quando acorda o dia
E sei que o dia
É apenas uma lágrima de
incenso
19/09/2023
O guardião
Sou guardião do teu olhar
Ó salgado mar!
Sou guardião do teu olhar
Sou pedaço de palavra que
brinca com o luar
Sou estrela que não se
cansa de brilhar…
Do teu doce olhar,
Sou guardião do teu olhar
Sou maré infinita
Manhã faminta
Sou árvore sonolenta
Que dança ao silêncio do
vento
Que lamenta o invisível
sorriso
Da sombra ferrugenta.
19/09/2023
02 setembro 2023
Acordar
Podia esconder-me de ti
Podia vestir-me de noite…
E correr
E andar…
Por aí,
Podia ser o vento
Podia
Podia ser a tempestade
Disfarçada de vento
Claro que podia,
Podia esconder-me de ti
E em ti
E esconder-me dos teus
lábios
E esconder-me…
Na tua boca
Podia,
Podia ser aquele silêncio
que poisa na tua mão
Podia ser o poema
Podia
Podia ser a alegria
E as palavras do dia
Podia
Podia esconder-me em ti…
Alijó, 02/09/2023
Francisco Luís Fontinha
09 agosto 2023
O beijo
Porque morrem,
Meu amor
As flores do teu cabelo,
Porque dançam,
Meu amor
As abelhas que brincam no
teu cabelo,
Porque morrem,
Meu amor
As flores e as abelhas e
os rios
Do teu cabelo,
Porque morre,
Meu amor
O desejo dos teus lábios
Na tua boca,
Porque morre,
Meu amor
Nos teus lábios,
O meu beijo clandestino,
Porque morrem,
Meu amor
As estrelas dos teus
olhos,
Quando os meus olhos…
São um diamante por
lapidar,
Porque morre,
Meu amor
Nos teus olhos o mar
E o sonho do eu menino…
Também morre,
Quando em ti…
Acorda o luar.
09/08/2023
Partida
Senta-te e pega na minha mão
Senta-te e escreve na
minha mão
O poema da despedida,
Senta-te e abraça-me
Enquanto a tarde não
acorda,
Enquanto a tarde é uma
lápide sinalizando a partida
Do teu silenciado olhar.
Senta-te e pega na minha
mão
Senta-te e desenha na
minha mão
O luar.
Senta-te e pega na minha
mão
E não tenhas medo da
noite sem estrelas;
Porque eu sou a tua
estrela.
Senta-te e pega na minha
mão
Senta-te e abraça-me,
Enquanto o rio corre para
o mar
E o mar,
E o mar é o cortinado do
teu lindo olhar.
09/08/2023
05 agosto 2023
Equação
Preso, neste edifício de cátedras,
Liberto, desta equação de
insónia,
Morto, neste silêncio de
luz,
Preso, nas tuas mãos,
Acordado, depois de cair
a noite,
Depois…
Ergo-me,
E mato-me nos teus olhos.
Preso, às negras sombras do
teu cabelo,
Medronho, pequena flor em
papel,
Morto, dentro desta
invisível caixa de sono,
Que me liberta,
Liberto, das pedras
cinzentas onde me sentava,
Quando preso,
Preso, e sem asas,
Afundo-me,
E morro.
05/08/2023

