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Oportunamente deixarei aqui o link para ouvirem e o respectivo dia.
Que 2025 seja um ano de poesia…
Foste o mar dos meus olhos
Foste o silêncio das minhas noites de
silêncio
Foste o poema escrito, o falado, e o
desenhado…
Em outro amar.
Foste a madrugada, triste e só,
Desassossega,
Foste lágrima, foste estrela que dançava
na alvorada,
Foste tudo, e hoje, não és nada.
Foste a primeira flor que eu desenhei
nos teus lábios,
Foste o grito de revolta, da minha
revolta,
Em me revoltar. Foste a chuva miudinha,
Foste poesia
E o dia,
Em te olhar.
Foste o mar dos meus olhos
Quando chamavam ao mar de desejar…
Às vezes não sei quem sou. Às vezes,
Tenho medo, muito medo daquilo sou.
Há quem me chame de tolo, que penso
demais,
Há quem diga que eu não jeitinho para
nada,
A não ser,
Quando era criança olhar as estrelas no
céu de Luanda.
E sonhava…
Às vezes pareço não parecendo mas sou
quase esse,
Que aparece no espelho da noite, e que
finge não existir.
Às vezes acordo com a sensação que
regresso de uma batalha longínqua, lá longe
Onde brinca um rio, onde está o mar
Da minha infância.
Às vezes, dizem, que sou um Zé-ninguém,
talvez
O pareça não o sendo, e talvez o seja
não o parecendo.
E depois,
Depois,
Depois sou convidado para estar presente
num dos maiores programas da nossa rádio sobre poesia; hora da poesia com a
doutora Conceição Lima, na rádio Vizela. Para falar de poesia,
Para falar de mim, eu
Aquele a quem chamam de tolo, de
desajeitado,
De coitado.
De coitadinho.
Tirando o facto de vir a estar na Hora
da Poesia, onde na semana passada esteve presente o nosso cardeal e poeta
Tolentino Mendonça,
A minha vida continua a ser uma merda,
Virada do avesso.
Tenho dito.
Me sinto tão só dentro da noite
Quase não durmo
Quase não respiro
E penso muito em você.
Você ocupa todos os segundos da minha
insónia…
E nem um sorriso de você
Nem um simples carinho
E sempre com sete pedras para me
apedrejar.
Você me enlouquece quando antigamente
apenas as estrelas e a lua me enlouqueciam
Você me enlouquece tanto que até
acredito que o sol não existe
Que o mar é um lençol de espuma na sua
pele
Você me enlouquece tanto só dentro da
noite
Só à espera de um simples sorriso…
Você me enlouquece dentro da noite
Tão só
À espera de um olhar seu.
(Francisco)
Podíamos partir em
direcção ao mar
E levar connosco todos
estes livros,
Todas estas memórias.
Podíamos brincar no mar
E desenhar na areia o
sorriso do silêncio,
Podíamos escrever na
espuma do mar…
O quanto mar existe nos
teus olhos,
Do mar Oceano das tuas
mãos,
Podíamos regressar a
Ítaca
E resgatar o soldado
infeliz,
Conversávamos com a
esposa de Zenão…
(o paradoxo de Zenão)
Podíamos voar sobre as
árvores,
Podíamos cantar junto ao
rio…
Podíamos aprisionar o
vento
E a chuva,
Podíamos partir em direcção
ao mar
E levar connosco todos
estes livros,
E todas estas sombras.
04/11/2023