06 maio 2026
O que restou do mar
03 maio 2026
29 abril 2026
o cubo de vidro
ao centro o cubo de vidro
três janelas em vidro tem
o cubo, o cubo de vidro
tem uma porta, e a porta
dá acesso a uma outra porta, depois um corredor, tão infinito como o é
o universo
em reversão e sem nexo,
outro cubo, outro verso
sem verso
sem sexo
ao centro, a cama, em
cima da cama um círculo, nu, tão nu
como o cubo de vidro
com três janelas em
vidro, e uma porta,
tão escuro está o corpo
em lhe tocar, a verdade
é que o cubo é a vontade
do fragúes, confidente
e obediente
e contente
porque na terrinha já tem
o continente,
depois vem a sopeira com
os cupões e com os talões
ele é desconto, ele
desencanto e ele é mergulhar
tão fundo e de tão longe
que ele veio
no alento
no destino alheio,
mas o vento, esse
o vento não quer saber do
centro, nem quer saber do cubo
e tão pouco das três
janela em vidro
e de uma porta, e a porta
dá acesso a uma outra porta, depois um corredor, tão infinito como o é
a ausência de uma abraço,
sentindo o escuro do dia, quando a noite é sempre dia.
Francisco
29/04
31 março 2026
quando te vejo
quando te vejo
oiço o apito dos rochedos
vem
a mim o perfume
lume
de um beijo
e sinto o vento no rosto
e muitos medos
do luar em ciúme
que o bom gosto
desenha na fogueira de um
olhar
que quando te vejo
oiço as gaivotas em cio
que são também filhas de
um rio
que quando te vejo
a minha voz é uma jangada
ou uma pedra em queda
livre
tão livre, como o deus
criador
como galileu, ou apenas
como um impostor
de vontade aceite que na
ânsia de um abraço
não o foi e agora
pertence ao abismo
ao sulfúrico ácido
que quando te vejo
sem jeito fico
sem paz encontrar
nos iões de um desejar.
Alijó, 31/03/2026 – 21:59
14 março 2026
25 outubro 2025
08 junho 2025
02 janeiro 2025
Hora da poesia - rádio Vizela
Brevemente vou estar no programa de rádio “hora da poesia” rádio Vizela, que será dedicado à minha obra.
Oportunamente deixarei aqui o link para ouvirem e o respectivo dia.
Que 2025 seja um ano de poesia…
30 outubro 2024
Mar dos meus olhos
Foste o mar dos meus olhos
Foste o silêncio das minhas noites de
silêncio
Foste o poema escrito, o falado, e o
desenhado…
Em outro amar.
Foste a madrugada, triste e só,
Desassossega,
Foste lágrima, foste estrela que dançava
na alvorada,
Foste tudo, e hoje, não és nada.
Foste a primeira flor que eu desenhei
nos teus lábios,
Foste o grito de revolta, da minha
revolta,
Em me revoltar. Foste a chuva miudinha,
Foste poesia
E o dia,
Em te olhar.
Foste o mar dos meus olhos
Quando chamavam ao mar de desejar…
29 outubro 2024
Hora da poesia
Às vezes não sei quem sou. Às vezes,
Tenho medo, muito medo daquilo sou.
Há quem me chame de tolo, que penso
demais,
Há quem diga que eu não jeitinho para
nada,
A não ser,
Quando era criança olhar as estrelas no
céu de Luanda.
E sonhava…
Às vezes pareço não parecendo mas sou
quase esse,
Que aparece no espelho da noite, e que
finge não existir.
Às vezes acordo com a sensação que
regresso de uma batalha longínqua, lá longe
Onde brinca um rio, onde está o mar
Da minha infância.
Às vezes, dizem, que sou um Zé-ninguém,
talvez
O pareça não o sendo, e talvez o seja
não o parecendo.
E depois,
Depois,
Depois sou convidado para estar presente
num dos maiores programas da nossa rádio sobre poesia; hora da poesia com a
doutora Conceição Lima, na rádio Vizela. Para falar de poesia,
Para falar de mim, eu
Aquele a quem chamam de tolo, de
desajeitado,
De coitado.
De coitadinho.
Tirando o facto de vir a estar na Hora
da Poesia, onde na semana passada esteve presente o nosso cardeal e poeta
Tolentino Mendonça,
A minha vida continua a ser uma merda,
Virada do avesso.
Tenho dito.
22 março 2024
Olhar seu
Me sinto tão só dentro da noite
Quase não durmo
Quase não respiro
E penso muito em você.
Você ocupa todos os segundos da minha
insónia…
E nem um sorriso de você
Nem um simples carinho
E sempre com sete pedras para me
apedrejar.
Você me enlouquece quando antigamente
apenas as estrelas e a lua me enlouqueciam
Você me enlouquece tanto que até
acredito que o sol não existe
Que o mar é um lençol de espuma na sua
pele
Você me enlouquece tanto só dentro da
noite
Só à espera de um simples sorriso…
Você me enlouquece dentro da noite
Tão só
À espera de um olhar seu.
(Francisco)
10 março 2024
15 dezembro 2023
28 novembro 2023
14 novembro 2023
04 novembro 2023
Partida
Podíamos partir em
direcção ao mar
E levar connosco todos
estes livros,
Todas estas memórias.
Podíamos brincar no mar
E desenhar na areia o
sorriso do silêncio,
Podíamos escrever na
espuma do mar…
O quanto mar existe nos
teus olhos,
Do mar Oceano das tuas
mãos,
Podíamos regressar a
Ítaca
E resgatar o soldado
infeliz,
Conversávamos com a
esposa de Zenão…
(o paradoxo de Zenão)
Podíamos voar sobre as
árvores,
Podíamos cantar junto ao
rio…
Podíamos aprisionar o
vento
E a chuva,
Podíamos partir em direcção
ao mar
E levar connosco todos
estes livros,
E todas estas sombras.
04/11/2023





























