Às vezes não sei quem sou. Às vezes,
Tenho medo, muito medo daquilo sou.
Há quem me chame de tolo, que penso
demais,
Há quem diga que eu não jeitinho para
nada,
A não ser,
Quando era criança olhar as estrelas no
céu de Luanda.
E sonhava…
Às vezes pareço não parecendo mas sou
quase esse,
Que aparece no espelho da noite, e que
finge não existir.
Às vezes acordo com a sensação que
regresso de uma batalha longínqua, lá longe
Onde brinca um rio, onde está o mar
Da minha infância.
Às vezes, dizem, que sou um Zé-ninguém,
talvez
O pareça não o sendo, e talvez o seja
não o parecendo.
E depois,
Depois,
Depois sou convidado para estar presente
num dos maiores programas da nossa rádio sobre poesia; hora da poesia com a
doutora Conceição Lima, na rádio Vizela. Para falar de poesia,
Para falar de mim, eu
Aquele a quem chamam de tolo, de
desajeitado,
De coitado.
De coitadinho.
Tirando o facto de vir a estar na Hora
da Poesia, onde na semana passada esteve presente o nosso cardeal e poeta
Tolentino Mendonça,
A minha vida continua a ser uma merda,
Virada do avesso.
Tenho dito.
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