23 junho 2026

Cai a sombra na luz

Cai a sombra na luz

Que luze

Da urze, que era luz

É hoje uma porta encerrada

 

Truz

Truz, truz

 

Cai a sombra na luz

Cai a mosca no prato de luz

Depois é domingo

Depois

 

É a sombra que na luz cai

É a vertigem, o desânimo

Cai a sombra na luz

Sempre que é inverno.

 

23/06
08:24

À noite meu anjo

À noite meu anjo, não te desejarei mais 

Do Tejo ao cansaço, do breu 

Definido e confuso ao léu 

O abismo é quase gelo 

A sensação de estar morto, habitualmente 

Dentro do caderno negro, a luz é vento e é a melodia do olhar 

É a palavra escrita 

Sentida 

E semeada 


À noite meu anjo, não te sonharei mais 

Cada sombra aprisionada na alvorada 

E o pincelar da chuva 

Sobre a maré é 


À noite meu anjo, não te quererei mais 

São todas as coisas que eu apenas tenho 

Tinha 

As saudades 

O silêncio 

A ausência 

Não 

À noite meu anjo, não mais 

Serás poema.


23/06

08:03

(Ribadouro)

O azul morreu, o vermelho Cresceu

O azul morreu, o vermelho

Cresceu

Na branca tela de um corpo

O verde, pincela os seios

Sabendo que o amarelo gravita à volta

Da vagina prateada, quase oiro

E quase alvorada

 

O preto, na cinza vergonha de o ser

Esconde-se na linfática e ausente pedra-pomes

Querendo o mar ser azul, sabendo que o azul morreu

Que não há mais azul no céu

Nem na terra

Nem na galáxia

Ou em negro buraco que se preze, e o seja.

 

23/06
04:40

Ao som do clitóris, o corpo quase vento

Ao som do clitóris, o corpo quase vento

Entrando na escuridão do desejo

Na mão do pensamento

Esconde o beijo

 

E o ensejo de ser

O corpo quase vento

Quase não ter

Abraço ou alimento

 

Que às espadas desmensuradas, que ontem sabiam a cor

Da espuma cinzenta

Que embrulha o amor

 

Ao som do clitóris, uma rosa em seu sorrir

Tão contente que até encanta

O barquinho que vai partir.

 

23/06
04:30

22 junho 2026

Até a chuva é chicote

O amar é loucura

É vestido sem decote

Em tarde de brancura

 

Até a chuva é chicote

Quando a lua é traição

E o poeta sem sorte

Nada tem na mão

 

Até a lua é chicote e luar

De verão

Nas palavras do olhar

 

Até a lua é chicote

Na ausência do coração

Quando o mar é tristeza e morte.

 

22/06
15:07

Mar de rosas

Um mar de rosas se aproxima, traz com ele a cicuta

E o guardanapo ensanguentado pela solidão, até

As ruas da cidade, estão

Cansadas do silêncio, cansadas do olhar vão

Infinito no ser, tão grande

Como nada ter,

A não ser,

Ser e não o ser.

 

Bebo a cicuta e percebo que morto estou, que desde que nasci, que

Até

Ao contrário do sítio encantado, não mais me encontrei

Nem me encantei,

Não mais te quero sonhar, ou desejar

Eu pensar que um dia te sonhei

Um mar de rosas se aproxima, traz com ele a cicuta

E

Depois será dia,

E depois,

E

Depois,

 

Noite sem poesia.

 

22/06
14:48

Sinceramente, entre tu

E

O

Ubuntu,

 

Prefiro, tu.

 

22/06
11:46