06 abril 2026

por aí...






entrava na escuridão, apagava a luz e sentava-se numa cadeira inventada

entrava na escuridão, apagava a luz

e sentava-se numa cadeira inventada

às vezes, tão cansada, ela, a cadeira

que eu com pena dela, nem me sentava

e ficava à janela

a ver o barco das seis da manhã

 

às vezes, que tantas vezes, eu me olhava

no espelho vestido de noite, e sentia, no olhar dele

a melodia de um sorriso, tão fino e tão belo

como o luar, ou até como uma jarra com flores

sobre uma lápide de desejo

que também vivia na escuridão

 

anos mais tarde, acendeu a luz

e a rua que lhe pertenceu, deixou de lhe pertencer

e hoje, nem rua é, nem ele o é

é sempre dia, é sempre no beijo

que enquanto houve escuridão

ele se venceu, e eu, e eu me esqueci de viver

 

06/04/2026, 06:01

05 abril 2026

simulação do carregamento de uma placa - ansys workbench

O comboio que não sai da estação é o que chega sempre a horas… (A. Lobo Antunes, in Da Natureza dos Deuses)

isto é o douro…

O meu sonho - corte do estúdio

 

tanto que eu preciso, de ti

tanto que eu preciso, de ti

que não percebo este querer, te querer

apenas te olhar, que sinto o silêncio

como que se o vento fosse mansinho

ou o sorriso de uma criança

que o tempo urge, e se ergue

deste meu pulso que não existe

que este relógio que não tenho, e que não o uso

parece a loucura de uma árvore

desenhada na terra

semeada na luz de um olhar

que me olha, e aprisiona

e teima, em me rejeitar

 

05/04/2026, 09:38