23 agosto 2026

A luz

A luz do teu olhar que dança na chuva como uma fotografia suspensa na minha vida,

E a noite traz o fogo que deixei na alvorada, amar-te é a melodia do mar, 

No silêncio do meu sonhar, o teu corpo é quase uma sílaba de mel 

No infinito meu, e desejar-te é o pincelar da lua ou 

Na água gélida do húmido teu corpo.


23/08

20:53

as estrelas do teu olhar

onde estão, as estrelas do teu olhar

onde poisam, as flores do teu olhar

e brincam,

as páginas-lírio do teu olhar…

 

onde escondes, as lágrimas do teu olhar

o que fazes, tu, com o mar do teu olhar

quantas são, meu amor, as estrelas do teu olhar

pelas quais o meu olhar, se enamora.

Aqui comecei a perceber o quão importante és para mim...

Há-de haver um barco que me levará até ti...

as listras encarnadas da solidão

espero-te como se fosses a noite e me trouxesses as listras encarnadas da solidão

como se fosses a janela dos meus sonhos

e me trouxesses

a fantasia

e a paixão

revestida

negra

a fome

depois de acordar a madrugada

depois de cessar este empobrecido coração

espero-te

espero-te eu porquê?

 

depois...

depois o quê?

que não dormes

e que sonhas comigo?

espero-te na esquina da insónia

e tu não és de carne e osso...

como os humanos que aprendi a distinguir e a amar e a odiar...

às vezes

depois

tenho-te medo

que vagueis em mim como os tristes ângulos dos teus lábios

entre senos e co-senos magoados

… e ardes dos livros envenenados...

... e ardes como pedaços de papel sobrevoando a poeira madrugada dos livros envenenados...

o putrefacto poema vagueia como infinitos gemidos suspensos na árvore do desejo

dormem como cadeiras vazias as lâmpadas húmidas do corpo teu mergulhado em sons melódicos

ardes como os beijos

que nascem nos lábios do amanhecer,

 

Amor mergulhado em silêncio poeira que a insónia deixa nas flores com esqueleto de pedra...

uma mão traiçoeira sobe cuidadosamente os degraus da manhã de porcelana

… e ardes

como invisíveis sílabas na lareira da fome

ou de uma janela o cansaço viver como cordas de nylon em pingos de sémen,

 

Oiço-te na sonolenta despedida do calendário de parede

e ardes...

como pequenas palavras em suor teus seios de ébano

percebo o teu olhar entre as cinzas da lareira nocturna...

nas flores com esqueleto de pedra encarnada,

 

… e ardes

dos livros envenenados...

22 agosto 2026

as estrelas do teu olhar

onde estão, as estrelas do teu olhar

onde poisam, as flores do teu olhar

e brincam,

as páginas-lírio do teu olhar…

 

onde escondes, as lágrimas do teu olhar

o que fazes, tu, com o mar do teu olhar

quantas são, meu amor, as estrelas do teu olhar

pelas quais o meu olhar, se enamora.