Sentia o entranhar da luz
no feliz do espantalho
Da janela, ouvia-o,
enquanto eu fumava, enquanto eu bebia
E do quarto do meio
fazia, não um bordel, mas uma livraria
Que também olhava, o
entranhar da luz
No doce e querido
espantalho
Em seu redor, corpos
esbeltos e finos como a seda, na outra árvore, às vezes chamava os pássaros, e
eles ouviam o jasmim
Deitado junto à ribeira
Na penumbra, a estrela
que é o cansaço, na primavera
Do mundo, no inicio da
saudade
Mais uma fina e alegre
mistura de argaço e
E também sabia o sentir
de uma veia, quando de tão fina
Levitava, e semeava junto
ao espantalho, outros espantalhos, que eu
Que todo o campo de
milho, sentia vergonha
Quando acordava a noite no
dia de ontem
E já era outro dia
A luz depois mergulhava em
cada terrão de terra, quando pela manhã ficava húmida, mas juto à noite
Ouvia o perfume do
espantalho, e sentia a sua mão
No meu rosto, no meu sexo
Um beijo se esfumava no
rosto de um espelho
Que era prata, que era
A erecção da poesia, e
sentia
A mão no peito que
pertencia ao espantalho, o milho
Dançava, e se erguia, aos
poucos, como se fossem gotículas de suor no corpo de uma laranja
A voz, no ouvido, tão doce
como o doce espantalho
Derretendo-se num pedaço
de chocolate, doce
Alijó, 18/03/2026, 20:03