cachimbo de água
poesia & arte
29 março 2026
o corrupio destino de uma almofada, de um candeeiro, nu, despido e estupidamente, despedido
o corrupio destino de uma
almofada, de um candeeiro, nu, despido e estupidamente, despedido
a cânfora cidade,
portuária, na tranquila luz
no cimo da montanha, cada
barco que lá chega
traz nuvens, alguns
afazeres pela manhã
e fatias de pão de ló
que bom que ele é, o
comandante deste navio
dentro deste corrupio,
destino de ser almofada
faminta, artesã nos
afazeres e na morte
o profundo abismo em ser
uma cama de lírios
e de saber que lá fora,
ainda não é dia
talvez daqui a pouco o
seja, e eu
já cá não me encontre e
encontre, o navio, a almofada, a cama
sitiada sobre o soalho de
verniz, quando na ardósia da noite
uma aldeia, longe daqui
se ergue das cinzas de um
olhar e que me diz; são horas de acordar, luiz.
29/03/2026, 06:15
28 março 2026
é simples, o mecanismo complexo que habita a aldeia
é simples, o mecanismo complexo que habita
a aldeia, tão simples
como a areia veia
que voa, que levita
como se fosse uma
gaivota, que grita, e semeia
a primavera na mão do
varejão
são as árvores em aço, de
simples traquejo
que só existem dentro de
um coração
que às vezes, é cego, é
vesgo e não o vejo
e deste mecanismo
complexo, os parêntesis rectos
que dentro de um círculo
até parecem palavras
e ângulos a seus netos
dos catetos, quando
pitágoras se deitou sobre o triângulo rectângulo
havia uma cilada,
disfarçada
de janela safada, ou quem
sabe era um losango
na algibeira do regedor
da aldeia, e ainda ontem seria
a teia, a tinha, ou a
alvorada
na esperança de uma
cortina voar, e ser sempre dia.
Alijó, 28/03/2026, 22:18
imbondeiro
nunca tinha sono, o
menino
não sentia, a fome,
aquele menino
não chorava, o menino
tinha medo do mar, aquele
menino
havia bandeiras, e
espadas
e espingardas e
bebedeiras
e o menino, desenhava na
terra
o fumo, e a saudade das
mangueiras
nunca tinha sono, o
menino
porque o menino era um
imbondeiro
e um imbondeiro nunca tem
sono, e perdeu o medo
do mar, que hoje é o
lençol do menino
Alijó, 28/03/2026, 05:23


