cachimbo de água
poesia & arte
09 março 2026
quase lua, quase mar
quando te olho, quase que
enlouqueço
como a serpente em seu
veneno, além-mar desejo
da outra margem, entre
portas, nocturnas fogueiras
quando te olho, quase que
enlouqueço, quase que pertenço
à última viagem da noite,
e não voltará mais o meu sonhar
enlouquecer, enlouquecer
sem te tocar, em te olhar
quando te olho quase que
enlouqueço, e o dia
parece uma jangada de
fogo, quase lua, quase mar
09/03/2026, 19:03
O que dirá quem em mim quer escrever
O que dirá quem em mim
quer escrever
O silêncio de um pedacinho
de vento, que no seu tocar
Sente e deseja ser
A primavera do meu olhar
O que dirá a noite às
estrelas do meu sonhar
E que têm nos braços a
luz de uma criança
O que dirá quem em mim
quer escrever amar
E que se esconde na
alegria mas ainda me dá a esperança
De sobre a maré voar
Quando a chuva é só o
desejo de uma pedra cinzenta
Que se esconde e que não
se cansa do luar
O que dirá quem em mim
quer escrever
Que não sente e que não
lamenta
Todo, todo o meu sofrer.
09/03/2026, 07:37
08 março 2026
nos teus lábios
poiso o meu sono, nos
teus lábios
neles construo uma
cabana, lá dentro me sento, e me deito
sempre, meu amor, sempre
nos teus lábios
sabendo que o meu sono é
pobre, e leviano
como as pedras, o são,
quando lançadas
não, não por uma mão, não
meu amor
quando são lançadas,
quando são gritadas
e desenhadas, por uma
faminta garganta
que cada migalha, que
cada pedra lançada
não importa, tão pouco
adianta
o nome do meu sono, que o
poiso muito devagarinho
apenas, meu amor, apenas
para não magoar os teus lábios
(não entendo como um
louco e tolo, que sou, depois de 9 horas de trabalho alucinantes, ainda tem
forças para escrever, isto)
08/03/2026, 22:48
e eu é que sou o louco, do tolo
e eu é que sou o louco,
do tolo
mais tolo do que o tolo
do louco
e quase por pouco e por
engano, que foi por tão pouco, tolo
na sua mansão, entre
sonhos loucos, os poucos
as raízes do pensamento,
o silêncio do pénis, quando o ser é louco, o louco e tolo
que pertence, que semeia
as gotículas milagrosas do clitóris de uma flor, que o louco, e que era tão de
pouco
o fogo do amor, e o tolo
que amava, deixou de tolo o ser
de louco continuar, em
ser louco
e em deixar de amar
o pouco louco do sonhar
08/03/2026, 22:30
o poeta quase dia
voltará, e o será
talvez disfarçada de
geada
talvez também ela, também
ela cansada
da voz, e de mim, e da
madrugada
voltará, e o será
talvez sendo sem o saber,
nem ter
em si, em ter
na mão a palavra
voltará, e o será
no olhar o mar, do mar
longínquo e ténue
quando ao vento floresce,
os cabelos de uma criança
que brinca, voltará, e o
será
aquela janela de acesso
ao sonhar, em ter e de o ser
o rio e a montanha, a
ribeira, e aquela triste calçada
e voltará, e o será
o poeta quase dia, que é também
quase nada
08/03/2026, 06:53
