Cachimbo de Água
Poesia & Arte
29 maio 2026
Não será o destino vencido, ele me vencer
Não será o destino
vencido, ele me vencer
Não será a lápide de uma
mão
Ou o beijo da noite
Não será a janela do
silêncio
Não será o mar
Não será a chuva
Não será o corpo
Não será a pluma
Não será nunca
Este viver
Não será o destino
vencido, ele me vencer
Não será a morte o medo
de viver
Não será a lua a luz da
noite
Não será a noite
Os lábios da madrugada
Não será a charrua
A corrente e o semífero do
abstracto dia, na terra lavrada
Não será a espada, no
peito cravada
Não será o sol, a alegria
sentida e nua
Da árvore que não será a tarde
Não será o rio
Não será poesia
Não
Não será
29/05
03:53
28 maio 2026
Um dia
Um dia, dentro do cubo místico
e imperfeito
O desdém amargo da boca
doente, e cansada
Depois que a estampa do
odor
Se deitar na lápide de
ontem
Pergunto ao vento, quanto
custa um punhado de nada
Quanto vale uma espada, sem
lâmina
E pergunto ao vento
Quanto custa um
pensamento
Um dia, dentro do cubo
místico e imperfeito
A casa em ardumes e
sentidos pêsames
Doida, tão doida com a
água
Como o silício da alvorada,
míope, vesgo e feio
Um dia
28/05
21:51
E se o sol morrer, de febre, de tédio
E se o sol morrer, de
febre, de tédio,
E se a lua se apaixonar
pelo sol, melódico, e poético
E se a rua não tiver
saída
E o poço sobre a
abertura, tem uma pedra
E se a erva fumada,
deixar de ser erva fumada, e ser apenas uma planície, infinita e sentida e
amada
Ou apenas uma triste
estrada
Ou até uma simples escada
De acesso ao nada
E se eu também morresse,
e se eu também sentisse
Que a lua é a flor de uma
outra primavera
Que a luz é uma sombra,
uma pedra lançada
Sobre o mar da palha
28/05
21:26
Se já era dia, talvez o seja
Se já era dia, talvez o
seja
E o fosse só uma verruga
vestida de sílaba
Talvez cansaço, talvez
medo
Talvez a paixão e o amor
Talvez o dia seja uma
distância
Dentro do rio
desgovernado
Triste e leve
Alegre e amado
Se já era dia, talvez ele
consiga
Erguer-se da cama
Da cama só e em despedida
Das noites de sofrer
Nas noites em partida
E talvez o seja, e talvez
ele não o consiga
Se já era dia, e talvez o
fosse e o seja
Poeira e poesia
28/05
05:20
27 maio 2026
Como as portas que Abril abriu
Mil coisas me assombram
nas duas mil pedras lançadas
Da montanha eu tenho medo
No medo submerso de uma
espada cansada
E a parede esbarra na
solidão de uma jarra
Tão só
Tão cansada
Mil coisas me atormentam
dos milhões de néons semeados
De tantos pontos de luz
no infinito universo
Que me sento e que já não
penso
Que apenas me sento
E invejo
Todo o enforcado
E mil janelas se vão
abrir
Como as portas que Abril
abriu
27/05
22:13
Tu me lês e eu te amar
Tu me lês e eu te sonhar
Eu te desejo e tu não o
imaginas
Eu te quero e tu o ignoras
Que sou um louco e um
tolo que tu o dizes
Tu me lês e eu te amar
Eu te abraçava
E tu talvez não o queiras
E eu tanto te beijava
Tu me lês e eu desenhava
Na tua pele em fogo
Que te amo e que te amo
E não, isto não é um jogo
27/05
15:25

