Três ovelhas, vamos
lá amanhã,
pitágoras, na hipotenusa
e nos catetos
o triângulo, recto
as ovelhinhas, a erva,
fresca, a comem
o caderno, preto, repleto
de versos
arde, na invisível,
fogueira de um olhar
a mesa, descida, vestida,
jorra o sangue equilátero
quando, pouca
vida,
lhe resta.
Penso.
Estou indeciso; libertar
as ovelhinhas,
ou,
matá-las e comê-las nas
profundezas macabras da espada sitiada, no peito da madrugada
o comboio, em fuga,
ausente, lá
tão longe, como a chuva,
como a lua, como o nada
travestido, de muito, na
curva da estrada, molhada
na curva da estrada, lá.
O sal magoa a carne,
lâmina angular, no impulso de arquimedes, do outro maestro, a orquestra quase,
muda
quase o inverno no
casebre, junto ao rio
junto ao peito, deus
as ovelhinhas, começam,
aos poucos, uma por uma
lã, por lã,
lá, todas, ensonadas, e já
dormem, no pensamento de um qualquer, chibo.
É noite, no covil.
Esconde-se a lágrima da
candeia, nas frestas anónimas das paredes, invisíveis
da sanzala.
Amanhã, vamos lá.
01/09
21:50