02 outubro 2026

Verde olhar

Foi o meu sonhar 

que a vida 

não é mais 

o viver neste momento 

que o livro semeia 

na minha cabeça a última 

noite de uma 

fotografia.


Foi o meu sonhar 

dizer 

ao vento 

que partiu 

que o livro foi gente 

que tinha motor e 

que tinha a noite, 

dentro de um círculo 

com verde,

olhar.


02/10

17:18

Verbo amar

Do verbo amar

apenas ficou, eles,

eles amam,

quando o vento

é o sentir

do silêncio da

mão

que se aproxima

e que adivinha,

cada lágrima da tarde.

 

02/10
15:23

Centro de massa

A paz esteja

no vosso centro de massa,

quando o sangue, é tanto

e que sobeja, e

que é derramado,

como lágrimas de espuma no

esperma,

da manhã.

Mas, sabeis vós,

e nós,

ai a noz,

onde poisa e mora,

o vosso centro de massa?

 

Eu também,

não,

pois depende,

depende,

das dimensões

do vosso corpo,

e da minha total,

paciência,

para o cartografar,

cotar,

e depois,

e depois,

calcular,

o vosso

centro de massa.

 

02/10
11:50

O fogo e o beijar

Ver e o saber 

que o vento vai ser 

o fogo e o beijar

no calor do abraço, 

o saber,

que da água gélida 

do húmido corpo meu, 

deus regressará à terra 

disfarçado de vinho, não,

não sei 

como se chama a luz do mar 

que está na cama do luar, não,

não sei 

como se escreve 

o teu nome 

no silêncio do 

mar.


02/10

01:33

01 outubro 2026

As sombras do meu corpo

Têm fome

os móveis,

têm fome

porque durante

a noite, oiço-os,

e oiço os arrotos

das canalizações,

e há sempre

um barulho,

qualquer, a

a interromper,

o silêncio.

O silêncio, da

noite.

 

Têm

fome, têm

fome as sombras

do meu corpo,

tanto deserto e

a luz parece um

círculo, sempre,

sempre na direcção

errada, da distância

percorrida, pela

estrada.

 

Têm

fome os meus

sonhos,

erráticos,

obsoletos na forma

e na

encarnação,

que ao quarto dia de vida,

ressuscitam,

e voltam

a morrer,

depois,

anos mil depois.

 

01/10
21:53

Carta de amor ao teu olhar,