19 fevereiro 2026

é o destino deste, agora alegre, menino

o que sabem, eles

o dizem, elas

sobre a última porta da noite,

 

que o vento era tanto, e que tanto

hoje,

é o silêncio de uma estrela.

que uma escada não nos leva apenas até ao céu, nem serve

só,

só para nos resgatar de um penhasco, ou de um enorme buraco.

 

o que sabem, eles

o dizem, elas

sobre a última porta da noite,

 

que o vento era tanto, e que tanto

hoje,

é o destino deste, agora

alegre,

menino.

 

19/02/2026, 02:26

18 fevereiro 2026

papeis coloridos

são os papeis coloridos, meu amor

onde escrevo o teu nome, onde desenho

as tuas coxas quase silêncio, que apenas me olham

e que silabam, porque ao redor

começa o ciclo da vida, a semente, o calor da mão

o coito, e a flor, e o charro a arder

 

e a palavra, amar-te, quase no meu sexo

 

são coloridas, as noites, vadias, que correm encosta abaixo

que há um rio, e um fio de luz

que o vento desce, que o vento levou

as pedras, os piquinhos, e todas as sombras

de ontem

 

e a palavra, desejar-te, quase no meu sexo

 

é a primavera de um olhar, são os sorrisos das árvores

e já não há lágrimas, e já não existem pedras com lágrimas

e até os peixinhos do meu aquário,

 

começaram,

 

a reprodução; o mistério da vida.

 

o começo de tudo.

 

18/02/2026, 21:49

 


e dorme nos teus seios

coloco a minha mão nos teus seios, e acaricio-os

como se fossem uma ribeira louca, em fúria para um rio, em paz, quando chega ao mar

e só a minha mão sabe, onde se escondem os teus seios, quando é noite

e eu,

e eu pertenço aos teus sonhos, e é luar nos teus seios

 

e eu sou os teus seios, e a minha mão

é uma caneta de tinta permanente, em permanente descanso

sobre um papel quadriculado qualquer, no silêncio do vento

ou até, no ventre teu,

 

coloco a minha mão nos teus seios, e sinto o perfume da noite

quando um jardim quase branco, quando um pedaço de desejo, azul-total,

e quatro ripas de sombra se cruzam, e uma janela de luz

poisa, e dorme,

 

e dorme nos teus seios.

 

18/02/2026, 00:23

16 fevereiro 2026

 

o meu corpo em dor

o odor do meu corpo, não me pertence mais

é agora odor no teu corpo, o teu corpo no meu corpo

o meu odor, no teu odor

que este meu corpo, é odor

 

que deixei de ter corpo, que deixei

de pertencer a este odor, a este destino

se cada relógio assassinado por uma flor, é

um outro odor, do meu corpo em dor

 

16/02/2026, 14:17

noite dentro de mim

conheci o sol, ainda era noite dentro de mim

parece que é sempre noite, dentro de mim

como se um rio de insónia se avassalasse e me aprisionasse

como se eu estivesse vestido de musgo amanhecer

 

depois o sol começou a vestir-se de madrugada

e eu acreditava, e eu sonhava

depois o sol aos poucos, muito devagarinho

despediu-se de mim, e hoje é sempre noite

 

noite dentro de mim, tão escura como a água do charco

que depois da chuva, se ergue, e se destina

a esconder a minha mão

para que nunca mais seja noite, noite dentro de mim

 

conheci o sol, o sol dentro de mim

que depois de me roubar a noite, me roubou também a primavera

que depois voltou a ser sempre noite

noite, só a noite, a noite dentro de mim.

 

16/02/2026, 09:32