não sei que nome te dar,
se de rosa selvagem
talvez te apelide de
ranhosa, de mar indomável
ou de vento bravio
que tanto corre, que
corre junto à margem do rio
ou apenas de,
meu amor!
12/02/2026, 19:15
poesia & arte
o gato foi atropelado por
uma charrua,
uma vírgula agoniza de
tantos enjoos,
uma vidraça se parte
e cai inanimada no chão,
chão que já deu horas,
quando as horas ainda
eram,
porque hoje são rosas,
porque amanhã serão
apenas cacos
e outros vestígios,
o gato está bem e
sobreviveu
acreditando que não
haverá mais insónia,
porque a insónia só
acontece aos pássaros
e os gatos não são nem
nunca serão pássaros,
porque os gatos se
ofendem com tanta chuva,
e o vento depois de
passar
levou a charrua para
outro lugar.
12/02/2026, 18:57
sentado, qui sentado
esperando pelo dia
acordado
esperando, sentido o fumo
do meu cigarro
sentindo o silêncio
camuflado
como se fosse um coitado
de um soldado
também ele cansado
também ele sentado
sentado, aqui sentado
sabendo que quando for
dia, e depois de muito cansado
outro corpo me
pertencerá, e outro poeta enforcado
também ele, às vezes,
sentado
começa a escrever os
poemas nos olhos de um barco ancorado
que vacila com o vento
desgovernado
sentado, aqui sentado
pareço um corpo fragmentado
10/02/2026, 04:50
se o cancro não me tocar,
em março o saberei
mas, mas saberei o quê?
saber, saber eu o queria
tanta coisa que eu queria
saber, e ler
e escrever
mas não queria, não
queria já morrer
já, já é quase dia, dia
quase mais um no acordar
mas às vezes somos
pássaros, e que tantas vezes, somos pedras
ou a calçada que de
lágrima em lágrima, olha o rio pela última vez
e sorri,
e semeia na ardósia o
nome de uma criança
que brinca e que no
vento, dança
09/02/2026, 04:22
nos teus olhos sou o mar
clandestino da tua noite
que te abraça, docemente
como quem procura nas
estrelas
a vida eterna de um
toque, da mão quase
charrua, que no meu corpo
lavra, que no meu corpo recua
como se a noite fosse uma
ausência, ou uma mentira
nos teus olhos sou o mar,
sou a solidão de uma tela
sem nome, e tão só
tão só que tenho medo de
sorrir, que tenho medo
medo em te perder, em te
tocar
sou o teu mar, talvez, ou
o nunca
como nada nunca o fui
ou sou, ou o serei
o teu mar, talvez, talvez
seja o só
eu o só caminhando na
sombra de um imbondeiro
que nunca viu o mar
mas eu, eu quero ser o
teu mar, o oceano que se esconde nos teus seios
e que desenha no meu
peito, o teu nome
e o rio que trazes nos
olhos
que sou o mar clandestino
da tua noite
09/02/2026, 04:02