Às vezes parece que nada
dá certo, no entanto
Ninguém sabe ao certo, o que
é o certo
E o que é o errado
Às vezes multiplicado por
muitas vezes, obtemos pequenas vezes, dissipando tormentos
Trazendo na mão, ruídos e
ventos
E mesmo assim, está
certo, está errado
A vaquinha come a erva,
no entanto
Ninguém sabe ao certo,
nem o nome da vaquinha
E tão pouco o silêncio do
pastor
E mesmo assim, o certo
E o errado, são apenas
sombreados da noite
O pastor sentado
Ao som do saboreado
manjar da vaquinha, a fresca erva da manhã
Ele lê poesia, e pincela
o horizonte com coloridas nuvens…
E é certo que amanhã é
domingo, e que é errado
O pastor ler poesia,
porque dizem, lá está
Não sabendo eu se é certo
ou se é errado, dizem
Que ler poesia tira o
tesão, e mesmo assim, é certinho
Que amanhã o pastor,
descobre que a vaquinha já comeu toda a ervinha, coitado do poeta
Que escreve para
pastores, que lêem poesia
Enquanto a vaquinha,
Come toda a erva
Que está, errado
13/06
02:07
(algures em Carvalhais,
eu, a vaquinha do tio Serafim que dava pelo nome de “amarela” e o infinito
silêncio do milho dançando na espuma da noite)