10 maio 2026

Nunca é tarde

Nunca é tarde para amar

A tarde

E o mar,

 

Nunca é tarde para sonhar

A tarde

E o luar,

 

Nunca é tarde para desejar

Te desejar

E amar

 

Francisco

10/05

09:54

Janelas do meu sonhar

São tantas e as poucas não entendem

Que de tantas que são as janelas do meu sonhar

Apenas uma tem o sorriso virado para o mar

De tantas e das poucas na primavera de um olhar

Que as janelas do meu sonhar

Também têm vista para o luar

 

Francisco

10/05
02:11

09 maio 2026

No silêncio do tempo

A fina sombra que alguém esqueceu no silêncio do tempo

Esqueceu

Vivemos esquecidos

No esquecimento de uma fotografia e de um guarda-chuva,


Chuva

Segue-se a luz e o beijar

No espelho da morte

A sorte em ter a lua no meu sonhar,


E a fina sombra que alguém tem no toque de uma estrela

Porque o sobrar é a alegria do mundo

Entre as palavras

Que o livro deixou na loucura de um relógio,


Sou um tolo-louco que vive no silêncio

Na alvorada

A árvore que me trouxe

A lareira de uma casa.


Francisco

09/05

21:50

Nos teus braços


Nos teus braços eu me deitaria

Dormia

Nos teus braços eu sentia

Cada palavra que escrevo e cada melodia,

 

Nos teus braços eu me deitava e sentia

E não te mentia

E eu sabia

Que já nada há em ti a não ser o dia

 

Vestido de noite vestido de poesia,

Nos teus braços eu me deitaria

Alegria

A alegria de já não pertenceres à minha poesia.

 

Francisco

09/05

19:41

Da última noite

Da última noite sobrou o fogo
Da bruma submersa na flor do dia
E o pincelar da manhã já é quase uma mão
Nas páginas de um livro,

Da última noite a luz do clitóris
É a alegria do mar
Que a escuridão da chuva
Semeia na terra lavrada de uma fotografia,

Poderia ser poesia
Mas a noite foi de maresia primavera
Do silenciado orvalho
Que afugenta o fogo do teu olhar.

Francisco
09/05
12:44

Desde que nasci, e senti

Desde que nasci, e senti

O odor nocturno de um beijo

Desde que nasci, e senti

A cor mistério do meu viver

Desde que nasci, e senti

A argamassa do dia

Na difusa madrugada de o ser

E de nunca a ter

Desde que nasci

A palavra

 

Na palavra de escrever

Desde que nasci, e senti

Cada milímetro quadrado da sombra de uma ausência

Desde que nasci, e senti

A noite a vestir-se de púrpura nuvem semeada na água

Desde que nasci, e senti

Cada gotinha de um sorriso

O amor do mar

E no ódio de ti

Desde que nasci, sem ti

 

Francisco

09/05
04:19

Se o teu corpo me abraçasse

Se o teu corpo me abraçasse

Como loira é a seara do trigo

Tão ausente no seu silenciar abrigo

Que no vento consente

E sente o frio da navalha,

 

Se o teu corpo me tocasse

Na primavera de cada olhar

No destino em te amar

E sofrer

Com cada verso escrito

Na palavra do meu escrever,

 

Se o teu corpo me olhasse

Princesa do mar

Que é tempestade e que é luar

Estrela e flor

Se o teu corpo dormisse sobre mim, meu amor…!

 

Francisco

09/05

04:06