Ausente da manhã, a
vaquinha
Come toda a erva fresca
do prado, da chaminé das árvores
Ouvem-se os pequenos
silêncios melódicos de uma espada cravada na sombra, o sangue, disfarçado de
medula,
Vagueia pelas encostas
ingrimes, da sonolência, e da ausência,
E a vaquinha, está feliz,
está contente,
Porque, finalmente,
A vaquinha, já é gente
E que sente,
A noite em calafrios,
sorrindo, inventando calores e muitos mares e rios.
E que gente, esta gente
Que faz sofrer tanta
gente, e que mente.
E o pastor, também ele,
indiferente
Se a vaquinha, da manhã,
está ausente, e se come
Toda a ervinha fresca,
Do prado, quer o poeta lá
saber, da vaquinha, no seu ser
E do prado, em seu saber.
Os cigarros são
aventuras, são misturas, são pedras
E são pássaros, janelas
quebradas, camas desfeitas, moribundas, quando a noite se masturba, na frente
de um livro de poemas.
O pastor inventa ruas nuas
e outras luas na cabeça, desenha moedas, na algibeira, come biscoitos, enquanto
lê, saboreia chocolate, enquanto grita para a vaquinha,
- sai daí amarelaaaaaaaaaaaaaa.
E de lá saiu uma cobra
pincelada de néon alecrim, cheirava tão bem,
Na alegria de dois olhinhos
de bolota;
Ausente da manhã, comeu
toda a ervinha fresca do prado.
19/09
22:11