não mais serás verso
ou janela para o mar
ou sonho
da luz do meu acordar
não mais serás verso
ou palavra do meu amar
ou lua e o luar
na ausência do teu olhar.
26/06
16:11
Poesia & Arte
não mais serás verso
ou janela para o mar
ou sonho
da luz do meu acordar
não mais serás verso
ou palavra do meu amar
ou lua e o luar
na ausência do teu olhar.
26/06
16:11
Tão só que eu estou
No só silêncio do olhar
Do só que eu sou
Ser apenas um poeta sem
mar
Do só para onde vou
No só que é o meu estar
Tão só que eu estou
No meu sonhar
26/06
12:23
Não foste apenas um
olhar, não foste só
O desejar
E o mar,
Não foste apenas um
silêncio, ou o amar
Não foste apenas o te
querer, e o te beijar
Não foste apenas a
vontade de te abraçar, e sentir
Não foste apenas um
desvaneio disperso
Não foste apenas um poema
ou um verso
Não te queria apenas como
aventura
Mas te queria como te
queria, como eu te queria
Não foste apenas o meu
sonhar, no impossível te desejar
Não foste apenas um
livro, ou a pétala do meu acordar
Não foste apenas o mar, não
foste apenas a vontade de fazer coisas, impossíveis coisas de realizar
Não foste apenas a minha
primavera, no teu simples olhar
Não foste apenas… um
desejar.
26/06
12:12
Que a Via Láctea se
aproxima a 600 km/s do chamado “Grande Atractor”,
E claro está que isto,
que isto não interessa para nada.
Ponto. Fim.
À luz da chuva, na luz
dos teus olhos
Do silêncio da tua boca,
submersa na minha boca
Entre
À luz da tua ausência
No infinito
O co-seno do teu rosto,
na penumbra infância
À luz da chuva, na
alegria de uma janela, o grito do livro
À luz da chuva, na luz
dos teus olhos
A noite sem destino, indo
Vaiando o cansaço
Me humilhando sem
preceito, afeito
À luz da chuva, no mar
distante dos teus olhos
A cabeça que me foge, que
se dissipa e levita
Na maré do beijo
No inferno da boca
À luz da chuva, nos teus
olhos luz
À mais profunda sombra do
abismo, sinto-o
Observo-o
E folheio-lhe o sexo
À luz da chuva, na luz
dos teus olhos.
26/06
04:56
O espaço desértico, o vento abstracto
O rio sonâmbulo, o rio
O rio sem rumo, o rio sem
voz
O tempo-espaço, a
curvatura da sombra
Quando o meu corpo, arde
E se afoga no rio
O espaço-tempo, o ecléctico
do desejo, a lua
A equação exponencial sem
solução real
Eu, sem solução, real
Talvez eu pertença ao
conjunto dos números complexos, que tão complexos que o são
Que são, constituídos por
uma parte real e por uma parte imaginaria, do tipo (-i, 2+3i, ou -4i+1)
E o poeta tempo perdeu
com toda esta merda, digamos que:
O espaço desértico, o
vento abstracto
O rio sonâmbulo, o rio
O espaço, não existe
O tempo, não existe e
apenas pertence a cada um, uma pedra, não sabe o que é o tempo
Se está ali sentada há
muito tempo, ou sem tempo o está
E nem conta deu que se
sentou
E se apulou, sempre sem
tempo
Este
E aquele tempo
Acreditava que não
existiam raízes quadradas de números negativos, a não ser, e claro, os nossos amigos
de há pouco, os números complexos, existem raízes quadradas de números
negativos, dir-me-ão
O poeta é um grande
aldrabão, olhe que não
Não
Que não o é
Na vossa calculadora,
sim, o resultado do visor é indeterminado
Quanto ao resultado na
minha calculadora, ela
Mostra-me
Lá está,
O amiguinho do número
complexo,
E quis o gajo que o
descobriu, dizer
Que este número tem uma
parte real e uma outra parte imaginária,
E por aqui ficamos, e
vejamos
Se continuássemos, bom
É extremamente fodido
resolver equações com números complexos, mesmo, e muitas eu resolvi, pela noite
quase silêncio, quando quase em transe, quase com a cabeça sobre papeis e mais papeis
e mais papeis, e mais equações
E sentia a mão da minha
mãe sobre o ombro; calma!
Me despeço,
Com amizade,
O.
25/06
21:35