30 maio 2026

Todos somos loucos até prova em contrário 

Começo a perceber que tudo aquilo que desejei ou sonhei, não se concretizou,

No entanto, nada

Não se concretizou como se fosse uma maldição qualquer, o eu desejar

E começo também a perceber que a solução é não desejar e odiar, odiar, odiar

29 maio 2026

Não importa

Não importa se o rio tem o teu nome

Não importa se a porta não é porta de abrir

Não importa se há pão ou se há uma janela para fugir

Não importa quem sou não importa o que fui ou o que serei

Não importa se está sol ou geada ou a loucura

Na mão de uma enxada

 

Não importa se há sorrisos no meu rosto

Não importa se também lágrimas as haja

Não importa se vai haver mais noite

Ou se daqui para a frente a noite ser um inferno

Não importa o que dizem de ti as estrelas

Não importa o cansaço e o abraço

 

Não importa a vida não importa o silêncio

Ou o caos da tristeza

Não importa se há flores no teu jardim

Não importa se as crianças brincam ou se não brincam

Ou se morrem

Já nada mais me importa

 

(um dia perguntaram ao Cesariny porque tinha deixado de escrever, ele

- Não tenho mais nada sobre o que escrever, já escrevi sobre tudo o que tinha para escrever. Não é uma ameaça da minha parte, mas neste momento sinto o mesmo; sinto-me um inútel.)

 

 

29/05
18:20


Não será o destino vencido, ele me vencer

Não será o destino vencido, ele me vencer

Não será a lápide de uma mão

Ou o beijo da noite

Não será a janela do silêncio

Não será o mar

Não será a chuva

Não será o corpo

Não será a pluma

Não será nunca

Este viver

Não será o destino vencido, ele me vencer

 

Não será a morte o medo de viver

Não será a lua a luz da noite

Não será a noite

Os lábios da madrugada

Não será a charrua

A corrente e o semífero do abstracto dia, na terra lavrada

 

Não será a espada, no peito cravada

Não será o sol, a alegria sentida e nua

Da árvore que não será a tarde

Não será o rio

Não será poesia

Não

Não será

 

29/05
03:53

28 maio 2026

Um dia

Um dia, dentro do cubo místico e imperfeito

O desdém amargo da boca doente, e cansada

Depois que a estampa do odor

Se deitar na lápide de ontem

 

Pergunto ao vento, quanto custa um punhado de nada

Quanto vale uma espada, sem lâmina

E pergunto ao vento

Quanto custa um pensamento

 

Um dia, dentro do cubo místico e imperfeito

A casa em ardumes e sentidos pêsames

Doida, tão doida com a água

Como o silício da alvorada, míope, vesgo e feio

 

Um dia

 

28/05
21:51

E se o sol morrer, de febre, de tédio

E se o sol morrer, de febre, de tédio,

E se a lua se apaixonar pelo sol, melódico, e poético

E se a rua não tiver saída

E o poço sobre a abertura, tem uma pedra

 

E se a erva fumada, deixar de ser erva fumada, e ser apenas uma planície, infinita e sentida e amada

Ou apenas uma triste estrada

Ou até uma simples escada

De acesso ao nada

 

E se eu também morresse, e se eu também sentisse

Que a lua é a flor de uma outra primavera

Que a luz é uma sombra, uma pedra lançada

Sobre o mar da palha

 

28/05
21:26