29 agosto 2026

Já nada pertence, ao visível No invisível, quase

Já nada pertence, ao visível

No invisível, quase

Quase silêncio, quando um beijo, toca

Os lábios do mar,

 

Do mar, em delírio.

 

Já nada pertence, ao dia

Ou ao luar, quando noite

Não interessa o colorido

A voz, ou o grito

Ou o rio vencido, e triste

Quando, a manhã em seu acordar, o olha, e o beija,

 

E diz, o amar.

 

Já nada pertence, ao visível

No invisível, quase

 

A voz do mar.

 

29/08
04:52

28 agosto 2026

Ao som do mar

Ao som do mar, eu

Eu escutava, o mar

Eu era tão, tão

Tão pequenino, pequenino

Que

Eu,

Era.

 

Ao som do mar, eu

Eu sonhava, com o mar

Eu sonhava, e ouvia

O som do mar, e o Mussulo, tão

Tão grande, que o era,

 

Ao som do mar.

Ao som do mar, eu

Eu sentia, a mão da minha mãe, eu sentia

Ao som do mar.

 

Ao som do mar, eu

Sabia, sabia

Que um dia, ao som do mar

 

Ao som do mar.

 

28/08
22:59

Da janela do meu quarto,


(à Cristina)

Da janela do meu quarto, (Álvaro de Campos-in A tabacaria), da janela do meu quarto, há rios, e há montes, e pontes

No ar

Da janela do meu quarto, há flores, e sombras

À janela, do meu quarto, há oceanos, e há mares

E pedras, e espingardas,

Todas, todas elas, desarmadas

Todas.

 

Na janela do meu quarto, fumo, pego no vento

E brinco, com o vento

Sentindo, na mão, o nome da mãe

Quando na serra, da serra

Ao fundo, o mar

Ao perto,

Da janela do meu quarto,

Os teus olhos, meu amor.

Sempre, sempre à janela do meu quarto.

 

28/08
22:26


Às asas, envergonhadas

Às asas, envergonhadas

A gaivota se despede, da cúpula construída

De coloridos, pontos

E nenhum ponto, se toca

Mas uma força, estranha, abstracta e invisível

Os abraça, e os suspende

Sobre as asas da gaivota, em perfeito equilíbrio.

 

Nenhuma abertura, existe na cúpula, nem uma porta

Tão só, nem o mais pequeno orifício, tão ínfimo

Que deixe entrar, um fio de lua

E ilumine, as asas da gaivota.

 

28/08
20:17

Casa portuguesa do pastel de bacalhau – Óbidos

Divinal...!

Nasci tão pobre, e amei tão rico

Nasci tão pobre, e amei tão rico

Cresci tão louco, e sonhei tão longe, e pouco

Quando duas rectas paralelas, se encontram no infinito

E ao infinito, eu pertenço

 

Nasci tão pobre, e tão rico

Rico, que o sou

Nasci tão longe, e rico que fui

Que nasci, e os olhos, abri

E vi,

O mar.

 

28/08
13:55