15 maio 2026

O mar

O mar é fogo de inspiração

É mãe

O mar é a janela de um olhar

E luar também

 

O mar

O mar é o silêncio e é a luz do acordar

O mar também é chorar

O mar é sonhar

 

E é o querer

Ser

E ter

Um mar para amar.

 

Francisco

15/05
06:41

14 maio 2026

imagina

Bem-aventurados

Bem-aventurados o sejamos, os cúmplices

Os desgovernados e místicos, pedintes e sós

Se cada obra terminada acordasse a maresia de um olhar

Capaz de transpor a linha que separa o dia da noite

 

A luz e a escuridão de um viver, o acorrentado viver

Sabendo que do outro lado do mar, existe

Viveu a grandiosa e mística pedra-pomes

Que lançada ao vento, é o amanhecer estampado na aurora boreal

 

Por cada estrela que morre, nascem milhões de estrelas

E para quê tanta estrela, tanto planeta, buracos negros

E gajas boas, se tão poucos somos no planeta terra

Para tanta coisa desnecessária e obreira e séria

 

 Viver acreditando que amanhã…

Mas amanhã já é um outro amanhã, mais frio ou mais quente

Mais volátil ou menos sonâmbulo, tanto faz

Tanto faz para quem há muito deixou de ter amanhã

 

Bem-aventurados

Que se o soubéssemos, era capaz de pular o muro

E ir ao encontro do mar

Que o mar será sempre a lua de um olhar, com olhos de mar.

 

Francisco

14/05
21:38

O beijo

Os teus olhos são o poema.

O poema escrito nos teus lábios de amêndoa,

Quando cai a madrugada,

E a geada,

Engorda,

Não aguenta,

O beijo feitiço,

Da tua boca envergonhada.

Os teus olhos são o poema.

O poema inventado numa noite de tristeza,

Fico triste eu,

Ficas triste tu…

Porque o luar,

Junto ao mar…

Deixou de nos pertencer.

Grito,

Escrevo,

Escrever,

Que quando te vejo,

Tremo,

Fujo,

Adormeço.

Daqui a pouco é dia

Daqui a pouco é dia

Daqui a pouco é vento de nortada

É alegria

É quase uma mão na boca do corpo

Que se desenvolve e que descansa

Que orgulho em ser libertado

E

E daqui a pouco é vento

E é dia de um dia na semana de um guarda-chuva

Que tinha e que sentia

Lisboa na algibeira

Que tinha a luz do mar

Rua e sentir o ter de um dia

Depois vou tocar na alvorada

Na esquina do amar o que não é amar

É silêncio

É quase dia o evangelho diurno do dia

Que eu o seja

Que eu nunca a tenha nas páginas de um rio

Saturno menino saturados sejam os teus olhos

Pelo veneno frio e gélido de um relógio

Que tinha na cabeça um pedaço de pedra

Que sabia

Sentia o pouco que daqui é dia.


Francisco

14/05

Sentado estarei sobre a folha onde escrevo

Sentado estarei sobre a folha onde escrevo
Dormir sabendo que o livro é a melodia da morte
Dormir sabendo que a fogueira da morte é quase gelo
No silêncio gélido de uma amoreira
Sentado estarei sobre a folha onde escrevo
Sentado no silêncio dos olhos de uma fotografia
Que dança sob o cabelo comprido do mar
Que sorri capaz de ser libertado do meu sol
Sentado
Estarei sobre a folha onde escrevo
Que é sangue vento na cabeça de uma turbina
E eu pertencia à força dos electrónicos cromados
Sítios sentado estarei sobre a folha onde escrevo
Sentado
Sentado na fímbria luz do clitóris
Que acaba de descer à terra sagrada.

Francisco
14/05

13 maio 2026

Era o fogo que estava no silêncio

Era o fogo que estava no silêncio

Porque o silêncio é o pincelar da manhã

Era a saudade de uma fotografia

Dentro do caderno negro,


E eu pertencia ao jardim do mar

E eu fui barco

E fui menino

Na alvorada do sul,


Fui feliz nos teus braços e não mais te sonharei

Porque a chuva trouxe a roupa que também era

Era o verso mais lindo

Do Tejo flor na sombra de um pedaço de alumínio,


Era o fogo

Depois era o frio

E eu tão feliz na mão de um relógio

Quase a parar no tempo,


Depois dormíamos

Eu vestido de lua

E tu

Que dançavas sob a chuva,


Depois sentia a rotação das coisas

Tinha vómitos intensos

Depois muito calor

Depois muito frio,


Era o fogo que estava no silêncio

Que eu ardia nos teus braços

Que eu não te fodia

Porque eu ardia nos teus braços,


Vinha a noite e eu chorava

E da na noite ficava

Adormecia e sonhava

Um dia ir a Fátima a pé.


Francisco

13/05