06 outubro 2026

A vertigem amorfa de um grão de arroz

Cada quadricula do meu sorrir é o intervalo de tempo de, (t) inicial e igual a mil estrelas sem luz até (t) igual, à vertigem amorfa de um grão de arroz.

 

Cada quadricula do meu sorrir é o alicerce que vence a gravidade, que dispõe de água sideral e salgada, na veia principal da morada.

 

A rua despede-se dele, de mim, quando se confundem, ele e eu, na madrugada sangrenta, vertiginosa de um gomo de laranja em livre queda, às vezes

Distante do almoço.

 

Cada quadricula do meu sorrir que se verte no abismo útil de pertencer ao décimo quinto desterro de viver, saber que nada mais poderá vencer, o dispor agora de uma máquina para viajar no tempo, e retirar ao tempo, dez elevado a seis, janelas, quebradas, no recreio da escola.

 

Cada quadricula era uma flor, e hoje, não passam de quadriculas, invertidas e envergonhadas, que cada delta (X) ou delta (Y) no silêncio do tempo, são só e só, letras desgovernadas, na mão de uma colmeia, de uma aurora boreal tão linda como o mel.

 

06/10
20:16

Solidão

Povoou as veias com potássio encarnado, mais não sabia que escolher na deriva da cansada estrada, a pedra simples, tão simples, como a pedra arremessada pela chuva quando do tecto da solidão, a palavra semeia na enxada da vida, a vida,

A vida de uma ferrugenta bicicleta, que foi em tempos, enxada e caneta, e que hoje,

E que hoje é apenas sucata.

 

E de todos os barcos que lhe correram nas veias, de uma só vez, eram tantos, tantos os porquês, que

Que se desfez, que se espatifou contra o muro, da separação, entre o dia, e o vértice cansado da lareira.

 

Havia sol de então porque hoje não faz destino, olhar o sol, este sol contrafeito, e vendido ao deus, dará as pedras a quem as árvores acolher, em casa, na ânsia, sempre, que o potássio semeado, nas veias, um dia,

Seja o mel dos teus lábios,

E não mais poesia.

 

06/10
13:39

A fogueira

Vai em doce arder a fogueira sem mar, amar

o vento sem o querer, e com a chuva sonhar,

vai em doce arder a tristeza da fogueira, sentir

o mar a morrer,

sentir,

o mar…,

sentado à fogueira.

 

06/10
12:23

O estojo

Este vaguear

sobre o estojo que

retira da luz o inverno

que talvez

me venha a servir,

de engodo,

de esconderijo,

ou pior, ainda,

o meu inferno,

que é este vaguear

na dor disfarçada,

de dor, e

de sentir

na penumbra

da minha ausência,

o cansaço,

sem alegria e sem cor.

 

06/10
11:53

05 outubro 2026

Aqui o oiço, coitado

Aqui o oiço

descendo aos caboucos

do inferno de candeia

na mão, descendo,

fingindo sorrir

às cânforas andorinhas em

papel que se afligem,

que escutam da algibeira do entardecer,

o vento, e a primavera de sentir

e de viver, o esquecimento,

o tempo,

e a demolição austera da fortuna.

 

Aqui o espero,

e o oiço camuflando a razão

se existe razão,

para ouvir o sono,

ou para brincar, ou até,

quem sabe,

para conversar,

melhor do que a insónia,

não há,

há.

 

Marés de papel

comparadas com infinitas linhas,

elásticas, sabendo

eu que o memento elástico,

sabendo eu que o

momento plástico,

sabendo eu que o colapso

é e só,

um até já, ou,

ou até, um adeus,

um,

fim-de-semana

dentro de um cubo,

e este, dentro de um perfil

em aço S355, ou até,

o Herberto

às quadro da manhã,

conversando comigo,

e eu, e eu acreditando,

que sim, sim.

há.

 

Há princesas

e há momento

flector na curva,

e na cuequinha,

línea, da mão, elástica,

na mão do diagrama

de esforços,

em newtons nos kilonewtons da

cansada mistela que é,

o dia verso a noite; quem ganha,

ao final do dia?

O dia, claro.

Ninguém diz,

quem ganha,

ao final da noite?

Só no casino, e

raramente,

na cama.

 

Aqui o oiço, coitado.

 

05/10
23:31

A árvore do sentir,

A árvore do sentir, desistir e sitiar a luz no cubo mais longínquo do universo mais escuro e nego do que a saliência de uma mão em contramão e desarrumada na distancia de um pedaço de pedra, o gelo que afixa, e avisa, no vidro da manhã,

Hoje.

Hoje por favor. Não.

Não.

 

05/10
19:46