cachimbo de água
poesia & arte
23 março 2026
a vida não me pertence, e não entende
a vida não me pertence, e não entende
que o círculo é o destino
do quadrado
quando foge do abismo
quando acorda, e logo a
seguir
morre,
e se transforma na
divindade de um sorriso.
mais um dia, outro dia,
cópias de antigos dias
se a rua é um arguilheiro
de uma espada lançada sobre a calçada, se todos fossemos ausentes, não
a vida não me pertence, e
me vence
me quer acorrentado a
cada sombra, desenhada
na algibeira de um
palhaço, fino
tão fino como o fio que
me prende, à vida.
já é quase sol, e a vida
desliza sobre os carris do rochedo encarnado,
coitado, se foi o soldado
que disparou contra a
vida, se foi o soldado
numa outra vida, quando
se travestia de petroleiro
e dançava sobre a
mesa-de-cabeceira, ela sim
com vida…
Alijó, 23/03/2026, 06:44
22 março 2026
E agora, que tudo foi, foi
E agora,
Que tudo foi, foi
Silêncio quadrado num corpo quase espuma, ouviram
Da bruma primavera, as sílabas da manhã, não
Rua do mar, lote trinta e três, vinte e sete
Que divide por nove árvores em papel cromado, de terceiras núpcias, o círculo,
O egoísmo de uma fotografia.
E agora,
Que tudo foi, vem
Se esconde uma vírgula na minha cama, oiço os orgasmos dos pássaros, quando madrugada,
Rezo que nunca mais seja dia,
E agora, talvez
Esta noite seja sempre noite.
22/03/2026, 22:22
naquele tempo era o verbo, hoje
naquele tempo era o
verbo, hoje
é a foda,
naquele tempo, foi o
silêncio,
hoje, é o silêncio
naquele tempo era o
triciclo com assento em madeira,
daquele tempo, morreu a
madeira
e fodeu-se o ferro, que
hoje
outro tempo, é sucata, ó
vizinha,
ainda é daquele tempo?
Alijó, 23/03/2026 – 15:27
desenho de francisco fontinha
Aqui, às vezes me escondo
Partilhando tristezas,
alegrias
Com as páginas de um
livro, no mais puro silêncio




