11 maio 2026

Na sombra de um azul eu espero o sono

Na sombra de um azul eu espero o sono

Da boca do encarnado eu retiro o cio

E o semeio

No sexo do castanho,

 

Ao cor-de-rosa pertence a vagina

E que é tão bom o amarelo branco do esperma sobre a pele

Quando o azul em sombra me traz o sono

E a vontade de ser apenas o negro ou o lilás da serpente,

 

O verde na espuma cinzenta de um seio em lágrimas

O encarnado às turras com o verde-alface da vizinha do terceiro esquerdo

E a boca do encarnado lambe-a,

 

Na sombra de um azul eu espero o sono

A flor de pétalas coloridas escorrega e cai e quebra a janela dos testículos

Ouve-se o silêncio do círculo de Mohr  

E agora sim a tela está uma bela merda.

 

Francisco

11/05
19:04

Aos dias aflitos, uma salva de palmas

Aos falsos amigos, uma salva de palmas

A todos os gajos que fumam haxixe, uma salva de palmas

A todos os labregos, uma salva de palmas

Aos pedacinhos de granito que nunca serão diamante, uma salva de palmas

Ao Cu de Judas de A. Lobo Antunes, uma salva de palmas

Ao pilau, uma salva de palmas

 

……………….

era o sítio mais lindo do meu silêncio sítio

Era a noite mais alegre e mais bela do circo

Era a rua mais florida da aldeia

Era a casa mais azul do azul e mar e céu

Era a montanha mais alta do planeta terra

Era o poema mais belo dos poemas de inverno

Era o frio mais frio do que o frio do rio

Era a boca mais aparvalhada de todas as aparvalhadas bocas

 

E era a mais estúpida das estátuas que às vezes se fazia

 

E fazia-se de estátua.

Estou curioso, Gunter Grass.

Curioso.

 

Francisco

11/05
18:46

Leituras

Era só

Era só um verso, foi só uma estrela invisível

Era só uma janela partida, um rio em fúria

Foi a tempestade e foi o cansaço

Da triste e fria noite,

 

Era só um poema, depois foi o vento

Desejo, a cama

Era só a miséria alheia e indesejada

Foi a lua e foi a dor e hoje já não é nada,

 

Foi a estrada, era só um verso

E uma calçada, era só um caderninho vestido de silêncio

Era a rua despida e nua, era só a vírgula descalça

Subindo a primeira sílaba do amanhecer,

 

Se sentando à sombra de uma mangueira, era só

O destino de uma nuvem, e foi depois o motor

E a deflexão de uma mão, em mão

O sorriso de uma flor.

 

Francisco

11/05
05:16

10 maio 2026

Fim do eu

É o fim do eu

Não sei como se chama a tarde

A árvore que sobrou

É também quase luz

Destino

É o fim do eu

Do eu que sou

Não sei se é dia

Noite de mim

É o fim do eu

É o não ou poderá ser o sim

Do eu que sou

No eu que sobrou

Deste fim

Fim que eu sou

É o fim do eu

Não sei como se chama este livro

Deveria eu o saber? Claro que não

Do não do meu sim

Do fim em eu te escrever

É o fim do eu

No sim do meu saber.


Francisco

10/05

22:00


Não mais

Não mais te sonharei
Não sonhar mais eu te sonhar
Não mais te escreverei
Não escrever mais eu te escrever,

Não mais te pensarei
Não pensar mais eu te pensar
Não mais te desejarei
Não desejar mais eu te desejar.

Francisco
10/05
21:47