16 maio 2026

O pão eu o trocava pelo silêncio

Trocava a falsa luz pela pura escuridão

Trocava os versos por um abraço

Trocava o dormir por uma mão,

 

Trocava os cigarros por uma janela para o mar

Trocava o meu sonhar por um pedaço de nada

Nada

Trocava a chuva por um olhar,

 

Eu trocava um livro pelo beijar

Eu o trocava

Trocava todas as milhas palavras pelo tocar

Te tocar eu trocava tudo pelo desejar.

 

Francisco

16/05

15 maio 2026

Ainda ontem

Ainda ontem tínhamos o espaço-tempo

E a diáfana noite do dia

No chão da última noite

Da morte em dia,


Ainda ontem éramos poesia

Na alvorada tela de uma fotografia

Entre versos sem graça

Na esquina do meu sol,


Ainda ontem a tarde no silêncio do teu olhar

Que tinha a luz do clitóris e era o soldado

E foi o fogo que o matou

Na página de um livro,


Ainda ontem éramos dois pontos de luz

Na boca da chuva

Ainda ontem éramos o fogo

E hoje sou um tolo-louco que vive no silêncio do tempo.


Francisco

15/05

Tudo tem um fim,

 

E não há luz ao fundo do túnel.

O mar

O mar é fogo de inspiração

É mãe

O mar é a janela de um olhar

E luar também

 

O mar

O mar é o silêncio e é a luz do acordar

O mar também é chorar

O mar é sonhar

 

E é o querer

Ser

E ter

Um mar para amar.

 

Francisco

15/05
06:41

14 maio 2026

imagina

Bem-aventurados

Bem-aventurados o sejamos, os cúmplices

Os desgovernados e místicos, pedintes e sós

Se cada obra terminada acordasse a maresia de um olhar

Capaz de transpor a linha que separa o dia da noite

 

A luz e a escuridão de um viver, o acorrentado viver

Sabendo que do outro lado do mar, existe

Viveu a grandiosa e mística pedra-pomes

Que lançada ao vento, é o amanhecer estampado na aurora boreal

 

Por cada estrela que morre, nascem milhões de estrelas

E para quê tanta estrela, tanto planeta, buracos negros

E gajas boas, se tão poucos somos no planeta terra

Para tanta coisa desnecessária e obreira e séria

 

 Viver acreditando que amanhã…

Mas amanhã já é um outro amanhã, mais frio ou mais quente

Mais volátil ou menos sonâmbulo, tanto faz

Tanto faz para quem há muito deixou de ter amanhã

 

Bem-aventurados

Que se o soubéssemos, era capaz de pular o muro

E ir ao encontro do mar

Que o mar será sempre a lua de um olhar, com olhos de mar.

 

Francisco

14/05
21:38

O beijo

Os teus olhos são o poema.

O poema escrito nos teus lábios de amêndoa,

Quando cai a madrugada,

E a geada,

Engorda,

Não aguenta,

O beijo feitiço,

Da tua boca envergonhada.

Os teus olhos são o poema.

O poema inventado numa noite de tristeza,

Fico triste eu,

Ficas triste tu…

Porque o luar,

Junto ao mar…

Deixou de nos pertencer.

Grito,

Escrevo,

Escrever,

Que quando te vejo,

Tremo,

Fujo,

Adormeço.