se me pertencesse, o frio
de uma lágrima
na fria lágrima de uma
mão, na folha cada que folheia
descobre a proibida
palavra, que o vento envia, que semeia, o veneno
que se aperfeiçoa, e que
dança
sobra a neve de um engano
que descobre o sono
dentro de uma caneta, que escreve na chuva
e se me pertencesse,
aquele outro frio, no destino rio
sentar-me e te olhar, do
outro lado da margam
na esquina de luz
crescente de um olhar
não te olhar
te ignorando, conversando
com o meu outro esqueleto, vem
ao topo da montanha, vem
também, pertencer a este frio, a este desdém
vem, vem também acariciar
a pétala de cada flor que desenhei
quando ainda brincava na
infinita madrugada
vestido de frio de uma
lágrima.
14/03/2026, 22:12
