10 agosto 2026

Enquanto batia no vento

Enquanto batia no vento

Soprava no ouvido do sono, no vento enquanto

Soprava o sono,

Batia no vento, enquanto

Me sento

E invento

Mil sóis, na escuridão da noite

 

Quase que me deito, e digo ao vento, digo-lhe ao ouvido, no ouvido do sono,

Que enquanto batia no vento

E soprava no ouvido do sono,

Um sonho, morreu, nos olhos do vento.

 

10/08
05:11

09 agosto 2026

Os lábios de um papagaio de papel

(9 de Agosto de 1988, terça-feira, quase almoço

A disponibilidade, chego a casa, poiso a mobília no chão, beijo a minha mãe,

E zarpei,

Quase dois dias, por aí

 

Quase, noite, quase noite adentro a noite, no passeio contiguo, o mais lindo andar, como se fossem flores nas lágrimas de uma abelha, no mel

Desesperada

 

E por aí, andei

E a noite entrava, o andar, de vez em quando

Passava,

E eu por aí, por aí… fiquei)

 

Os lábios de um papagaio de papel

 

Os lábios de um papagaio de papel, das mãos trémulas e tão pequeninas, entrelaçadas, nas mãos da mãe, e na sombra colorida, um cordel e um sorriso

Nos lábios do meu papagaio de papel,

 

Ele o era, em alegria, dizendo ao vento

Que um dia, dizendo à voz embargada e branca, que o vento lhe irá trazer, também um dia, também, quem o sabe e sem o querer, um papagaio de papel, nos lábios do amanhecer,

 

E se um dia ele mo trouxer, que seja durante a noite, porque as estrelas sentem no olhar, as cores do meu papagaio de papel, de papel dançando no vento, dançando no chover

Sem perceber, porquê tanto silêncio, tem o vento.

 

09/08
22:22

À meia-noite meia-luz

À meia-noite meia-luz, o corpo falido no bosque 

Em novo capítulo,

Em seu sonhar.

 

O corpo embrulhado está, no silêncio dos girassóis 

Os teus seios já cansados, olham-me, e eu

Me apetecia os beijar, na esquina do mar 

À meia-noite meia-luz, o corpo 

É o fogo no pincelar na tela 

Dos teus lábios amar.

 

09/08

17:55

Prometeu

Prometi, a Prometeu

Ser ovelha, e ser mansinho

Lhe prometi, também, ser a terra e o céu

Nos olhos, de alguém.

 

Lhe prometi, também eu

E lhe a pedia, por favor

Prometeu

Me dá poesia e me dá amor.

 

E Prometeu, parvo, em mim acreditou

Pois, fique sabendo, senhor Prometeu

Do nada que lhe dou, e que sobrou

Que lhe sirva de literatura para a sua alma perdida.

 

09/08
08:33