09 agosto 2026

Os lábios de um papagaio de papel

(9 de Agosto de 1988, terça-feira, quase almoço

A disponibilidade, chego a casa, poiso a mobília no chão, beijo a minha mãe,

E zarpei,

Quase dois dias, por aí

 

Quase, noite, quase noite adentro a noite, no passeio contiguo, o mais lindo andar, como se fossem flores nas lágrimas de uma abelha, no mel

Desesperada

 

E por aí, andei

E a noite entrava, o andar, de vez em quando

Passava,

E eu por aí, por aí… fiquei)

 

Os lábios de um papagaio de papel

 

Os lábios de um papagaio de papel, das mãos trémulas e tão pequeninas, entrelaçadas, nas mãos da mãe, e na sombra colorida, um cordel e um sorriso

Nos lábios do meu papagaio de papel,

 

Ele o era, em alegria, dizendo ao vento

Que um dia, dizendo à voz embargada e branca, que o vento lhe irá trazer, também um dia, também, quem o sabe e sem o querer, um papagaio de papel, nos lábios do amanhecer,

 

E se um dia ele mo trouxer, que seja durante a noite, porque as estrelas sentem no olhar, as cores do meu papagaio de papel, de papel dançando no vento, dançando no chover

Sem perceber, porquê tanto silêncio, tem o vento.

 

09/08
22:22

À meia-noite meia-luz

À meia-noite meia-luz, o corpo falido no bosque 

Em novo capítulo,

Em seu sonhar.

 

O corpo embrulhado está, no silêncio dos girassóis 

Os teus seios já cansados, olham-me, e eu

Me apetecia os beijar, na esquina do mar 

À meia-noite meia-luz, o corpo 

É o fogo no pincelar na tela 

Dos teus lábios amar.

 

09/08

17:55

Prometeu

Prometi, a Prometeu

Ser ovelha, e ser mansinho

Lhe prometi, também, ser a terra e o céu

Nos olhos, de alguém.

 

Lhe prometi, também eu

E lhe a pedia, por favor

Prometeu

Me dá poesia e me dá amor.

 

E Prometeu, parvo, em mim acreditou

Pois, fique sabendo, senhor Prometeu

Do nada que lhe dou, e que sobrou

Que lhe sirva de literatura para a sua alma perdida.

 

09/08
08:33

Há uma viagem, silêncio Nos teus seios,

Há uma viagem, silêncio

Nos teus seios,

E eu, em silêncio

 

Escuto a voz dos teus seios.

 

Há um jardim, em jardim

O silêncio dos teus seios

Tão longe e tão pertos de mim,

Há uma viagem, nos teus seios

Silêncio, a voz que me escuta

Na sombra de um abraço,

 

Há um rio, nos teus seios

Silêncio, na voz

Dos teus seios,

Em seios no silêncio,

Dos seios do mar, dos teus seios.

 

09/08
03:31