(9 de Agosto de 1988, terça-feira,
quase almoço
A disponibilidade, chego
a casa, poiso a mobília no chão, beijo a minha mãe,
E zarpei,
Quase dois dias, por aí
Quase, noite, quase noite
adentro a noite, no passeio contiguo, o mais lindo andar, como se fossem flores
nas lágrimas de uma abelha, no mel
Desesperada
E por aí, andei
E a noite entrava, o
andar, de vez em quando
Passava,
E eu por aí, por aí…
fiquei)
Os lábios de um papagaio
de papel
Os lábios de um papagaio
de papel, das mãos trémulas e tão pequeninas, entrelaçadas, nas mãos da mãe, e
na sombra colorida, um cordel e um sorriso
Nos lábios do meu
papagaio de papel,
Ele o era, em alegria,
dizendo ao vento
Que um dia, dizendo à voz
embargada e branca, que o vento lhe irá trazer, também um dia, também, quem o
sabe e sem o querer, um papagaio de papel, nos lábios do amanhecer,
E se um dia ele mo
trouxer, que seja durante a noite, porque as estrelas sentem no olhar, as cores
do meu papagaio de papel, de papel dançando no vento, dançando no chover
Sem perceber, porquê
tanto silêncio, tem o vento.
09/08
22:22