27 fevereiro 2026

vampiro

se eu fosse um vampiro, bebia o sangue das tuas veias

e desenhava na escuridão do dia, o dia convertido em fogueira

que o vento embala, e que tu semeias

em meu corpo cansado, em teu corpo sementeira

 

que um dia será livro, ou rio

ou lareira, se eu fosse um vampiro, chupava o sangue do teu olhar

que em fome, e que em cio

também é o olhar do mar

 

27/02/2026, 19:34

caravelas em seu alegre sonhar

partimos como duas caravelas em seu alegre sonhar

que cada pedra lançada

é um novo mar

e uma outra madrugada

 

partimos sem o medo e sem a sorte

porque nunca o tivemos, porque nunca nos pertenceu

e mesmo que venha a morte

partimos como duas estrelas no céu

 

partimos até às mais profundas noites de luar adormecido

que se guerreia, que se inventa a cada sombrear

e a cada olhar esquecido

 

que partimos, partimos como duas caravelas em seu alegre sonhar

ou como duas crianças de mão dada, a brincar

e a fingir que o dia é o nosso amar

 

27/02/2026, 06:21

26 fevereiro 2026

a equação de Deus

espero o autocarro da carreira, nos carris invisíveis

que separam o negro, do branco destino

nas profundezas de uma alegria, sentindo

o vento menino

dizendo, e gritando

que a alegria de um pássaro

pode ser a alergia do poeta, ou na ausência dela

as drageias míseras de que após o toque do sino

se ergue, e se transforma em dia

 

e o autocarro da carreira sempre atrasado, sempre sem rumo

galgando cada linha do meu caderno

e que às vezes, parece o inferno

perfume de um clique de luz, depois de morrer

nos rochedos, o som do luar

 

que há sempre mar, que há sempre luz

que há sempre a vertigem sobre o medo

dizendo, que não o querendo

tem em si o segredo, tem na mão a equação de Deus

 

26/02/2026, 21:59

Um ateu em apuros à espera de um milagre; como se isso fosse possível...

 O que pensas tu sobre isso?

Tudo é estranho, quanto mais miserável estou, quando tudo está a arder, eu

Calmo e sinto qualquer coisa em mim, que vou conseguir. 

Estranho. 


Mas, acreditar em quê, porra.

sem cair

sem cair, sobre a tua pele nua

é a chuva, é a luz diurna de uma lâmina de luar

que sente, e que chora, e que flutua

sobre o sorriso do mar

 

sem cair, nos teus doces lábios do amanhecer

o pólen que vagueia nas alegrias de uma olhar

que é tudo em ti, que de tudo em mim, sem o saber

que pertences ao meu sonhar

 

e ao meu viver

sem cair, na tua mão cansada e às vezes mais triste

do que a lua, do que o querer

 

viver e cardar a cada madrugada

sem cair, o vento agreste e frio e que insiste

que eu sou apenas uma palavra.

 

26/02/2026, 06:23