cachimbo de água
poesia & arte
05 abril 2026
tanto que eu preciso, de ti
tanto que eu preciso, de
ti
que não percebo este
querer, te querer
apenas te olhar, que
sinto o silêncio
como que se o vento fosse
mansinho
ou o sorriso de uma
criança
que o tempo urge, e se
ergue
deste meu pulso que não
existe
que este relógio que não
tenho, e que não o uso
parece a loucura de uma
árvore
desenhada na terra
semeada na luz de um
olhar
que me olha, e aprisiona
e teima, em me rejeitar
05/04/2026, 09:38
qualquer coisa o sono me diria, se eu tivesse sono
qualquer coisa o sono me
diria, se eu tivesse sono
que enquanto eu dormia, a
terra rodava
e sentia
o cheiro do dia
que enquanto eu dormia,
eu sonhava
e queria
ser poeta, ser criança
e dizer que também eu
sabia
que um dia, se tivesse
sono
eu escutava
e depois escrevia
o poema, e toda a poesia
05/04/2026, 02:04
04 abril 2026
É a melodia da morte que traz o dia
É a melodia da morte que traz o dia, o evangelho sagrado
A árvore na lápide flor
De um guarda-chuva acorrentado ao destino
Ser poesia, e o beijar
Da bruma tela que também era o soldado, que ainda não terminou o circo
No fogo da mão
Em fuga, na vida em contramão que o sono esconde
E que finge
Ruas desertas, ruas miséria
Sempre que um poeta
Sofre
E chora
Que já não há cupidos, agora existem drones
Qualquer dia as sanitas são as palavras, e Deus
O triângulo das bermudas, o meu cacilheiro
Se esconde
E se adormecer
É a melodia da morte que traz o dia
04/04/2026, 21:35
meu lírio do sul, louca minha flor
meu lírio do sul, louca
minha flor
meu sol, diurno, nocturno,
minha estrela brilhante
de muita cor
e de diamante
meu abraço dos teus
braços em tuas mãos de porcelana
quando o dia é um rio
desgovernado
como o silêncio de uma
cama
como a alma de um
abastecedor cansado
meu luar
meu amor feliz poesia
meu mar
e minha vontade de sonhar
que um qualquer dia
eu vou ter a luz do teu
olhar.
04/04/2026, 18:43

