Na esquina do amar
o fogo em verso e
lágrimas
que não é o pincelar da
luz
no silêncio dos outros,
a urna metáfora que
avassala
a maré de um relógio,
quando
o gélido sargaço acorda
e a mãe já está na cama
com o dia extinto
e longe do mar.
O amar é quase uma
fotografia
que o livro semeia na
alvorada,
do fogo apenas sobrou a
ausência de uma mágoa,
mas hoje é alegria,
sentida,
que também no livro
semeia a cabeça da chuva,
sonha, e assassinou todos
os sonhos que tinha,
e novos sonhos são pedras
que não têm nome,
essência obscura da
última noite.
Um lápis de cor que o
vento trouxe
no toque do orvalho
quando na terra
a paixão morreu de
cansaço
e agora é esquecimento,
é alegria e liberdade no
nocturno
e violento desejo,
o desprezo,
o saber e a minha mão
na boca do inferno.
Uma calçada em verso e
lágrimas,
que é o nojo de uma
pirâmide em cima da última madrugada anunciada,
vai e não voltará mais ao
meu escrever.
Sorrisos falsos,
dos falantes verbos do
corpo,
e não passa disso.
E de nada lhe serve o
olhar materno,
quando em si esconde a
voz do diabo.
29/07
18:26

