Em rotação e em direcção ao abismo…
Cachimbo de Água
Poesia & Arte
21 setembro 2026
Árvore
Uma árvore, cai
sobre o tapete vermelho
da humilhação,
um pássaro de aflição
no sofrido calor, de
final de verão
é assassinado pela
esferográfica de uma mão,
o sangue que tanto o é,
que o teu nome, esqueci
e a árvore, a árvore
começa a encolher, a encolher
e zás, que se faz noite.
21/09
19:36
Lágrima
Fui lágrima na ferrugem
de um olhar,
fui enxada, nas mãos de
um triste, triste
sonhar.
Fui estrela,
na cabeça da montanha,
fui rio,
nos seios da floresta,
fui janela na ardósia da noite,
fui caixão na voz da
razão,
fui pedra lançada,
e fui, também, uma
equação.
Fui poema, lido, relido
e fui também o mar
sofrido, fui avião e barco de brincar
fui terra apodrecida,
fui terra prometida, e
e fui também
E apenas, o amar.
Fui lua e fui, luar.
Fui viagem, e fui a noite
de luz, travestida…
Tanta coisa que eu fui,
meu deus…
21/09
05:46
20 setembro 2026
O pajem
O pajem dorme na tulipa adormecida,
vai
a água misturar-se com
o esperma sapiente das
árvores de brincar, e o pajem
não sabe o que fazer, a
tanto mar.
A salgada água está, na
caneta,
e no alçapão de acesso á
noite,
o vértice e o escudo, do
triângulo, da saudade
da partida, e da chegada,
e na ausência
da espada que cortará a
ponte,
pedonal, sem nome,
ainda.
Sem terra, ainda.
20/09
21:19
Só os bolos rio acima
Só os bolos rio acima,
Sem ninguém lhes tocar, a mulher
No orgasmo desenha a luz, sem ninguém
Lhe tocar, sem ninguém lhe tocar
Colapsa a paixão,
E é sempre noite
Nos lábios de uma mão, sem ninguém
Lhe tocar,
O rio é o pincelar da lua, sem ninguém
Lhe tocar,
O esperma será vinho,
Sem ninguém, lhe tocar
Sem ninguém me tocar,
Vou vivendo, sonhando com o mar.
20/09
15:03

