02 setembro 2026

Sou a mão da lágrima, guardada sou a lágrima, na mão

Sou a mão da lágrima, guardada

sou a lágrima, na mão

da lágrima,

chorada.

 

Sou o rosto, da mão

nos lábios, da lágrima

sou a mão, da lágrima,

na lágrima envenenada.

 

Sou o olhar, da lágrima

a lágrima desenhada, a lágrima

odiada, talvez, também

apenas, apenas uma lágrima chorada.

 

02/09
02:47

01 setembro 2026

Madrugada no teu olhar

Madrugada no teu olhar, o cigarro, apagado 

Quase, quase cinza, vencida 

As portas, são 

A loucura,

Do sono.

Do sonhar.


As janelas, são 

A luz do teu olhar, e o mar

No dormir, no deitar 

E no amar.


Madrugada, no teu olhar 

Meu, amor.


01/09

23:15

Três ovelhas

Três ovelhas, vamos

lá amanhã,

pitágoras, na hipotenusa e nos catetos

o triângulo, recto

as ovelhinhas, a erva, fresca, a comem

o caderno, preto, repleto de versos

arde, na invisível, fogueira de um olhar

a mesa, descida, vestida, jorra o sangue equilátero

quando, pouca

vida,

lhe resta.

 

Penso.

Estou indeciso; libertar as ovelhinhas,

ou,

matá-las e comê-las nas profundezas macabras da espada sitiada, no peito da madrugada

o comboio, em fuga, ausente, lá

tão longe, como a chuva, como a lua, como o nada

travestido, de muito, na curva da estrada, molhada

na curva da estrada, lá.

 

O sal magoa a carne, lâmina angular, no impulso de arquimedes, do outro maestro, a orquestra quase, muda

quase o inverno no casebre, junto ao rio

junto ao peito, deus

as ovelhinhas, começam, aos poucos, uma por uma

lã, por lã,

lá, todas, ensonadas, e já dormem, no pensamento de um qualquer, chibo.

 

É noite, no covil.

Esconde-se a lágrima da candeia, nas frestas anónimas das paredes, invisíveis

da sanzala.

 

Amanhã, vamos lá.

 

01/09
21:50

Equação

Ouvia-te sussurrar na despedida do teu orgasmo, a equação

do desejo, não adianta explicar como se resolve, porque apenas, nós

o sabemos fazer,

quando a integral da tua vagina, no intervalo

de seio, a seio

sabendo nós, que a função é a tua pele elevada aos meus lábios, sabendo nós,

que tudo isso, se divide

pela escuridão da noite, sabendo nós

que a tua boca, morde o meu peito.

 

01/09
18:59

Era a flor colorida da noite em ciúme,

Era a flor colorida da noite em ciúme, no árduo silêncio

que vence o triste sonhar, a estrela sangra, alimenta a fonte

e a seara da montanha,

era a flor, colorida, despida sobre o verbo amar, era

o mar vestido de sentir, que cada palavra

é a alvorada, procurada

e perdida.

 

Era a madrugada, o jardim

a janela camuflada e só, na ardósia da mão

era a flor colorida, talvez em despedida, em

cada rua perdida, na algibeira de um soldado

era a flor, era

o caos e era a dor,

de um homem cansado.

 

01/09
18:50