Cachimbo de Água
Poesia & Arte
28 maio 2026
Se já era dia, talvez o seja
Se já era dia, talvez o
seja
E o fosse só uma verruga
vestida de sílaba
Talvez cansaço, talvez
medo
Talvez a paixão e o amor
Talvez o dia seja uma
distância
Dentro do rio
desgovernado
Triste e leve
Alegre e amado
Se já era dia, talvez ele
consiga
Erguer-se da cama
Da cama só e em despedida
Das noites de sofrer
Nas noites em partida
E talvez o seja, e talvez
ele não o consiga
Se já era dia, e talvez o
fosse e o seja
Poeira e poesia
28/05
05:20
27 maio 2026
Como as portas que Abril abriu
Mil coisas me assombram
nas duas mil pedras lançadas
Da montanha eu tenho medo
No medo submerso de uma
espada cansada
E a parede esbarra na
solidão de uma jarra
Tão só
Tão cansada
Mil coisas me atormentam
dos milhões de néons semeados
De tantos pontos de luz
no infinito universo
Que me sento e que já não
penso
Que apenas me sento
E invejo
Todo o enforcado
E mil janelas se vão
abrir
Como as portas que Abril
abriu
27/05
22:13
Tu me lês e eu te amar
Tu me lês e eu te sonhar
Eu te desejo e tu não o
imaginas
Eu te quero e tu o ignoras
Que sou um louco e um
tolo que tu o dizes
Tu me lês e eu te amar
Eu te abraçava
E tu talvez não o queiras
E eu tanto te beijava
Tu me lês e eu desenhava
Na tua pele em fogo
Que te amo e que te amo
E não, isto não é um jogo
27/05
15:25
Nos meus olhos
Talvez o meu amar-te
esteja apenas na maneira de te olhar,
Talvez eu nem te ame,
talvez até eu te odeie tanto, ao ponto de neste momento, se te visse e sentisse,
te beijava e abraçava
Talvez o meu amar-te
esteja apenas na forma em eu te sonhar, e em eu te desenhar
Nos meus olhos.
Aí está a loucura em tanto te odiar, que loucamente te amo...
27/05
14:20
Silêncio
Irei me esconder, de ti
E da noite em sofrer
Irei sem vergonha de o ser
Irei me esconder, de ti
E do vento que semeou em mim a água
Que tinha na cabeça a luz e
A mágoa
27/05

