Até o horóscopo de hoje é uma merda...
cachimbo de água
poesia & arte
06 fevereiro 2026
05 fevereiro 2026
quando me dizes; amo-te!
trinta mil demónios, oito
destinos assombrados
uma lua desafinada, uma
agulha
em apuros,
envergonhada
uma rua sem saída,
lacrimejante rua e nua
uma letra adormecida,
triste
cansada como o poeta sem
nome, sem odor
nem o fedor, arranjem uma
corda
uma caneta que escreva,
um bairro em lata, na chapa
quando o capim era o
vento, no vento cabelo de um menino
e um triciclo em círculos
de alegria, porque os sorrisos dos calções eram o destino do mar
do mar um barco, no barco
um pequeno charco, ao
longe a linha do equador
e aí eu percebi, que o
amor não tem fim, que
que o amar é o semear,
nas esquinas de luz, o teu corpo
onde lhe toco, onde
escrevo
que há vírgulas a arder,
dentro do poema
que há luzes que são a
manhã, dentro de uma cama
que também em chama, em
chama desejo
que depois vem o beijo,
que depois, é o beijo
trinta mil demónios, oito
destinos assombrados
uma lua desafinada, uma
agulha
quando me dizes; amo-te!
05/02/2026, 23:00
aos poucos
aos poucos, tudo desaba
tudo, acaba
aos pouco, a vertigem de
um luar
que é o negro acordar
que aos poucos, em mim
morre e desaparece
que vive e que habita e
que envelhece
nas profundezas de um rio
quando a mão do poeta
treme de frio
quando a caneta é a
espada cravada
na luz de uma singela
madrugada
que aos poucos é a poeira
crepuscular
que aos poucos, desiste
de amar
05/02/2026, 15:47
03 fevereiro 2026
depois, talvez não
depois, talvez
não
e agora o que fazer, se o
tempo
parar, se o tempo morrer
mas às vezes, o tempo, o
tempo é sofrer
e sentir, sentir o tempo
na mão de escrever
procurar o amar, e saber
que o tempo não tem nome,
que o tempo sempre saberá
onde se esconde o alento,
que às vezes, que às vezes também não tem tempo, que às vezes ninguém tem, tem
tem outro sentimento
e tem um nome suspenso na
corda da morte, e quase não tem tempo
quase, quase que também
envergonhado, procura dentro do outro tempo
um quadro pincelado com
os sobejos do tempo
quando o tempo, ainda
pertencia à montanha do adeus
que deus o quis, porque
sim
não
andamos perdidos, num
falso tempo, curvilíneo, abstracto no silêncio de uma vírgula, se uma pedra for
capaz de arremessar contra mim,
a palavra enforcada na
árvore da despedida
e também eu, estou sem
tempo
aliás, desde que nasci,
nunca tive tempo
porque o tempo também é a
raiz
porque o tempo, o tempo
também é a fronteira que separa o calor, do frio,
que separa o cio, do rio
e que separa, a luz, do
vazio.
03/02/2026, 03:56
02 fevereiro 2026
o azul meteoro
será, o azul meteoro,
marte em mente, mente em lunar desperdício,
correr sobre um mar de
metástases, decadentes, proponentes
como um nome disfarçado
de ontem,
depois, será, o azul
vento, meteoro em mente, que sente
marte no destino
e amanhã?
será, o azul meteoro,
marte em mente, que mente em terra, em pedra e em areia,
faúlhas de tinta, da
chaminé de um caderno, em lambas e alfinetes dentados, em círculos, em rotação
em limalha cordial de uma
alheira, no prato incendiado e aprisionado e fodido
como uma lágrima depois
de libertada da seara madrugada
02/02/2026, 19:33
ele, ele matou-o
amanhã cedo será o início
de algo, algo
algo estranho no meu
intestino, 3 cm apenas, ou algo, muito
bom ou mau,
o pior será depois o
resultado, pois, há sempre um resultado,
sim,
não,
tal como a lógica, tal
como o código binário, 0 e 1, verdadeiro, falso
uma coisa é certa, mais
certo do que eu ser poeta, ou algo estranho
e a minha certeza é que
não terei o destino do meus pais; isso não.
um grama de heroa e eu
mato o gajo,
e na minha lápide, alguém
escreverá,
ele, ele matou-o.
02/02/2026, 19:11

