09 maio 2026

Desde que nasci, e senti

Desde que nasci, e senti

O odor nocturno de um beijo

Desde que nasci, e senti

A cor mistério do meu viver

Desde que nasci, e senti

A argamassa do dia

Na difusa madrugada de o ser

E de nunca a ter

Desde que nasci

A palavra

 

Na palavra de escrever

Desde que nasci, e senti

Cada milímetro quadrado da sombra de uma ausência

Desde que nasci, e senti

A noite a vestir-se de púrpura nuvem semeada na água

Desde que nasci, e senti

Cada gotinha de um sorriso

O amor do mar

E no ódio de ti

Desde que nasci, sem ti

 

Francisco

09/05
04:19

Se o teu corpo me abraçasse

Se o teu corpo me abraçasse

Como loira é a seara do trigo

Tão ausente no seu silenciar abrigo

Que no vento consente

E sente o frio da navalha,

 

Se o teu corpo me tocasse

Na primavera de cada olhar

No destino em te amar

E sofrer

Com cada verso escrito

Na palavra do meu escrever,

 

Se o teu corpo me olhasse

Princesa do mar

Que é tempestade e que é luar

Estrela e flor

Se o teu corpo dormisse sobre mim, meu amor…!

 

Francisco

09/05

04:06

08 maio 2026

Da noite em nós

O que dizem os teus cabelos em verso vento

O que dizem os teus seios que o sono esconde

O que dizem os teus olhos verdes

O que dizem as tuas palavras que são pedras lançadas para disfarçar o fogo,

O que dizem os teus lábios de mel

E o pincelar do beijo

Na boca da chuva

Na fogueira do desejo,

O que diz o teu sorriso semeado na alvorada

Que se esconde na tua voz

Que é madrugada

Da noite em nós.


Francisco

07/05

O fogo do teu olhar

Abro a janela para disfarçar o fogo do teu olhar

Na sombra do meu sonhar

Que pertence às telas e aos olhos do teu sorriso

E sinto a tarde no toque de uma fotografia,

A noite vem

Traz com ela o abismo da morte

Lançada contra os meus livros

Sitiados na esquina do amar,

E outro mar sentindo o meu verso

Na espuma interestelar de uma mágoa

Que serei talvez louco

Porque o tolo é quase gelo quando dorme

Na cama da ausência milenar,

E da janela para disfarçar o teu corpo

Uma andorinha de luz

No fogo do teu olhar.


Francisco

07/05

o perigo abraça a morte

depois um insecto dispara uma lágrima

indecente

voa sobre as árvores em busca do silêncio

há uma palavra na ponta dos ossos

e nos dedos

um círculo de luz com olhos verdes.

 

Francisco

08/05

 


32

 

Anos

 

Sem

 

Heroína.

06 maio 2026

O que restou do mar


O que restou do mar
Que amar amou
Porque o sobrar
Não pertencia ao que sobrou

E gente toda sem o saber
Porque sobrar ou não sobrar
Eis a questão do ser
Do que sobrou do mar

Que sobrou sem sobrar
O que restou do mar ardente
Das mãos daquele lugar

Que sobrou sem sobrar
Na boca que sente
O que sobrou do mar.

Francisco
06/05