Aqui vamos nós em
direcção ao pôr-do-sol, sitiados, estamos nós os alardos
Que antes de serem
soldados, foram drogados
E foram fodidos pela
escuridão da noite
Vestiam-se de gaiatos
porque gaiatos o eram, tal como a calçada
Descalça, cansada
Às vezes ouvia-se o tiro
de uma espingarda, talvez um soldado acabadinho de dar um tiro na cornadura, e
zás
O açúcar brincava sobre a
toalha, os miolos liam qualquer coisa de pouca coisa que existia naquela tarde
de frio, o calor
O suor, o frio, o corpo
rangia
O poema crescia, o tesão
era cada vez mais, até que
Zás
E,
E o que dizer da madame
da lavandaria que às vezes o sangrento fodia, e ela gemia, e ela
E zás
Capaz de engolir todo o açúcar
da mesa agora desesperada, a navalha
A navalha em brincadeira
com uma pequena côdea de pão, e ão
Descia o tesão ao
rés-do-chão, e fazia-se dia
Dia
O cacilheiro, vaiado,
também como a madame, gemia, ai que ele gemia
E se energia sobre as
amoradas da sorte, o guarda-chuva azul, contorcia-se
Sentia também o frio da
tarde, quase verão que o era, e no entanto
Nasci em Janeiro, em pleno
verão
Coisa louca, coisa louca,
Nascer em Janeiro a um
domingo e com a temperatura a mais de trinta graus celsius, porque se fosse fahrenheit,
Bom,
Esquecemos
Esquecemos tudo.
Sinceramente, que se foda
isto tudo. É o que é.
Uma jangada de pedra,
razão tinha-a ele.
Ele.
11/06
21:48