08 outubro 2026

Há quanto tempo é tempo de sentir o tempo frio do teu ombro

Há quanto tempo é tempo de sentir o tempo frio do teu ombro, há quanto tempo, o tempo é incompleto, distante na grandeza, e na destreza da mão que empunha, a lâmina capilar dos quatro sentidos, perdidos eles, também no encanto, do tempo.

Há quanto tempo, o perfume da tua pele sempre apressada, e sempre, sempre sem tempo, deste obreiro, tempo.

 

Há quanto tempo não existem cravos neste jardim, roseiras, bananeiras, e mangueiras, perdidas e esquecidas, no tempo, rodeadas de sombras, essas, com todo o tempo do universo,

Há quanto tempo não me envias um verso, uma palavra, ou até, uma pedra,

Lançada contra mim, e contra o tempo, sem tempo e em busca de outro vento, esse, esse com mais,

Tempo.

 

Há quanto tempo não sinto a tua mão procurando no tempo, o prazer, o lazer, do tempo, há quanto tempo que não sei a cor dos teus seios, despidos, nus, semeando ventos, no tempo, e nos lençóis, também sem tempo, também,

Sem vento, e no entanto,

Oiço a voz do tempo:

Há quanto tempo, o tempo que não existe, que nunca existiu, essa coisa, a que chamos, de tempo.

Não, não existe o tempo, ninguém sabe, e de que cor são os olhos, do tempo, da noite, no teu tempo, tão longe, que deixou de haver, tempo. E noite.

 

08/10
18:45

Se me dissesses..., amo-te.

Se me dissesses,

amo-te com o olhar,

se me escrevesses,

e dissesses,

quantas horas tem a noite no silencio escuro,

das horas,

e na claridade,

dos teus pensamentos,

se eu sentisse a tua mão

poisada

na sibila mais ínfima dos meus lábios,

que sangram,

e que choram pela ausência,

da

tua boca,

se me dissesses..., amo-te.

 

08/10
13:55

Vazio

Morre-se,

aos poucos e sentimos

o vazio da lágrima,

adormecida,

e cansada,

de tanto caminhar,

caminhar na estrada,

nua,

e sentida,

nas primeiras horas da madrugada.

 

Sentida,

a estrada,

e a vertigem dos teus olhos

quando o universo

é apenas a imagem do ontem,

esperando,

e caminhando,

sobre o gelo

e sobre o fogo,

e esperando,

morrer.

 

08/10
12:00

Do teu olhar

A serra no meio do dia quando o meu sonhar era a primeira rosa dentada do roseiral, quando a roda perfumada era o triângulo do mar que estava no silêncio dos teus olhos,

A serra está a arder no toque do orvalho, e o vento traz da chuva a escuridão de um relógio quase gelo na alvorada da morte,

A serra é o pincelar da lua no silêncio dos girassóis que o livro lança contra o fogo, e

Assim, será a serra o horário da minha triste maré, ausente, mas não é mais o viver em verso que o verso escrever, no verso, do verso que sente a luz do teu olhar.


E deste triste viver.


08/10

02:44

Adágio

O adágio primaveril

que ao cansaço da vinha

e das sombras de xisto,

nas veias o vinho,

das veias,

o abismo

e o rochedo,

na flora e na física

que cada incógnita é o medo

da porta,

não aberta.

 

Todas as portas

e todas as janelas

são tapumes

de luz

na claridade sentida,

da noite, no dormir,

no designar o sol

o sol da pirâmide,

um perfeito espantalho,

recheado e recheado,

ao deus, dará,

e se ele não quiser,

assim ficamos,

amigos,

o adágio primaveril

que ao cansaço,

 

eu pertenço.

 

08/10
00:03

07 outubro 2026

Era só um sonho

Zarpou a cabeça em direcção

ao eixo das abcissas

sem que o limite dos seios de (x),

quando o (x) tende para o infinito,

pudesse,

ao menos,

se sentar,

e escutar,

o sorriso do vento.

 

O sem cabeça,

agora assim conhecido,

agora,

mas se perguntarmos à derivada

do clitóris,

se amanhã vai chover,

- eu sei-te lá, nada sei, depois que a razão do inverno, elevado ao destino, qualquer coisa, assim, sim, amanhã,

chove.

 

Cabeças muitas nas planícies

e montanhas

deste caderno quadriculado,

que não é o fim,

nunca haverá fim,

para o fim-de-semana,

nos teus braços, ou,

sentir,

no meu corpo,

as pedras,

lançadas,

pelo teu olhar…

Era só um sonho.

 

07/10
20:13