01 abril 2026

Na alvorada manhã o que dizem os teus olhos, meu amor

Na alvorada manhã o que dizem os teus olhos, meu amor

Se alguma coisa dizem os teus olhos, mas o vento

Haverá de me trazer o fogo dos teus seios, e incendiar a luz do mar

Sempre que o sono for o dia e a noite, a tarde no silêncio de uma fotografia

Nos sais de prata da insónia 


Na alvorada manhã, meu amor

A doce tua voz nos lábios do universo

Que é quase um verso

No toque de uma mágoa, não

Não me canso de te sonhar

E de te amar


Procurando nas frestas nocturnas do clitóris da última figueira, o teu orgasmo, quase neve

Sobre o meu sexo, quase luz

Na alvorada manhã, e te pergunto

O que dizem os teus olhos, meu amor.


01/04/2026, 19:06


 

Agradecer aos visitantes do blog Cachimbo de Água pelas 6389 visitas no mês de Março, um aumento em relação a Fevereiro em aproximadamente de 2700 visitas.

 

Obrigado

Francisco

no relógio de os (mão morta) são horas de matar

no relógio de os (mão morta) são horas de matar

no meu relógio, mecânico, mais antigo de que o cagar

não são horas, horas de matar

mas sim, no meu relógio são horas de zarpar

 

no meu relógio são horas, são horas de não mais sofrer

são horas de viajar, horar de escrever

muitas horas de ler

e poucas horas, porque no meu relógio não há horas de correr

 

são sim horas de eu saltar

e de eu me erguer, e de eu voltar a amar

no meu relógio não são horas de matar

no meu relógio, são horas de eu sonhar.

 

91/04/2026, 17:43

nem sei porque te escrevo

nem sei porque te escrevo

se nem as minhas palavras lês, ou me prendes no teu olhar

se nem a corrente que aprisiona os meus olhos a queres tirar

com medo, ou sem medo, não sei se devo

 

te escrever, ou ignorar

que tanta coisa eu tinha e tenho e é o meu querer

não sei te continuar a escrever

ou contigo partilhar

 

o meu viver

e o meu pobre sonhar

não sei porque te escrevo, ou que tanto eu te quero ver

 

se não passo de um louco, de um tolo no seu dizer

ou de um misero poeta cansado de amar

cansado de sofrer.

 

01/04/2026, 06:21

31 março 2026

quando te vejo

quando te vejo

oiço o apito dos rochedos

vem a mim o perfume                   

lume

de um beijo

 

e sinto o vento no rosto

e muitos medos

do luar em ciúme

que o bom gosto

desenha na fogueira de um olhar

 

que quando te vejo

oiço as gaivotas em cio

que são também filhas de um rio

que quando te vejo

a minha voz é uma jangada

 

ou uma pedra em queda livre

tão livre, como o deus criador

como galileu, ou apenas como um impostor

de vontade aceite que na ânsia de um abraço

não o foi e agora pertence ao abismo

 

ao sulfúrico ácido

que quando te vejo

sem jeito fico

sem paz encontrar

nos iões de um desejar.

 

Alijó, 31/03/2026 – 21:59

havia um quadro pobre numa parede, pobre

havia um quadro pobre numa parede, pobre

durante o dia o pobre do quadro pobre, dormia

mal regressava a noite, o quadro, pobre, se erguia

e ficava tão feliz, tão… que até parecia um nobre

 

muito bem vestido

e asseado

mas o quadro às vezes tinha ar de cansado

e se arrependia de estar naquela parede e não ter partido

 

como fazem as andorinhas, como fazem as pessoas quando estão fartas do luar

sobem à mais alta montanha da aldeia

e começam a voar

 

a voar até que o vento seja a madrugada

e no chão semear a candeia

que outro quadro vai iluminar, e vestir de flor amada.

 

31/03/2026, 21:05

é o sol mais nocturno, de todos os nocturnos sóis

é o sol mais nocturno, de todos os nocturnos sóis

é uma viagem sem regresso, do ponto mais afastado do sistema cartesiano, uno

o universos, despido, a muitos milhões de anos-luz

o corpo que me pertenceu, está lá

 

e hoje é um meteoro azul, que dança dentro do vento

procurando o vácuo, remexendo em cada buraco negro, não há tempo

apenas o espaço nos pertence

quando um ião, nos ultrapassa, e nos vence

 

e nós, lixo espacial, equações de órbitas que já não existem

e há muito morreram nas mãos de um poeta

que queria ser astronauta, que queria ser a árvore de um silêncio

que quer apenas ser, um pássaro, numa qualquer biblioteca deste sistema solar

 

31/03/2026, 04:05