A esperança é um erro.
(László Krasznahorkai, Nobel da literatura 2025)
Poesia & Arte
Em direcção ao Sol ele
vai
Vestido de noite,
sentindo o frio da solidão
Sobe, sobe e não cai
Tão veloz como um foguetão,
E sonolento como a pena
de um pássaro inventor
Ele sobe, ele vai subindo
Vai tão veloz com frio e
em dor
Em direcção ao sol ele
vai sorrindo,
Em direcção ao Sol ele
vai
Vestido de noite,
sentindo o frio da solidão
Vestido de noite ele vai
Vai procurar uma mão.
04/’7
19:12
Adília morreu, está no
céu.
Terminei de ler pela
primeira vez/reli os poemas de Adília Lopes, “Dobra, poesia reunida”.
O que dizer, o que
escrever, o que desenhar
Se já tudo escrevi o que
tinha para escrever, se já disse tudo o que tinha para dizer, e se já desenhei
tudo o que tinha para desenhar.
Gosto da Adília.
04/07
Aos quadrados cada
quadrado do ser
Em ser um quadrado, em
ter quatro rectas aprisionadas
E uma janela desventrada,
sem vidros, sem nada
Porque um quadrado não é
o quarto, não é a sala
É só, só um quadrado nos
quadrados de cada quadrado do ser.
04/07
09:23
foi o colorido sonhar
em ser a voz do mar
ter na mão a madrugada
ter na mão o amar
o amar de uma voz
ausentada
foi um colorido sonhar
querer beijar
uma flor apátrida no
amanhecer
que não sabe amar
o meu escrever
04:07
09:15