09 julho 2026

Há estrelas que nunca morrem


Era quase domingo

Era quase domingo, mas ainda era sábado

Estamos naquele instante de t=0 em que a carne

Nem está bem passada, nem mal-aventurada

Lá fora dormia a lua e as suas mini luas

Algumas encarnadas

E outras brancas, espalmadas

Nuas

Verticais

As escadas,

 

Era quase domingo, no relógio

Do Celestino

Menino

E sem destino

Nem morada

Conhecidos

Ausentes

& feirantes,

 

Era quase domingo, mas ainda era sábado

As estrelas estão na transição de turno

Uma vão deitar e fazer oó

Outras cocó

E as restantes nada vão fazer

Porque estão cansadas

Porque estão a arder

E tão pouco lhes apetece foder.

 

Era quase domingo, era quase…

 

09/07
14:35

Cada casa é um caso

Cada casa é um caso

Redondo, bicudo

Ou quadrado

Mas o caso é uma casa

E a casa-caso

De portas e aviadas janelas

A paisagem se perde e se ganha

Num cubo pincelado de pontinhos

Pequeninos casos

Pequenas casinhas

Casinhas-casos

 

09/07
09:00

Meia-lua

Meia-lua

Estava nua

Tão nua ou mais nua

Do que a outra meia-lua

 

Depois dividiram a meia-lua

Uma das meias-luas

Partiu e levou com ela uma meia-lua

A outra meia-lua

 

Estava nua

E nunca se questionaram onde estava a lua

Porque elas eram meias-luas

Sós e nuas.

 

09/07
07:09

Onde está a chuva prometida

Onde está a chuva prometida

Que se cansou de caminhar

Sobre as pedras e sobre o mar

Onde está a flor adormecida

 

Que do silêncio fez palavras

Onde está a lua só e perdida

Só e esquecida

Em todas as madrugadas

 

Talvez nunca tenha existido

Lua ou luz ou até o luar

Talvez o sofrer e o sofrido

 

Sejam apenas flores de um outro mar

Ou amar

O mar em pétalas de seu chorar.

 

09/07
06:52

08 julho 2026

Ouvíamos, o quê

Ouvíamos, o quê

Se não tínhamos e sentíamos

Se não vivíamos

E vivíamos entalados entre a sombra e a luz difusa

Escuta, ao longe

A maquina que range

Uma rosa dentada, encarnada

Uma roda sem dentes e com pétalas de rosa,

 

Engasgada.

 

Dizíamos que no centro de massa da taça

O pão vai e vem

E não tem

Manteiga,

 

Com sal.

 

Afoga-se em mim a barcaça

No vento marinar

Ao vento sentir e estar

De salto em salto

Cada degrau é um pedaço de asfalto

Ao longe e ao perto

Descalço

De pé ente pé no cansaço destino

Cada pedra é uma pedra,

 

Lançada.

 

08/07
22:47

Recomeçar será muito melhor do que ficar sentado a contar cacilheiros