13 julho 2026

The End. 

Terminou a palhaçada,

Não sou palhaço. 

Flores

As flores padecem de cor

Na ausência da voz secreta do acordar

Sentir a lua e desistir de sonhar

E que sejas amor

 

E o amar

As flores padecem de cor

Sempre que uma lágrima se veste de luar

E desenha nas estrelas a dor

 

Quando o corpo é húmus e é o não ser

Na espuma que traz a razão

De ter

 

As flores padecem de cor

Quando o dia é a escuridão

E a noite esconde o encanto e o odor.

 

13/07
11:40

Há sonhos que são apenas o sonhar

Há sonhos que não fazem sentido, os desejar

E sentir

Que há sonhos em seu sonhar

Que apenas sombras o são

E pedras lançadas contra o luar

Sonhos invisíveis, impossíveis

Há sonhos de arrepiar, quando o corpo é espuma

Solidão

E bruma,

 

Há sonhos de amar

Que não amar, o sonho no seu sonhar

Há vértices, há quadrados e círculos

Quando os sonhos são apenas um mero sonhar

Sem sentido, sem o mar

Sem a claridade do beijo

À janela do olhar

Há sonhos que são apenas o sonhar.

 

13/07
04:47

o esquecer, aos poucos

eu o esquecer, aos poucos

eu esquecer, nos muitos almejos da sonolência

eu não saber, eu querer esquecer

as palavras inversas, em verso, da ausência

 

eu esquecer, aos poucos

os sonhos sem sentido, o horário, o anti-horário

os dias e os meses, as horas vagas e o diabo

e perversas e sem interesse

 

eu esquecer, aos poucos

o mar e o mel

eu esquecer, aos poucos, aos poucos

eu esquecer que um dia, o sonhei e o desenhei numa folha de papel.

 

13/07
04:34

12 julho 2026

Se o voasse

Se o voasse

Pertencesse ao corpo que já não me pertence

Se o amasse conseguisse

Subir a montanha, e se erguesse

E depois se sentasse

Sobre o mar,

 

Se o dissesse não fosse mais o disse

Que desenhava na árvore, a pedra do adormecer

Se o ouvisse

Não fosse só o sentisse

E não dormisse

No luar,

 

Sempre a escrever, se o chorasse

Fosse a ribeira do amasse

E se o amasse não fosse mais

O sonhasse

E o sentisse

Se o voasse.

 

12/07
21:29

Sentido nada sentir

Sentido nada sentir 

Nada mais o dizer 

No escrever 


Nada mais no sonhar 

Eu o fazer 

Nada mais o desejar 

Ou os olhos eu ver 


Nada mais sentido 

Escrever 

Ser.


12/07