02 agosto 2026

O moleque nas sais da alvorada

Dançava o moleque nas sais da alvorada, madrasta

sapiente e em vergonha no seu caminhar, ser

a dança que mais não vai dançar

que mais não vai ter

 

Em si e no corpo, na sombra e na algazarra de um olhar

o ventre jesus, o jesus alimento

e da espada a mordaz

e o sofrimento

 

Da porta por abrir, e dançava nas sais da alvorada

o moleque e a madrasta da vida, e no vergonhar silêncio

o pertencer às masmorras da ausência, e partir

e deixar na escuridão a vontade de sonhar.

 

02/08
18:42

Pássaro

Sou apenas um pássaro que é parvo, que sentado se ausenta 

Da chuva e do vento de uma lágrima de amar 

Em tanto eu te amar,


Para o nada do meu nada, na dor e no sofrimento.


02/08

16:15

palavras de sofrer

há um livro sem nome

num corpo sem destino

há palavras com fome

na boca de um menino,

 

há um livro de horror

dentro da noite ancorada

há personagens com dor

à procura da madrugada,

 

há um livro Há um livro cansado

na janela do amanhecer

um livro apaixonado

pelas palavras de sofrer...

O espelho

O frio tinha uma árvore que sempre que adormecia,

sentia no espelho o brilho e a maresia

da ausente migalha, que a mulher dizia ser

sobre a mesa, a toalha, a virgula salgada

subindo a montanha

subindo.

 

02/08
02:32

Universo

O universo é a melodia abrupta 

Da sepultura anónima 

Convicta e perfumada 

A terra em seus seios 

E lugares 

Ausentes 

Na morte e falta se o facto 

Na sorte 


A paixão do mar e o pincelar da luz 

No corpo nu da primavera e em 

Branco sombreado 

No jardim da chuva 

O teu nome 

Está guardado 

E inscrito 

Na tília lua

A voz da razão 


Saberei um dia o teu nome e na difícil 

Ternura 

Da tua mão 

Na água 

Também a minha 

Mão 

Na tua água 

Saberei um dia o teu nome?


Na terra que me enfeitiçou 

Na natureza 

E na alegria 

Saber 

Dor 

O juízo 

O tiro na nuca,


Entre o capim e a cubata,


O universo em verso.


02/08

00:49

01 agosto 2026

A roda dentada de uma lágrima

Desenhou a roda dentada

de uma lágrima

quando a noite ainda o era, ser

criança

e flor

e seara verde no celeiro do agricultor.

 

Desenhou e assassinou

o parafuso de pressão, o veio na mão

a porca e o esqueleto de uma sombra

na sombra difusão da luz

no espaço, sejamos então

o acordar da manhã.

 

 

01/08
20:48