Há quanto tempo é tempo
de sentir o tempo frio do teu ombro, há quanto tempo, o tempo é incompleto,
distante na grandeza, e na destreza da mão que empunha, a lâmina capilar dos
quatro sentidos, perdidos eles, também no encanto, do tempo.
Há quanto tempo, o perfume
da tua pele sempre apressada, e sempre, sempre sem tempo, deste obreiro, tempo.
Há quanto tempo não
existem cravos neste jardim, roseiras, bananeiras, e mangueiras, perdidas e
esquecidas, no tempo, rodeadas de sombras, essas, com todo o tempo do universo,
Há quanto tempo não me
envias um verso, uma palavra, ou até, uma pedra,
Lançada contra mim, e
contra o tempo, sem tempo e em busca de outro vento, esse, esse com mais,
Tempo.
Há quanto tempo não sinto
a tua mão procurando no tempo, o prazer, o lazer, do tempo, há quanto tempo que
não sei a cor dos teus seios, despidos, nus, semeando ventos, no tempo, e nos
lençóis, também sem tempo, também,
Sem vento, e no entanto,
Oiço a voz do tempo:
Há quanto tempo, o tempo que
não existe, que nunca existiu, essa coisa, a que chamos, de tempo.
Não, não existe o tempo,
ninguém sabe, e de que cor são os olhos, do tempo, da noite, no teu tempo, tão
longe, que deixou de haver, tempo. E noite.
08/10
18:45
