17 maio 2026

Imagino o teu corpo vestido de nu

Imagino o teu corpo vestido de nu

Imagino no espelho da minha tristeza o teu rosto

Que o imagino

Na minha louca imaginação

 

Imagino o teu corpo no meu corpo

Imagino os teus lábios no meu peito

Eu imagino

E sei que não há jeito

 

Imaginar o que eu imagino

Imagino o teu corpo vestido de nu

E de um só corpo

O meu e o teu corpo eu imaginar

 

Francisco

17/05

16 maio 2026

Tão só a noite, meu amor

Tão só a noite, meu amor

O silêncio

Às vezes tenho saudades de ouvir o miar de um gato, e logo eu que odeio gatos

E logo eu que tenho saudades de ouvir o miar de um gato,


Tão só a noite, meu amor

A sensação de estar morto, a tarde no toque de um quadro

A lareira acesa, sinto frio

E um estranho desconforto,


Tão só, meu amor

A noite que me atormenta

Que não dorme nem que dormir me deixa

Nesta noite, tão só, meu amor; eu.


Francisco

16/05

22:16

a morte - Julho/2015

a morte - Julho/2015

Me disseste que um dia Um dia eu seria

Me disseste que um dia

Um dia eu seria, que um dia eu seria um nada

Ou um rubro tão desvalorizado que

Esse dia eu sentiria, o desejo mais do que uma saliência destemida da morte

A descida, a descer

A morrer

Aqui estou, me disseste um dia

Nada

 

Que eu um dia o seria, porque sentia a nuvem envergonhada

Sentando-se na fimbria manhã de uma espada

Travestida, pasmada

Que foi lua

E destino

Que eu um dia o seria, e que diria que às vezes no verso

Cada palavra, cada página de uma noite é uma sombra

Envergonhada, desamada, amada

 

E que eu seria, um nada

Que um dia me disseste que eu nunca quis acreditar

Que esse dia acordaria, que nesse dia eu seria

Que um dia me disseste, que eu seria um dia

Um nada, dentro do nada

Invisível, sem nome

Sem endereço nem cidade para viver

Triste e às vezes com fome, que um dia me o disseste

 

Francisco

16/05
18:58

O vento vestido de mar

Ai quem me dera ser o vento

Vestido de mar

Ai quem me dera viver que aqui me sento

Vivendo no luar

 

Ai quem me dera ser um pássaro e ser a primavera

Ser o silêncio ai quem me dera ser

Um cubo ou uma esfera

Não sofrendo e não ter

 

O rio dentro do meu habitar

Ai quem me dera ser a madrugada

O teu amar

Na tua mão cansada.

 

Francisco

16/05
18:41