Cachimbo de Água
Poesia & Arte
17 junho 2026
Se a minha mãe soubesse, não me tinha oferecido o juízo
Se a minha mãe soubesse,
não me tinha oferecido o juízo
Dava-me outra coisa
qualquer, que eu não me importava
Que fosse uma flor
Que fosse uma espada
Mas dar-me o juízo
Não mãe,
Preferia que não me
desses nada
Que é muito melhor do que
o juízo
Que ao contrário de ser
engenheiro, deste-me o juízo
Se a minha mãe soubesse,
não me tinha oferecido o juízo
Podia dar-me a carta de
astronauta, podia até oferecer-me o céu
Agora mãe dares-me juízo,
para quê?
Se aquilo de que eu
preciso
Não é de juízo.
17/06
02:11
Cansados estão os pássaros e os rochedos do meu viver
Cansados estão os
pássaros e os rochedos do meu ser, cansados nós estamos, estamos cansados
Cansadas estão as
lágrimas do nosso viver, cansados estamos nós
Na tristeza
E no sofrer
Cansados o somos,
cansados o seremos, e humilhados
Às vezes, nós tão
cansados
Cansados que estamos
Cansados estão os
pássaros e os rochedos do meu viver, está cansado o mar
De mim e do meu ter
Cansados estamos, estamos
cansados de o ser
Os pássaros e os rochedos
Do meu viver
Cansados estamos, estamos
cansados
E não percebem, os
pássaros e os rochedos
Do meu viver
Que estamos tão cansados
Mas tão cansados
Que às vezes somos apenas
( )
Cansados estão os
pássaros e os rochedos do meu viver
Cansados estão os braços
enferrujados do meu saber, o de nada saber
Cansados estamos, estamos
tão cansados
Cansados de sofrer
Cansados de pertencer
Aos operários e às
operárias, estamos cansados
Cansados que estamos
Estamos
Cansados de o ser
17/06
01:58
Vamos voar meu amor em nossos cansaços
Vamos voar meu amor em
nossos cansaços
Vamos dar as mãos como se
fossemos dois pássaros em liberdade
Entre beijos e abraços
Na sombra de uma cidade
Vamos voar meu amor em nossos
desejos
Na tristeza e no labutar
Vamos meu amor vamos aos
nossos festejos
Porque os vencemos com a
força do nosso sonhar
Vamos meu amor vamos voar
Sobre as árvores em
primavera amanhecer
Que tão perto agora está
o mar
Que tão perto está o
outro lado do rio
Que finalmente vamos
vencer
Que finalmente teremos o
nosso casario
17/06
01:46
16 junho 2026
Imagino-te na nudez do meu destino
Imagino-te na nudez do
meu destino
Que nua te imagino
Imagino-te nos versos do
meu escrever
Imagino-te nua sentindo te
ter
Que te imagino nos livros
de ler
Imagino-te doida com a
cabeça deitada no meu peito a arder
Imagino-te no meu cansaço
No beijo ou no abraço
Imagino-te dançando sob o
vento
Flor pétala que não se
cansa de correr
Que sabe que a imagino no
meu pensamento
Que o meu amar
Foi o sorriso da lágrima
a escorrer
E hoje é o meu mar
16/06
23:12
O que fazer
O que fazer
Quando nada há para fazer
O que dizer
Quando nada há para dizer
O que amar
Quando nada há para amar
Ou sonhar
O que ser
Quando nada há para ser
A não ser
Sofrer
O que escrever
Quando nada há para
escrever
O que sentir
Quando nada há para
sentir
O que tocar
Quando nada há para tocar
Ou abraçar
O que fazer.
16/06
10:38
