Ontem éramos dois solstícios em contramão
E pertencíamos e éramos a luz do mar
Ontem éramos o luar
Ontem éramos o sonhar
Ontem éramos dois solstícios em contramão
Com medo de amar
24/06
13:49
Poesia & Arte
Ontem éramos dois solstícios em contramão
E pertencíamos e éramos a luz do mar
Ontem éramos o luar
Ontem éramos o sonhar
Ontem éramos dois solstícios em contramão
Com medo de amar
24/06
13:49
E se o tempo não existir
E se o tempo apenas
existir no nosso tempo
E se o tempo for apenas
um algoritmo
Ou um poema sem tempo e
em chama
Ou uma erecção
Ou gemido na tua cama
Se o tempo e se o tempo não
existir
E ser o tempo o teu sexo
em lágrimas
E os teus seios um rio
Sem tempo e sem palavras
No tempo de não existir
Sem tempo ou sem lágrimas
24/06
12:51
Às tantas páginas,
lágrimas tantas
Palavras amargas
Noites envenenadas
Às tantas páginas
Lentas e tormentas
As sílabas do poema em
morte
Às tantas e outras
páginas
E lentas e tantas as
palavras
Nas outras páginas
Às páginas tantas
E que tantas foram as
lágrimas
Sobre as palavras e sobre
as páginas amadas
24/06
12:36
Equação que não tem
solução
Não adianta tentar
resolver,
Diria:
Euclides;
Sófocles;
Sócrates;
Pireneu;
Pitágoras;
Einstein:
Ou: ou até eu,
Luís Fontinha,
Vai o vento a passar
Leva na mão outro vento
E outro mar
Sem tempo
Este tempo de amar
Vai o vento em seu esplendor
Vai o vento a passar
À procura de uma flor
Vai o vento a passar
Leva o vento a dor
Na dor de sonhar
Na dor de ser tempo sem
tempo
No tempo de amar do tempo
sem cor
Vai o tempo a passar a
passar o vento.
24/06
12:26
É o último, é o silêncio
E o fim, e o ontem
E a chuva
E a terra
E a mulher vestida de néon
O palhaço que sou
O circo
A roulotte
O cansaço, o último
Sem o desejo
Sem o mar
Sem
É o fim
E o recomeço
E a vontade
Sem apreço
É o destino
É a literatura
É a poesia
No fim
24/06
11:20
As dunas estão serenas
Plumas
Na espuma do olhar
Secretas e madrastas
Palavras já tão gastas
Palavras
Fechaduras
Janelas e outros afins e
olhares
Sins ou nãos
Tudo são palavras já
gastas
Depois a lua e depois o
capim
Que arde
E que sente a voz nua
E ouve o vento
As dunas estão serenas
Plumas
Na espuma do olhar
O amar.
24/06
05:26
Pouco, o nada
O tudo capaz de rasgar a
montanha
Que cada equação
resolvida
É uma rua
É uma estrada
Sem saída,
O tudo ou o nada
A tristeza
A madrugada
O silêncio
E a alvorada
Sem nada,
O cigarro quase cadáver
A minha vida quase um
cigarro
Suspenso no cinzeiro
Suspenso na luz
E no frio
De uma mão,
Mas tudo passa
Mas tudo vai morrer
O tudo
E o nada
A luz
E o meu escrever,
Tudo vai morrer
Acreditando
Acreditando que lá fora
há rios sem nome
Que da janela do quarto
já não se observa o mar
Tudo, nada
Este meu amar.
24/06
05:18