O sorriso de um relógio, se a noite o quiser
Construir na chuva o silêncio do tempo
Será o tempo leviano, quando a mão deseja escrever
Quando o fogo também é o tempo
E do vento, o sentir, o ter
Dentro do meu peito
A flor tarde do mar
E te amar
Te sentir na escuridão da última hora para o dia, hoje
A tarde já sonolenta, tão pequenina como se fosse só uma pétala de pão na esquina da morte
O sorriso de um relógio, no teu pulso, o pulsar do meu sexo, na outra margem do mar, do
E o cacimbo do meu sol dorme sobre a mesa
E da faca escorreu o sumo do teu clitóris que o vento semeou
Mas o vento se cansou, como me cansou
Quem sou
Ser um quase nada
O gasóleo irá aumentar, o sorriso de um relógio, ficará igual
Tal como o fogo do teu olhar, a jangada, da pedra
Lançada, ou púrpura
Ou também cansada, ou também morta
E morto eu me sinto, quando sentado na cama
Eu não te pertenço
Porque sou um relógio.
12/03/2026, 21:53
