05 fevereiro 2026

quando me dizes; amo-te!

trinta mil demónios, oito destinos assombrados

uma lua desafinada, uma agulha

em apuros,

envergonhada

 

uma rua sem saída, lacrimejante rua e nua

uma letra adormecida, triste

cansada como o poeta sem nome, sem odor

nem o fedor, arranjem uma corda

 

uma caneta que escreva, um bairro em lata, na chapa

quando o capim era o vento, no vento cabelo de um menino

e um triciclo em círculos de alegria, porque os sorrisos dos calções eram o destino do mar

 

do mar um barco, no barco

um pequeno charco, ao longe a linha do equador

e aí eu percebi, que o amor não tem fim, que

que o amar é o semear, nas esquinas de luz, o teu corpo

 

onde lhe toco, onde escrevo

que há vírgulas a arder, dentro do poema

que há luzes que são a manhã, dentro de uma cama

que também em chama, em chama desejo

 

que depois vem o beijo,

que depois, é o beijo

trinta mil demónios, oito destinos assombrados

uma lua desafinada, uma agulha

 

quando me dizes; amo-te!

 

05/02/2026, 23:00

 


aos poucos

aos poucos, tudo desaba

tudo, acaba

aos pouco, a vertigem de um luar

que é o negro acordar

 

que aos poucos, em mim morre e desaparece

que vive e que habita e que envelhece

nas profundezas de um rio

quando a mão do poeta treme de frio

 

quando a caneta é a espada cravada

na luz de uma singela madrugada

que aos poucos é a poeira crepuscular

que aos poucos, desiste de amar

 

05/02/2026, 15:47

03 fevereiro 2026

depois, talvez não

depois, talvez

não

 

e agora o que fazer, se o tempo

parar, se o tempo morrer

mas às vezes, o tempo, o tempo é sofrer

e sentir, sentir o tempo na mão de escrever

 

procurar o amar, e saber

que o tempo não tem nome, que o tempo sempre saberá

onde se esconde o alento, que às vezes, que às vezes também não tem tempo, que às vezes ninguém tem, tem

tem outro sentimento

 

e tem um nome suspenso na corda da morte, e quase não tem tempo

quase, quase que também envergonhado, procura dentro do outro tempo

um quadro pincelado com os sobejos do tempo

quando o tempo, ainda pertencia à montanha do adeus

 

que deus o quis, porque sim

não

 

andamos perdidos, num falso tempo, curvilíneo, abstracto no silêncio de uma vírgula, se uma pedra for capaz de arremessar contra mim,

a palavra enforcada na árvore da despedida

 

e também eu, estou sem tempo

aliás, desde que nasci, nunca tive tempo

porque o tempo também é a raiz

porque o tempo, o tempo também é a fronteira que separa o calor, do frio,

que separa o cio, do rio

e que separa, a luz, do vazio.

 

03/02/2026, 03:56

02 fevereiro 2026

o azul meteoro

será, o azul meteoro, marte em mente, mente em lunar desperdício,

correr sobre um mar de metástases, decadentes, proponentes

como um nome disfarçado de ontem,

depois, será, o azul vento, meteoro em mente, que sente

marte no destino

 

e amanhã?

 

será, o azul meteoro, marte em mente, que mente em terra, em pedra e em areia,

faúlhas de tinta, da chaminé de um caderno, em lambas e alfinetes dentados, em círculos, em rotação

em limalha cordial de uma alheira, no prato incendiado e aprisionado e fodido

 

como uma lágrima depois de libertada da seara madrugada

 

02/02/2026, 19:33

ele, ele matou-o

amanhã cedo será o início de algo, algo

algo estranho no meu intestino, 3 cm apenas, ou algo, muito

bom ou mau,

o pior será depois o resultado, pois, há sempre um resultado,

sim,

não,

tal como a lógica, tal como o código binário, 0 e 1, verdadeiro, falso

 

uma coisa é certa, mais certo do que eu ser poeta, ou algo estranho

 

e a minha certeza é que não terei o destino do meus pais; isso não.

 

um grama de heroa e eu mato o gajo,

 

e na minha lápide, alguém escreverá,

 

ele, ele matou-o.

 

02/02/2026, 19:11