Cachimbo de Água
Poesia & Arte
01 julho 2026
Em teu corpo eu semear
Em teu corpo eu semear
Cada palavra do meu
escrever
Cada palavra do meu te amar
Desejando-te sabendo que
nunca te vou ter,
Em teu corpo eu desenhar
A lua e os pássaros e a
noite a arder
E também posso acariciar
Os teus seios com os lábios
do meu ser,
Ser a razão inversa do
sofrer,
Em teu corpo de espuma
acordar
Que vem o vento e nos vai
trazer
A luz e a paixão,
E nunca mais a noite vai
arder ou marear
O silêncio de uma mão.
01/07
14:48
É quase noite no teu olhar, meu amor
É quase noite no teu
olhar
É quase beijo nos teus
lábios
É quase poema a tua boca
E o teu cabelo é quase
sol
Dos teus olhos de mar,
É quase loucura eu te
amar,
Mas amo-te e não sou
louco,
Sou apenas eu,
Que nem poeta sou
Nem pássaro para voar,
É quase noite no teu
olhar
Meu amor.
01/07
14:34
30 junho 2026
A casa
A casa ausenta-se e me
diz que a rua pertence a deus, adeus
Deus da casa e do
quiosque
Quando o vinho leva água
E quando a chuva é maresia
Sentida na vagina de um
livro
O poema é uma merda
Como sempre como assado
E que ontem era cansaço
sábado
A casa é deus
Que tomba sobre a erva
daninha de uma sanzala
Ala neurológica do gemido
O grito na escuridão
A cama é ginástica
debruçada sobre o soalho
Vidente
O sente quando sentir o
verniz da espada
Sobre o peito é apenas um
feixe de luz
30/06
22:15
rua das amoreiras
quase que o sítio
é um esconderijo com
múltiplas janelas
porcelanas várias
flores e donzelas
portas
escadarias
arrumações,
pindérico
abstracto o azulejo
número quatro
da rua das amoreiras
este sítio fedorento
arruaceiro e temido
o dia
e a noite de ser poeta
solitário,
as árvores são pássaros
com raízes
abraçam a terra
e brincam com a chuva
a maré que é destra e mãe
das invisíveis estrelas
que são sítios
sítios sós.
30/06
22:00