27 maio 2026

Tu me lês e eu te amar

Tu me lês e eu te sonhar

Eu te desejo e tu não o imaginas

Eu te quero e tu o ignoras

Que sou um louco e um tolo que tu o dizes

 

Tu me lês e eu te amar

Eu te abraçava

E tu talvez não o queiras

E eu tanto te beijava

 

Tu me lês e eu desenhava

Na tua pele em fogo

Que te amo e que te amo

E não, isto não é um jogo

 

27/05

15:25

Nos meus olhos

Talvez o meu amar-te esteja apenas na maneira de te olhar,

Talvez eu nem te ame, talvez até eu te odeie tanto, ao ponto de neste momento, se te visse e sentisse, te beijava e abraçava

Talvez o meu amar-te esteja apenas na forma em eu te sonhar, e em eu te desenhar

 

Nos meus olhos.


Aí está a loucura em tanto te odiar,  que loucamente te amo...

 

27/05

14:20

Silêncio

Irei me esconder, de ti

E da noite em sofrer

Irei sem vergonha de o ser

Irei me esconder, de ti

E do vento que semeou em mim a água

Que tinha na cabeça a luz e

A mágoa


27/05

26 maio 2026

Aqui estou eu

Aqui estou eu, sendo eu qualquer coisa, estranha na ausência da estética de um fio de nylon atado ao pescoço

Aqui estou eu, pertencendo e sendo, eu

Um pedaço de espuma no corpo da morte

Ou até estrela do céu

 

Aqui estou eu, sentado e aflito

Sentado e enforcado ao salitre e ao enxame de flores

Que aqui estou eu, a última porta da noite

Sentada também, no meu colo

 

Aqui estou eu, o milhafre do desejo

A palavra e o beijo

E a mão que chora

O rosto em despedida

 

Aqui estou eu, em partida

E sem regresso

Em cada verso, que aqui estou eu

Outro verso, outro eu.

Naquele tempo

Naquele tempo Jesus sentia-se triste

E andava descalço

Daquele tempo sobrou a solidão

E um ou outro verso

 

Sem nexo

Sem propósito

Naquele tempo Jesus sentava-se junto ao rio

Fuma e pensava

 

E sofria e amava

Naquele tempo Jesus sonhava

Que um dia quase certo e que quase nada

O derrubava

 

E Jesus o que ele chorava

Porque naquele tempo Jesus pelo mundo caminhava

Descalço e como eu sem quase nada

E como eu naquele tempo

 

26/05