Enquanto leio, pincelo o teu olhar
Com sementes de amar,
Porque o amar é uma seara de desejo
Que te deseja e beijo,
Enquanto leio a fogueira do teu olhar.
poesia & arte
pertenço aos teus braços,
hoje balanço
como o vento selvagem,
nos teus braços
hoje venço medos e
cansaços
e nas palavras eu danço
semeando o teu corpo com
palavras
com as palavras semeadas
que são primaveras amadas
nas palavras e nas
madrugadas
pertenço aos teus braços,
e hoje canto
sobre os embondeiros da
minha meninice
que às vezes tanto era o
vento
que o capim saltitava
como uma criança mimada
que pertenço aos teus
braços, até que a velhice
me vença e depois eu seja
mar e mais nada.
14/02/2026, 15:00
desejar-te quando a noite poisa nos teus
lábios
desejar-te como o luar deseja a noite
ou como o sol deseja o dia,
desejar-te dentro do poema
quando brinca na poesia,
desejar-te quando já és desejada
nas páginas de um livro
das manhãs de inverno…
desejar-te dentro deste inferno
que acorda em cada madrugada,
desejar-te enquanto és flor
semente semeada
desejar-te neste imenso mar
onde habitam as minhas palavras
onde morre a minha dor
onde escondo as lágrimas de chorar.
quase que sinto o
desfalecer
de um olhar, e
e depois acorda em mim a
estonteante sombra
que traz o vómito, e o
adocicado milagre
que quase que é noite
disfarçada de uma outra mulher
que quase pertence ao
livro que deitei
na fogueira, quando o meu
corpo estava ressacado
quando também sentia
muitos vómitos, e havia faúlhas de noz
sobre um prato com terra
e vento e veneno
e sabia que era dia,
quando acordava no meu peito o frio suor de uma primavera sem nome
de uma abelha, que me
gritava, que me dizia
que de nada adianta
desfalecer apenas porque é dia, porque sendo noite,
eu queria
e sentia,
outras vírgulas na minha
voz
porque choras, roda
dentada e destemida roda da vida
porque são asas que o
vento me leva, quando deveria trazer-me
os teus braços,
no limiar da inocência, o
carrasco me leva
e sei que serei um quase,
tinha
um chocolate para
comermos
e uma aldeia para
semearmos no limbo da metamorfose, quando o teu corpo
é a glândula primeira do
destino, desencontrar-me
como um conjunto de
pontos infinito, quando
apenas a morte é
infinita, quando
apenas. a morte.
13/02/2026, 18:21
desenho-te numa nuvem de
sono
escrevo na espuma dos
teus seios
e é primavera no meu
silêncio
e é a chuva no teu cabelo
sonho-te no infinito luar
nocturno
que a minha mão em
delírio
procura na sinfonia dos
dias
e das noites
nas noites em que te
sonho
em noites em que te
procuro
porque te desenho
porque te desejo no meu
desenho
13/02/2026, 01:16