Quase que morri.
Na tua boca em verso e
flor
e a noite e a fotografia
de uma ausência,
que morri na tua boca,
não sentir e
o saber, arde dentro de
mim
o fogo da chuva,
em min que te semeaste
e cresceste entre as
palavras
e o beijar do vento que
partiu
e que nunca mais foi
gente.
A febre está na tarde
disfarçada de manhã,
e depois
quase que na tua boca eu morri,
não vencendo, a última
noite do oceano.
Tenho barcos, muitos
olhares
no mar que me atormenta,
morrer, e depois
vou fazer, o quê?
as almofadas do quarto
céu que dançavam,
e que tinham
um gato para cuidar,
e uma janela para abrir,
se na eira se deitava, e
a fodia, e ele
ouvia o seu gemer.
A luz no silêncio, a
minha mão
é quase uma mão que banha
o teu corpo nu,
o último apito da morte,
quase que morri na tua
boca,
quase que fui, rua na
despedida de uma cidade invertida,
e em nada,
divertida
mil enxadas sobre o azul
de um beijo,
a carne floresce,
e cresce e sorri
quase que morri,
na tua boca em três
ventos, à porta
de uma casa, a mágoa e a
noite,
o pénis em pânico,
na esquina do amar,
mas
quase que morri,
morrer em tua boca
cantante.
26/07
15:32