10 julho 2026

Aos poucos deixaram de escrever nos meus olhos

Aos poucos deixaram de escrever nos meus olhos

Aos muitos

E aos poucos

Deixaram de me abraçar

Aos poucos deixaram de acariciar os meus lábios

De me tocar

Aos poucos deixaram de me amar

Aos poucos

E nos muitos

E poucos

 

Perdi a vontade de sonhar

Aos poucos vi o mar desaparecer

Aos poucos

E aos muitos

Deixaram de me dizer

Qualquer coisa que fosse

Nem que fosse

Aos poucos

E

Aos muitos

Os poucos

 

Nos meus olhos escrever.

 

10/07
15:12

Noites sem dormir à espera da voz

Noites sem dormir à espera da voz

Em aflição e constantes incógnitas

Que fazem da equação

Uma equação complexa de resolver

 

Submersa na salgada água do amanhecer

Estou sentindo a voz

Do limo e na saliência do luar

Que uma ou outra friesta o seja

 

Pai e filho

A mansarda farta do sol

A janela cansada da luz e a escuridão

Vestida de luz

 

Na palma da mão

Que nas noites sem dormir à espera da voz

O cortinado sente o fogo

De um mortífero olhar.

 

10/07
14:57

Ao traço acrescento mais um traço

Ao traço acrescento mais um traço

No musgo da meia-noite o infinito abraço

E ao final do dia

O cansaço,

 

Depois, o jantar

A poesia, a luz entre o oiro da maresia

E o barco em papel desgovernado

No mar da vergonha, quem o diria

 

O traço ganha voz e força

E alegria e depois são flores e depois são lágrimas

Vestidas, espancadas

No rosto da madrugada.

 

10/07
05:02

Na espuma invisível do olhar, sempre que é noite

Na espuma invisível do olhar, sempre que é noite

A chuva é a lápide da mão

Que na bravura, que na morte

Deixa no chão, um nome

 

Um invulgar nome, o tributo mais distante

Da ausência, e da infância

Que ao fundo, corredor longe

A porta, a janela que se veste de barco

 

O pássaro que nunca voou, tão pouco quer aprender a voar

O poeta que morre por falta de palavras

Porque a noite é uma farra, porque a noite é o caixão

Dos pássaros que nunca voaram

 

Porque há pássaros que o são, na espuma invisível do olhar

O livro finge, tudo finge, fingem que sou um embaraço

Laço, no pescoço milagroso, a corda simples como o pão

Na mesa simples como a chuva

 

10/07
04:53

09 julho 2026

Computação quântica

Computação quântica.

Nada a dizer, se tudo isto um dia não descambar. Enquanto os nossos computadores apenas funcionam com zeros e uns, como um interruptor que está, ou aberto

Ou fechado.

Na computação quântica uma subpartícula poderá estar em dois locais diferentes ao mesmo tempo,

E poderão ser analisadas milhões de hipóteses para resolver o problema, tudo

Ao mesmo tempo.

Isto não é ficção e já existem na google e na IBM, e tenho receio dos chineses; esses gajos não são de confiar.

Comecei com o MS-DOS.

Depois estes idiotas inventaram o Windows, e tudo estragaram.

O Windows é uma merda, viva o Linux.

Como deus está em sítios diferentes ao mesmo tempo, e propositadamente escrevi, está em sítios diferentes ao mesmo tempo, ora, ao mesmo tempo não existe

Deus poderá então estar em locais diferentes no instante de tempo t = a qualquer coisa, e então

Sim, ele existe, mas apenas no mundo subatómico.

Estas subpartículas são meio loucas, meio

Loucas, e tolas como eu.

C:\md fontinha

C:\cd poesia

C:\copy *. * C:\fontinha

C:\cd…

E deus lá anda nas suas andanças, apagando aqui, incendiando acolá, no instante de tempo t=2s,

Mas,

Depois que a vida é uma roda dentada, sim, claro que o é, mas digo-o não porque a roda tem dentes, digo-o porque

É fodido,

Através de equações complexas, determinar o número de dentes (z) em função do raio r, da puta da roda.

E sim. Que isto é fodido, que o digo eu, que o diga o professor Carlos Andrade, um grande abraço

Não te fintas? Quem tu diz sou eu,

Mas, oh professor

Se não fossem aquelas equações que toda a gente utilizava no Excel, durante o exame…, e que o professor fingia que não sabia,

Diria sim,

Sim professor, estávamos todos fodidos.

Felizmente que ainda cá andamos, com os nossos órgãos de máquinas mais ou menos nos trinques,

Com a cabeça entre os ombros à janela.

Passa o comboio e sou informado que não é pertença de ninguém, depois que tinha sido torturado por uma alforreca qualquer, mesmo que fosse quântica, e prometo

Prometo que brevemente vou aprender QuisKit, prometo.

Dir *. *

Cd:\ cd noite

Noite o era, depois o foi, depois

As dunas envergonhadas, junto ao rio, parecendo também elas alforrecas, ou viúvas negras

Ou apenas tristes jangadas de pedra, salgada, à janela de uma lâmina de barbear, a destreza inversa, ouvida e escrita,

Sai um Qubit para a mesa seis e pendura na conta,

Sempre aflito o aflito do quântico, e romântico

O Cândido, que foi mecânico e que foi amigo do meu pai, era magrinho e com óculos, que na altura se usavam, alguns, apenas como adorno

Em osso as hastes grossas,

Um elefanta hesita

Vou, não vou, e levita

Não foi.

É sono quase dia, quase noite quântica, quase noite sonâmbula na voz de um qubit, quase ele

Também alforreca, ou apenas

Uma janela para o mar.

 

09/07
22:53

A constante de ti

À razão inversa do foder

Imaginado no espaço tridimensional da vagina

Quando a integral tripla do ser

Não é mais do que a luz de uma lamparina

 

Que para uns era corpuscular

E que para outros

Ondulatório

E hoje é considerada de dual

 

Que giro

Umas vezes é partícula

Outras vezes é onda

E amanhã será qualquer coisa comestível

 

À razão inversa do foder,

 

Amanhã abrem as piscinas

Ultimamente tenho feito alguns exercícios muito práticos

Um deles consiste em aplicar uma força no centro de massa do meu corpo, de igual modo do que a força da gravidade mas em sentido contrário

E conto

E conto

E fico sem ar

Aflito

Penso

E se continuar com esta força aplicada no meu centro de massa?

 

E me ergo, e percebo

Que à razão inversa do foder

Existe uma constante, de valor igual a trinta e três vírgula zero cinco metros por segundo ao quadrado,

Nada mais

Nada menos,

 

Do que a constante de ti.

 

(e que o cúmulo da paciência é um elefante ir ao cu a uma formiga, à noite)

 

09/07
20:44

Há estrelas que nunca morrem