22 setembro 2026

Monte da cunha

Estava eu a fumar um cigarro nas escadas,

para enganar a fome e o tempo,

olho para o meu lado esquerdo, e

milagre.

Ao invés da luz que todas as noites, via, via repetidamente,

no cimo do monte da cunha,

hoje,

sim, a luz hoje transformou-se em árvore,

tinha muitas,

muitas luzinhas,

de muitas cores, e

acendiam. E apagavam.

 

Mas todos ou quase todos, o sabemos, que

(+) + (+), dá merda.

Que (+) + (-), é bom

muito bom, só se eu

 

Eu.

E se eu, - (+) + (+)?

 

Estava eu a fumar um cigarro nas escadas,

para enganar a fome e o tempo,

e o silêncio, e a negra luz, da saudade…

Abro o kamasutra, e

Nada.

 

22/09
22:15

Amanhã, não sei se haverá, amanhã

Amanhã, não sei se haverá,

Amanhã.

Amanhã mais uma colonoscopia, e retirada de coisinhas,

Sem, sem anestesia,

Não é a primeira, nem será 

A última, eu o espero.

Depois, comer.

Porque ainda não são, não são 

22 horas, de nem o sono, muito menos,

Comer.

Se eu pudesse comer agora alguma coisa, o que comia eu?

Os teus lábios, obviamente.


Obviamente. Amanhã,

Amanhã talvez me digas, eu amo-te.

Amanhã talvez encontre outro trabalho, menos esforço,

E,

E mais, cabeça.

Quanto a esforços, esforços,

São tantos, eles,

O transverso e o de corte e o momento 

Flector, máximo,

A tensão máxima, o deslocamento,

Máximo.

Depois, o colapso e a carga de colapso.


Sento-me na cama, oiço o oceano pacífico, on line,

Escrevo merdas numa coisa electrónica, e gira.

E imagino-te, nua, de cabeça encostada 

Ao meu peito, quase vento,

Se amanhã, não sei se haverá, amanhã.


(que Deus é bom homem e paga bem a quem o serve. Dizem.)


22/09

21:47

Que coisa estranha, o teu corpo, minha querida...

O teu nome

Escreve o teu nome no meu corpo sofrido, 

Cansado, e triste.

Escreve nos meus lábios 

O teu secreto desejo, em me desejar 

Na escuridão de um olhar.

Escreve na minha mão sonolenta 

O verbo, amar: 

Eu amo-te.

Tu amas-me.

Eles amam-se.

Nós amamo-nos.


Mas escreve, nem que escrevas o verbo 

Odiar;


Tu me odeias.

Eu não te odeio.


Como posso eu te odiar,

Se tu, meu amor,

És o meu sonhar.


22/09

14:09

Salgado mar

Na corrente crepuscular

do meu corpo tenho o salgado mar,

o veneno que me olhou, ao nascer

e hoje não é mais do que um cadáver de insónia.

 

Como eu preciso tanto da tua voz, meu amor…!

 

22/09
11:55