14 fevereiro 2026

Enquanto leio, pincelo o teu olhar 

Com sementes de amar,


Porque o amar é uma seara de desejo 

Que te deseja e beijo, 

Enquanto leio a fogueira do teu olhar.

Ama e fode

(Luiz Pacheco)

pertenço aos teus braços

pertenço aos teus braços, hoje balanço

como o vento selvagem, nos teus braços

hoje venço medos e cansaços

e nas palavras eu danço

 

semeando o teu corpo com palavras

com as palavras semeadas

que são primaveras amadas

nas palavras e nas madrugadas

 

pertenço aos teus braços, e hoje canto

sobre os embondeiros da minha meninice

que às vezes tanto era o vento

 

que o capim saltitava como uma criança mimada

que pertenço aos teus braços, até que a velhice

me vença e depois eu seja mar e mais nada.

 

14/02/2026, 15:00

desejar-te dentro do poema

desejar-te quando a noite poisa nos teus lábios

desejar-te como o luar deseja a noite

ou como o sol deseja o dia,

desejar-te dentro do poema

quando brinca na poesia,

desejar-te quando já és desejada

nas páginas de um livro

das manhãs de inverno…

desejar-te dentro deste inferno

que acorda em cada madrugada,

desejar-te enquanto és flor

semente semeada

desejar-te neste imenso mar

onde habitam as minhas palavras

onde morre a minha dor

onde escondo as lágrimas de chorar.

13 fevereiro 2026

e havia faúlhas de noz sobre um prato com terra e vento

quase que sinto o desfalecer

de um olhar, e

e depois acorda em mim a estonteante sombra

que traz o vómito, e o adocicado milagre

que quase que é noite disfarçada de uma outra mulher

 

que quase pertence ao livro que deitei

na fogueira, quando o meu corpo estava ressacado

quando também sentia muitos vómitos, e havia faúlhas de noz

sobre um prato com terra e vento e veneno

e sabia que era dia, quando acordava no meu peito o frio suor de uma primavera sem nome

 

de uma abelha, que me gritava, que me dizia

que de nada adianta desfalecer apenas porque é dia, porque sendo noite,

eu queria

e sentia,

outras vírgulas na minha voz

 

porque choras, roda dentada e destemida roda da vida

porque são asas que o vento me leva, quando deveria trazer-me

os teus braços,

no limiar da inocência, o carrasco me leva

e sei que serei um quase, tinha

um chocolate para comermos

 

e uma aldeia para semearmos no limbo da metamorfose, quando o teu corpo

é a glândula primeira do destino, desencontrar-me

como um conjunto de pontos infinito, quando

apenas a morte é infinita, quando

apenas. a morte.

 

13/02/2026, 18:21

a espuma dos teus seios

desenho-te numa nuvem de sono

escrevo na espuma dos teus seios

e é primavera no meu silêncio

e é a chuva no teu cabelo

 

sonho-te no infinito luar nocturno

que a minha mão em delírio

procura na sinfonia dos dias

e das noites

 

nas noites em que te sonho

em noites em que te procuro

porque te desenho

porque te desejo no meu desenho

 

13/02/2026, 01:16

12 fevereiro 2026

não sei que nome te dar, se de rosa selvagem

talvez te apelide de ranhosa, de mar indomável

ou de vento bravio

que tanto corre, que corre junto à margem do rio

 

ou apenas de,

 

meu amor!

 

12/02/2026, 19:15