Cachimbo de Água
Poesia & Arte
18 setembro 2026
O fogo
Fogo que deixei na alvorada, na esquina de uma fotografia
A paixão é quase gelo, mas já nada
Pertence a me pertencer, que de
Nada eu preciso, nem da vida,
Nem do viver.
Já amordaçada estava a luz do mar, no toque do orvalho
Também não sei como foi gente, tanta gente
Alvoroço, o frio e o beijar no calor
De um olhar, no silêncio de um livro.
E este fogo por mim semeado, por
Mim desejado, é o vértice anónimo
De uma mágoa de brincar, anoitece em mim
Como se uma flor acabasse de morrer.
17/09
13:47
O rebanho
Cada degrau, o vencido
é letra de canhão, é
ponte pedonal
na têmpora deitada sobre
a geada,
cada degrau, vencido, o
é a migalha que a água
traz na mão, a
dita e veredita, noite
dos inocentes, o soalho
é a apendicite, aguda, da
malvadez, canina
ovina, ou caprina;
o rebanho.
18/09
01:36
17 setembro 2026
Lua
Estava o sol
Cansado de amar a lua,
E aos poucos cansou-se de sonhar
Com a lua,
E numa bela noite, o sol
Acordou, e pensou:
Que se foda a lua.
17/07
23:23
