16 agosto 2026

TeleCenteio

TeleCenteio aqui nos seios da seara,

Que nossa senhora o proteja, do calor

E

Do frio

E searas outras, alheias

 

TeleCenteio na esquina da luz, truz

Caiu

E que se

Fodeu,

 

Das vinte e quatro quase horas, TeleCenteio.

 

16/08
19:48

São horas, acordam os candeeiros cá de casa, são horas, horas rapinas, horas quando em o eram Criança,

São horas, acordam os candeeiros cá de casa, são horas, horas rapinas, horas quando em o eram

Criança,

Serem bombeiros, imbondeiros

E até

Um dia,

Foi, ou quis

Quis ou foi,

Cacilheiro

 

Não foi padeiro ou tantas outras coisas que não foi,

Que quase tudo que foi, ser mais profissões

Terminadas

Em

EIRO

 

Foi poeta, é pateta, subiu às árvores, e nunca será um pássaro, um móvel envergando asas, que transporta na mão,

Cinzas,

E alguma brasas

 

São horas.

 

16/08
19:33

Já ninguém semeia estrelas no meu olhar

Já ninguém semeia estrelas no meu olhar, já ninguém lança

Beijos às flores do meu jardim

Já ninguém lê o meu escrever

Já ninguém quer saber

 

De mim

 

Já ninguém sabe o nome do meu rio, já ninguém

Vive no meu sonhar, em meu frio

Já ninguém sabe, o nome, da primeira lágrima

Do meu chorar

 

Já ninguém sabe, o nome daquele mar.

 

16/08
19:24

Charrua

Cada charrua engasgada na sagrada

Terra lavrada,

Cada charrua, branca, e triste

E cansada

 

Cada charrua, aprisionada

E que sem o saber, já não é charrua

E

Nem é nada

 

Cada charrua, dorida

E ferida

Sem terra para lavrar

Na tarde em seu silenciar

 

16/08
15:08

Ofício de amar – AL Berto

já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras
[galáxias, e
[o remorso

um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo

 

(Al Berto)