Acordava sentada sobre o
veneno da geada
Sabia que eram escassas
as migalhas
E eram lamentos
Os alimentos
E as esquecidas limalhas
E os aquecidos meteoros
nos milhafres em ausência
As oliveiras e o centeio
O milho
A lavra quase safada
Na safadinha lua em luar
Que nós sentimos o vento
entre os parêntesis curvos
Na sombra curvatura quase
fruta calibrada e madrasta
Que a equação está quase
resolvida
E que a solução
É uma noite perfeita e perdida
Que sente e sente a
despedida
Em cada dia em cada
mobília já sonolenta
Entre o eu e o eu
Que não sabe distinguir o
veio do trigo
E de trigo estão eles
conversados
Acordava sentada sobre o
veneno da geada
Sabia que eram escassas
as migalhas
E trazia na saia
A sábia andorinha de luz
Que quando acordava
sentia-se ventrada e amada
03/06
22:47