17 setembro 2026

Babilónia

Babilónia, qualquer coisa

que me recorda a visão sonora da tempestade,

em direcção, ao abismo, do sincero

amanhecer diurno, e saturno, e além-mar

dança, o vento, dança

babilónia, qualquer coisa

que me recorda, um livro em lágrimas

qualquer coisa, além-mar, as cartas ao léu

no purgatório, ou no céu.

 

Babilónia, qualquer coisa acorrentada

e amordaçada, aos lábios, e sábios

adamastores da nação, uma espada, em cada mão

e na boca, o cigarro suspira, vomita o ardume nocturno

da maré quase, quase azoto

qualquer coisa, longe

além-mar, ao léu

as cartas,

ou apenas um álbum musical.

 

17/09
00:53

16 setembro 2026

Vindima

É vindima nos teus seios,

Cada folha, quase outonal, na cor

E no perfume,

 

A água que brota deles, fresca, na minha boca

É como o acordar, no Inverno, e

Escancarar a janela,

Olhar o mar,

 

E sentir a vindima dos teus seios,

Da uva milenar, e do rio, ao longe, me olhando

É vindima nos teus seios, os teus seios, chorando.

 

16/09
20:50

Paixão Geométrica

É da tua voz difusa que os traços de suor

acordam nas pétalas loucas que os poetas inventam

misturam-se nos teus lábios (sem que eu saiba se são doces ou amargos) sílabas

de água perdidas entre rochas e árvores de candeias

à luz semeada pelo diáfano silêncio dos desertos cansados da tua boca,

 

Há dias que não percebo esta solidão de areia

que o vento levita das pequenas junções das lajes de granito da eira de Carvalhais

e no entanto

acompanha-me no melódico sorriso do melro alegremente,

penso eu (apaixonado) porque faz balançar os pinheiros dos sonhos,

 

Atravessas a cidade sobre o arame da saudade

e deixas cair sobre mim

as madeixas de papel que se desprendem do teu cabelo revoltado

com palavras misturas-lhe palavras em constante equilíbrio

e sofrimento de dor,

 

Inventas o rio para me alegrares

mas até isso me entristece como me entristecem as amarras de aço

que prendem os barcos apodrecidos

(também eles de aço)

a um cais de desassossego que tu dizes ser meu quando nasci das finas cordas que as gaivotas engolem,

 

Apetece-me subir ao andar superior onde habitam os gemidos da tua voz

que definem os traços de suor

que a pobre ardósia escreve construindo a geometria do amor

Dois quadrados podem ou não podem apaixonar-se um pelo outro?

E dois triângulos de Luz?

SAMBA PA TI - SANTANA

A cabeça é um mar de gente

A cabeça é um mar de gente

a cabeça dissolve-se no instinto

e extinto, orvalho

que a noite semeou nos teus seios, era

sábado de um qualquer outubro, porque

setembro, setembro não o era, porque odeio-o.

 

A cabeça é uma espada, é um pedaço de nuvem, em

alegre, e em tarsite, acordar

que cada barco seja uma janela,

e

e

e que cada janela, não seja mais

nem menos, do que a insignificância; a tua.

 

16/09
14:49