cachimbo de água
poesia & arte
06 abril 2026
entrava na escuridão, apagava a luz e sentava-se numa cadeira inventada
entrava na escuridão,
apagava a luz
e sentava-se numa cadeira
inventada
às vezes, tão cansada,
ela, a cadeira
que eu com pena dela, nem
me sentava
e ficava à janela
a ver o barco das seis da
manhã
às vezes, que tantas
vezes, eu me olhava
no espelho vestido de
noite, e sentia, no olhar dele
a melodia de um sorriso,
tão fino e tão belo
como o luar, ou até como
uma jarra com flores
sobre uma lápide de
desejo
que também vivia na
escuridão
anos mais tarde, acendeu
a luz
e a rua que lhe
pertenceu, deixou de lhe pertencer
e hoje, nem rua é, nem
ele o é
é sempre dia, é sempre no
beijo
que enquanto houve
escuridão
ele se venceu, e eu, e eu
me esqueci de viver
06/04/2026, 06:01
05 abril 2026
tanto que eu preciso, de ti
tanto que eu preciso, de
ti
que não percebo este
querer, te querer
apenas te olhar, que
sinto o silêncio
como que se o vento fosse
mansinho
ou o sorriso de uma
criança
que o tempo urge, e se
ergue
deste meu pulso que não
existe
que este relógio que não
tenho, e que não o uso
parece a loucura de uma
árvore
desenhada na terra
semeada na luz de um
olhar
que me olha, e aprisiona
e teima, em me rejeitar
05/04/2026, 09:38

