02 março 2026

A viagem

A viagem quase a começar, do outro lado do sol, me espera a saudade

Pouca coisa eu levarei, não preciso de nada, nada

Sabendo que existem árvores parvas, e pássaros vestidos de árvore, que não são parvos, como elas

E como eles, quando acorda o sangue no silêncio de uma veia

 

02/03/2026, 21:26

frágil

tão frágeis, meu amor, tão frágeis são as tuas mãos

que parecem as páginas de um livro, o meu livro

que nele escrevo, que às vezes apenas o olho

e nada nele escrevo

 

tão frágil, meu amor, tão frágil parece ser o teu corpo

quando a noite é uma lágrima de luz, e se eu tocasse

o teu corpo, que parece frágil, a primavera vestia-se de luar

e cada palavra minha era a madrugada

 

no teu sonhar, eu te amar, tão frágil, meu amor, o teu sorrir

e o teu viver, que às vezes até acredito que estou louco, e que nunca vi o sorriso do mar, e que é tão pouco

no pouco meu destino, sentir a tua mão

 

02/03/2026, 05:25

01 março 2026

teus olhos em dor

é pedra, pedra na desejada água

é o odor teu, teus olhos em dor

que a tua mão me afoguenta, que a tua mão

lança contra mim a maldição

 

01/03/2026, 19:54

estrela

em pleno voo sobre as cidades da ausência

esta mão poisada nos teus lábios

e enquanto procuro o amanhecer do silêncio

há uma estrela que me guia para esta caminhada,

 

há-de regressar a alegria ao teu cabelo de oiro

jóia da manhã dos primeiros olhares

que deixou a noite

junto ao sorriso,

 

em pleno voo

da cidade esculpida pelo desejo

que a solidão se disfarce de flor

e a flor se deite na tua doce boca,

 

depois

abraço-te e sinto o teu corpo

(que o vento o quer levar)

e sinto o teu corpo em pedacinhos de sono

desprovido das leis da gravidade e de todas as leis da física…

e abraço-te enquanto o universo se esquece de nós.

 

Alijó, 22/01/2023

Francisco

(inédito)