25 março 2026

O que dizem os teus olhos

O que dizem os teus olhos, que não me canso de te perguntar

Talvez nada me queiram dizer

Talvez seja só o meu sonhar

E o desejo de te querer

Mas, adorava saber o que dizem os teus olhos!


25/03/2026, 12:29

 

incendiar o teu sorrir quando a noite, a noite

incendiar o teu sorrir quando a noite, a noite

é a página de uma estrela, de um outro lugar

que eu te pertenço, que o sinto enquanto o amar

se despe, e se deita

 

e se entranha dentro de ti, incendiar o teu sorrir

sabendo que a primavera do teu cabelo, espera a minha mão

que será o vento, e o teu desejar

que transforma o sono de um outro lugar

 

em viagem em contramão, te tocar

e acariciar os teus lábios, e dos meus lábios

saberás a cor de cada poema, na tela dos teus seios

ou simplesmente, tu, deitada, nua, sobre uma cama de espuma

 

talvez cansada, exausta, com medo da escuridão

e de mim, e de mim

que vou incendiar o teu sorrir quando a noite, a noite

é a página de uma estrela

 

Alijó, 25/03/2026, 06:41

24 março 2026

Samba para você

Samba para você, deusa da última figueira que ficou sentada no silêncio dos olhos do mar,

Se eu soubesse, a que horas é o pincelar da tua voz nos lábios do vento,

Eu abria a janela, chamava todos os barcos que ainda ontem eram a tarde no toque de uma fotografia,

E dizia a todos os pássaros e passageiros deste navio, que

Por um fio, o rio


Será o esconderijo do meu navio, naufragado

Samba para você, meu amor, que o sono é uma seara de desejo que não tem remetente, e ele sofre

E ele mente, e a chuva será a primavera

Da primeira pedra, lançada na flor do teu sexo

Semente, socalcos entre os teus seios,

Vértice do atlântico salgado, não

Ainda não terminou o circo


24/03/2026, 22:25

Princesa do luar

O que ainda está vivo, o que sobrou do mar

Onde rabisquei os meus poemas acreditando

Que, ainda assim, mas

A tarde desceu ao rés-do-chão e a luz já estava sentada na tua mão

Depois, a água da última sílaba quase espuma


Depois, a minha língua de tinta saboreando a tua pele

E cada letra escrita em ti e

Apenas para ti, e não sei o que ainda está vivo, o que sobrou do mar

No mar onde te escondes, princesa do luar

Que seduz o fogo que deixei no silêncio dos teus olhos


24/03/2026, 21:47

e imagino os teus seios, sobre o meu peito em busca da minha boca, faminta

 

a música, calma

com alma, na ardente viagem

as águas estão tão límpidas, serenas

como estão os ramos das árvores, que quase

não se mexem, que quase

dormem

 

e as palavras fluem como pedacinhos de chocolate, em pequeninas rotações, dentro da boca

e sinto a tua língua e o pequenino quadradinho de chocolate

na esfinge manhã do meu silêncio

e mesmo assim, a música encanta-me

e imagino os teus seios, sobre o meu peito

em busca da minha boca, faminta

 

Alijó, 24/03/2026, 18:44

desenho de francisco fontinha