20 agosto 2026

Insónia,

O verso quase que nasce

no infinito, mergulha na voz distante

e procura na montanha,

o sítio, o ermo e o cramo

e a churra mil vezes, o peso

da terra, e da escuridão da rua

 

20/08
04:02

Inferno

Não serás mais poema, não serás

a chuva horizontal sobre o fio rio

que transporta no olhar

o medo, o cansaço de ser

poema, e inverno

depois, veneno

e inferno.

 

20/08
03:50

Quase que não respiro, não penso e existo

Penso que já não existo, penso

penso que a rua é apenas um lugar, um nome

sem nome,
às vezes

penso que já pensei, às vezes, eu pensava

que um dia, não precisava, mais

de pensar,

 

nem de existir.

 

20/08
00:52

19 agosto 2026

Não preciso, mais do sol

Não preciso, mais do sol

não preciso, mais em precisar

não preciso mais do sol

nem do sorriso do mar,

 

Não preciso, mais do escrever

nem preciso, mais de sonhar

não preciso mais do escrever

nem do luar,

 

Não preciso, mais do sol

não preciso, mais em precisar

não preciso mais do mar

e do sol não vou mais precisar.

 

19:08
21:51

Ao som da flauta, oiço o miar da lua

Ao som da flauta, oiço o miar

da lua,

ao vento, e ao relento

o desleixado do vento

 

Que enquanto se delícia com

o som da flauta,

que enquanto ouve o miar

do miau, vestido de chuva

 

Cresce na lezíria a charrua, veloz

mente,

velozmente, em fuga

em fogo, como o silêncio da rua.

 

19:08
19:23


Não é fácil recomeçar, mas vale sempre a pena.