11 maio 2026

Era só

Era só um verso, foi só uma estrela invisível

Era só uma janela partida, um rio em fúria

Foi a tempestade e foi o cansaço

Da triste e fria noite,

 

Era só um poema, depois foi o vento

Desejo, a cama

Era só a miséria alheia e indesejada

Foi a lua e foi a dor e hoje já não é nada,

 

Foi a estrada, era só um verso

E uma calçada, era só um caderninho vestido de silêncio

Era a rua despida e nua, era só a vírgula descalça

Subindo a primeira sílaba do amanhecer,

 

Se sentando à sombra de uma mangueira, era só

O destino de uma nuvem, e foi depois o motor

E a deflexão de uma mão, em mão

O sorriso de uma flor.

 

Francisco

11/05
05:16

10 maio 2026

Fim do eu

É o fim do eu

Não sei como se chama a tarde

A árvore que sobrou

É também quase luz

Destino

É o fim do eu

Do eu que sou

Não sei se é dia

Noite de mim

É o fim do eu

É o não ou poderá ser o sim

Do eu que sou

No eu que sobrou

Deste fim

Fim que eu sou

É o fim do eu

Não sei como se chama este livro

Deveria eu o saber? Claro que não

Do não do meu sim

Do fim em eu te escrever

É o fim do eu

No sim do meu saber.


Francisco

10/05

22:00


Não mais

Não mais te sonharei
Não sonhar mais eu te sonhar
Não mais te escreverei
Não escrever mais eu te escrever,

Não mais te pensarei
Não pensar mais eu te pensar
Não mais te desejarei
Não desejar mais eu te desejar.

Francisco
10/05
21:47

Não sonhar mais haverá não sentindo

Não sonhar mais haverá não sentindo

O frio distante da despedida

Não mais te querer

Na falsa primavera de uma mentira,


Não sonhar mais haverá não sentindo

O teu olhar e a tua voz

A tua boca e os teus lábios de mel

Não sonhar mais eu te sonhar.


Francisco

10/05

19:28

No tempo tudo é esquecer

E eu com tempo

Também te vou esquecer.

Há-de nascer em mim a estrela da morte

Há-de nascer em mim a estrela da morte

Perdura e incentiva a distância ao cubo de néon

Que me transportará ao outro mar

Deste destino de o ser,

 

O ser descer a triste vanidade do alguém o sentir

E ver

E correr

E morrer,

 

E nascer sabendo que amanhã não o serei

Ser

E ter

Outra viagem ao sol,

 

Outra vontade de vencer

Há-de nascer em mim a estrela da morte

Aquela colorida estrela

De te esquecer.

 

Francisco

10/05
14:38

Nunca é tarde

Nunca é tarde para amar

A tarde

E o mar,

 

Nunca é tarde para sonhar

A tarde

E o luar,

 

Nunca é tarde para desejar

Te desejar

E amar

 

Francisco

10/05

09:54