16 março 2026

o que será, o abstracto medo de te pertencer

o que será, o abstracto medo de te pertencer

e caminhar junto às cascatas, dizer-te

o dizer, que a serpente é apenas o outro lado da lua

no veneno, e na esperança

de também o ser, de também

ter sido criança

 

o que será, se hoje acordar, em ti, o desejar

vencer a corrida, e se erguer perante a divindade

de saber, que o destino, e que o perigo, de ter

de não ter conseguido, também o ser

também procurar em ti, um abrigo

ou até, quem sabe, um outro destino

 

que enquanto fui menino, enquanto

sentia o cheiro da erva, e do musseque que tremia de frio

dentro de mim crescia a sonolência de uma pedra, só

tão só como o são, todas as pedras, sós

no abstracto medo de te pertencer, não o sabendo

até, até o meu nome e o meu viver.

 

16/03/2026, 05:23

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