Mostrar mensagens com a etiqueta arte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta arte. Mostrar todas as mensagens

07 agosto 2026

No que pareço, eu o mereço

No que pareço, eu o mereço

a tristeza, na solidão, eu o sou

menos do que pareço

e não o mereço

o pão já cansado, no vinho, na caminha

deitado, e eu que até o pareço

não o mereço, eu pertenço

à rua e aos pássaros em contravento, ventoinhas sobre os lírios do destino, de pertencer

e de o merecer,

 

não vaidade, nunca o fui

nem o quero ser, apenas ser

o inverno mais rigoroso, temido e desventrado

na mão de um guardanapo, um velho trapo

acidentado à nascença, de merecer

que o apareço, e o aparece

sobre o limo da navalha, na boca, o chupa-chupa

e o moleque, à porta da cubata

ela fode e cospe e geme, e o tecto, que não o tem

ou o é, deixando aos poucos de o ser, como eu, o ser

em lata, na chapa quinada, no que pareço, eu o mereço

de pertencer

e de o merecer,

 

não o ser, nada

 

06/08
22:24

A charrua poisa saidamente nos seios da terra molhada, na terra semeada pelo xisto, e pela enxada

A charrua poisa saidamente nos seios da terra molhada, na terra semeada pelo xisto, e pela enxada

E às vezes a terra está queimada, às vezes

A terra está, cansada

De ser lavrada, e de tanto

De tanto ser pisada

 

Quando a noite, é noite e só

Escura a noite, na noite

Quando a terra também sente, na noite

A mão

Dormente

Longe de cada pedra lançada, e a charrua

Poisa saidamente nos seios da terra molhada, na terra

Desenhada,

Por um louco, e por uma enxada.

 

06/08
20;34

A vida, é um corpo que incendeia, é um corpo, morrendo

A vida, é um corpo que incendeia, é um corpo, morrendo

A vida, a vida vivida,

O corpo é uma pedra que não sabe voar, nem amar

E no sentir, ele também

Não o sabe

 

Saber, ele

Sonhar

 

A vida, é fodida?

Sim, e eu

E eu que o diga

 

A minha vida, vivida

Sentida na espuma mais vulgar

Da floresta, também ela, vida

Também ela, a vida vivida

Vivida, no mar

 

Também a vida, também é amar

A vida, vivida

Na vida de sonhar,

Com outra vida, e com

Outro olhar

 

No olhar da vida, na vida de caminhar

Sobre o tapete das limalhas, anteriores

A uma outra vida

Não a vida, vivida

Mas a vida, a vida sentida

E nada mais

Do que esta vida, esta vida fodida

E cansada, de voar

Sobre outras vidas, vividas, ou não vividas

Nos olhos do mar

 

Nos olhos da vida, a minha vida

 

E que vida.

 

A minha outra vida vivida e amada.

 

06/08

20:05

06 agosto 2026

Vamos falar, do passado

Vamos falar, do passado

o primeiro e velhinho (novinho) zx spectrum 48k, da sinclair

antes, disso

outras tantas e mais turvadas chuvas do verão sentindo o frio da primeira manhã, a minha

no primeiro inverno da física masturbada pelo princípio da incerteza de heisenberg, eu, incerto

a programação em basic, depois, o ms-dos, o nascer da “merda”,

do windows, e …

 

e outras tantas MERDAS, alguma, fumadas

que tantos eram nas cubatas de mão dada, vinha a chuva, sem a culpa

e a filha que vivi,

no inferno,

de ser,

nada sendo,

 

de mãos livres, o átomo abstracto e espião da noite, decide o Juiz, o escrivão, a guerra nuclear, e novamente a chuva

e de pouca saliva, restou

no último silêncio

na quase, e de nada o quase

provar que eles é que sabiam, o voar

o cair da espada, sobre a mesa

 

e no final, a sentença

 

Vamos falar, do passado.

 

06/08
23:07

Barco à vela

Até que a noite o sinta, o tigre

o leão, e a abelha é despedida do vento

quando a colmeia é o sangue menstrual da madrugada, quando o dente do sizo

e o granizo

e a aldeia dos macacos, é a primavera encantada

na sombra, e no caixão

que o corpo espera, o fogo

e o barco à vela, em mão contra.

 

Tudo desapareceu, até o céu

o silêncio do cinzento, o encardo da pele crestava e sentia

na alma diáfana do milhafre ferido, no destro

na boca do rio, da malhadeira encostada

à serpente, que mente

que diz a toda a gente, o verso

não o é, mais

a flor; ausente.

 

06/08
20:12

O cacilheiro para Almada

A pata, descalça

calçado o sapato, envernizado

descalça, a pata

põe os ovos, no sapato

e a pata

fica, calçada.

 

Sete vidas tem o miau, miau

miau

miau

miau,

au

miau, miau.

 

Ão, ão

o cão, a pata

o calçado sapato, ão.

 

O cacilheiro para Almada, é quase sapato

é espingarda, é o gato

é a espinha dorsal do pólen encurralado, dentro do sapato

a pata escorrega, cai

miau,

ão.

 

06/08
19:56

O socalco

O socalco, à enxada que escreve no xisto

cada traço, e nova viagem

uma viga alveolar no seu desistir

de continuar

de ser uma viga alveolar

na razão

e no sonhar

 

Olho-a e nada o é depois de vir, do outro lado da sombra

o socalco almejar, em brando foguear, na tristeza quando a raiz de uma pedra procura

na terra

o esconderijo da rua sem saída, sem

no socalco palmilhado, rio acima

rio enforcado

 

Viga alveolar no meu espelho em frente

ao mar, o que seria do momento flector e da tensão, e da flecha

e na espada a mão, e no olhar

o sítio mais obscuro da morte, morte

da viga alveolar

enquanto o socalco é a dor,

nas asas incandescentes do luar

 

06/08
04:17

05 agosto 2026

O poeta morreu, e leva com ele o só

O poeta morreu, e leva com ele

o só

do silêncio de uma estrela, vermelha

no último vagão

de qualquer

e anónimo

e limitada companhia

o foguetão, tão

cansado de subir, e de

descer

e depois,

 

cair no mar.

 

E claro, como o sempre.

 

Se foder.

 

Mas o poeta não quer saber, nem da bicicleta

nem do saber

nem da alvorada, morada

na invés distância

quando o chover

é nada mais

nada muito menos

 

do que uma lágrima,

 

do foder.

 

E é bem verdade que sempre (há) mais alguém, a querer

querendo, o poeta foder

 

e ele se fode, sempre.

 

E ninguém,

 

ninguém o acode.

 

O poeta morreu, e leva com ele

o só

da algibeira e da burrinha, galopando tropegamente

os atrelados de palha molhada

que o fogo alimenta

seus filhos, mais

a governanta de seus filhos.

 

E Deus.

 

05/08
22:01

Chove no vento a cara do vampiro, no tiro na bala

Chove no vento a cara do vampiro, no tiro

na bala, e a espingarda sem tempo

é enterrado puramente abstracto o poeta na vala, a cadeira a comer a sopa, sentada

sentada na sala

 

E chove no higiénico papel do cu desenhado, a vírgula abastecida de diesel, e de goiaba

as mangas já se comem lá para os lados do cubo, amansado e despejado

do quinto andar, esquerdo

e direito

ao fundo

o corredor amedrontado porque

amanhã, ou hoje

 

É sábado de Aleluia, que gritaria

na alegria, que deus esteja connosco, e não

convosco

as uvas já tiveram outro chão para dança a penugem

do ujo, e da leoa

porque o jacaré estacionado junto aos barcos, na terceira prateleira

da estante,

e sentindo

o néon em vento,

 

Na cara do vampiro.

 

Chove, chove na aldeia dos macacos.

 

05/08
21:39

É ou não o é?

É evidente, é ou não o é?

Na mão semeando o fogo 

Do dorso a noite que sonhou com o meu sonhar, na esquina do amar 

Que dorme na cama do luar, a esfinge, finge 

Galopar as palavras que o livro lança contra os meus sentimentos, de já nada sentir, e ir 

E


Sorrir.


05/08

19:16

Da invisível, e mãe, a terra ou

Da invisível, e mãe, a terra ou

o desejado desprezo que habita o silêncio de cada gotícula de sémen envenenado

mas por omissão e descuido, será o capim cinzento

o cansaço de uma mão

que escreve, e que desenha no outro muro

o destino, e

 

É dia nas ostras e nos caranguejos, é outra vida

no sentido e alma desconhecida, em vivida

a madrugada que nunca foi a madrugada

porque da noite, e sempre que chora a noite

a noite adormenta a palavra nunca escrita, e será

que a chuva é o tempo, que não sabe que o vento, e depois

da tempestade passar, hoje

o será?

 

05/08
06:16

04 agosto 2026

A semente

O peixe lavra a terra nunca sabendo onde habita a charrua que transporta nos lábios a semente de uma laranja, na rotação e da explosão que sente o percevejo ao acordar

a mulher do sonhar deixou de pertencer, não o é mais

e nunca será

o nascer

na lâmina da voz se no consagrar do vermelho pincel invisível que é a futilidade de um voraz sofrimento, olhar o cubo em rotação

 

E o peixe é agora a luz transversal que avassala e que diz

ser

o rumor de um pedaço de rocha, o aço é quase o vinagre sobre a sinfonia tristeza, na saúde, na morte

e na magreza de uma abelha poisada na solidão de uma cadeira, tão distante da alvorada

e tão burra, e tão estúpida

como o é

uma cadeira, sentada

 

E do peixe lavrador, e da malvadez de um olhar, o peixe nunca saberá o destino sino na igreja que o quebra-cabeças do amor

é a árvore sediada e sitiada

na lágrima e na dor

de alguém que mente, nas asas de uma alforreca assalariada

porque a noite é apenas o verniz uniforme na ausência e na fome

quando o polvo se abraça ao espelho, e à janela do ontem

as sílabas envergonhadas na palavra errada, que nunca deveria ter pertencido ao meu sonhar.

 

04/08
04:15

03 agosto 2026

O vazio

No vazio a chuva e na floresta em festa sempre que se abre a clarabóia da razão, o gato no seu miar e infeliz tristeza

o sítio está lá e cá, à porta do cemitério as almas são aprisionadas

pela mão da enxada, quando o caixão se ergue, e de lá

uma corda sente o odor da morte

 

O corpo já não pertence ao corpo, que outrora foi só

o milhafre negro e na pelugem a migalha nuvem de assombrar

às vezes o primeiro e abstracto luar, traz

os finíssimos grãos de areia à espada

 

O semear e da charrua o ventre desventrado de uma aldeia em cio

na pedra lapidada, nos confins do silêncio

e na minha mão o louro e artefacto do corpo sem nome, amanhã

quando o remetente da carta assombrada trouxer à minha morada

 

O verniz de um sonho impossível e sem sentido, caminhar sobre o mar

eu vestido de barco, eu o sonâmbulo nocturno da inferioridade humana, quase lágrima em chama

quase ninguém, eu o zé-ninguém cá do sítio, e o que diria homero, de mim, de mim

 

03/08
22:25

O camelo

Atroz,

e tão veloz

o camelo engravatado, era apenas o cinzeiro sobre a mortalha, lá dentro

jazia o corpo da solidão, e de tão veloz

e atroz

o desgraçado do pão.

 

Eram gritos de sofrer, na voz camuflada da ausência e do milagre avinhado,

solta-se o tempo, parte o relógio na procura do guarda-chuva do vento,

e se sentava

na soleira do primeiro destino

da madrugada.

 

Atroz,

e tão veloz o camelo adinheirado, e de tão aprumado

nos confins da maresia ensanguentada

vivida, e cansada

do limite da merda

quando a estupidez tende para o infinito.

 

03/08
19:45

Quem és

O que queres tu de mim

E precisas

No precisar

E no querer.

 

Quem és

O que desejas

E tens,

 

Para me dar?

 

03(08
01:52

A voz

Da voz a despedida e sisuda palavra que na mão em pétala luar

semeia na sanzala a colmeia e a paixão, que se dissipa pelas frestas de uma canção

quando o grito é o silêncio em fuga, e depois o malmequer

já não me quer, já não pertence às páginas do livro que escrevo.

 

Dua pedras na vagina mão que só a solidão consegue ocultar da tela, o triste ser

no grandioso e no dissipo almejar

na esfera o cosmos e o luar

nada pertenceu ao meu acordar.

 

A voz que morreu na penumbra mendigue e no caminhar

a floresta verga e vesga e atolada de

pássaros e de orfeões na madeixa que no prato

aleijam e cintilam como um rio sem nome.

 

Em fuga e na áurea perdiz que a abelha esconde nas asas

esta voz tão distante

e tão medrosa e na atroz coragem e na covardia

de escrever nos meus olhos – amo-te.

 

03/08
01:47

02 agosto 2026

O moleque nas sais da alvorada

Dançava o moleque nas sais da alvorada, madrasta

sapiente e em vergonha no seu caminhar, ser

a dança que mais não vai dançar

que mais não vai ter

 

Em si e no corpo, na sombra e na algazarra de um olhar

o ventre jesus, o jesus alimento

e da espada a mordaz

e o sofrimento

 

Da porta por abrir, e dançava nas sais da alvorada

o moleque e a madrasta da vida, e no vergonhar silêncio

o pertencer às masmorras da ausência, e partir

e deixar na escuridão a vontade de sonhar.

 

02/08
18:42

Pássaro

Sou apenas um pássaro que é parvo, que sentado se ausenta 

Da chuva e do vento de uma lágrima de amar 

Em tanto eu te amar,


Para o nada do meu nada, na dor e no sofrimento.


02/08

16:15