No que pareço, eu o
mereço
a tristeza, na solidão,
eu o sou
menos do que pareço
e não o mereço
o pão já cansado, no
vinho, na caminha
deitado, e eu que até o
pareço
não o mereço, eu pertenço
à rua e aos pássaros em
contravento, ventoinhas sobre os lírios do destino, de pertencer
e de o merecer,
não vaidade, nunca o fui
nem o quero ser, apenas
ser
o inverno mais rigoroso, temido
e desventrado
na mão de um guardanapo, um
velho trapo
acidentado à nascença, de
merecer
que o apareço, e o
aparece
sobre o limo da navalha,
na boca, o chupa-chupa
e o moleque, à porta da
cubata
ela fode e cospe e geme,
e o tecto, que não o tem
ou o é, deixando aos
poucos de o ser, como eu, o ser
em lata, na chapa quinada,
no que pareço, eu o mereço
de pertencer
e de o merecer,
não o ser, nada
06/08
22:24

