Há sítios que nos fazem
esquecer outros sítios…
são tantas as pedras que me apedrejam
são tantas as árvores que tombam com o vento
são tantas as sombras que me aleijam
e me roubam do teu pensamento
são tantos os pássaros que me infernam
são tantas as lágrimas do meu olhar
são tantas as tempestades que me atormentam
no doce silêncio do mar
São marés de espuma
são as ausências do meu
corpo
são as flores do teu
cabelo
quando o mar me pertence
e só meu
escondo-o na mão.
São estrelas, são
feitiços os teus lábios
são presépios de luz
sobre os plátanos da
avenida…
São o pôr-do-sol os teus
olhos
que se afastam dos meus
olhos
quando o dia é Primavera.
quão mágico é um rio de sofrer
que abraça os teus olhos de mar
quão mágico é saber
que nos teus lábios brinca o luar
quão mágicas devem ser as tuas
madrugadas
entre a luz e a escuridão
mergulhada nas palavras
e na solidão
quão mágico é um rio de sofrer
quando o mar está tão perto
e não é certo
que consiga lá chegar
quão mágico é este rio amar
na ponta dos meus dedos escrever
São muito mais, os
soldados do meu presépio, são muito poucos aqueles que vêem a minha sombra mergulhada
na azafama de uma noite que cresce desalinhada com o horário de um relógio.
São tão poucos, aqueles
que me conhecem
são tão tristes, os meus
minutos.
São tão espingardas, os
soldados do meu presépio, dos muito mais homens e mulheres
afogados no rio
São muitos os cadáveres
que transporto no olhar…
São muito poucos, aqueles
que me gritam, são muito tão muito aqueles que me desejam
também afogado no rio.