O poeta contempla a paisagem deslumbrante do Douro.
23 janeiro 2025
16 dezembro 2024
Nesta mais bela tarde no silêncio Douro!
A tarde desenha-se nos olhos socalcos pássaros do Douro, os nossos olhares cruzam-se neste silêncio infinito que esta paisagem deixa em nós.
Tu és apaixonada por esta terra por este rio...
Eu também um apaixonado pelo Douro e pelo silêncio desta paisagem deslumbrante e imensa que às vezes até parece o sorriso de uma criança.
As quedas de água que tanto adoras que tanto amas, eu os barcos e os pássaros e os encantos e os cheiros,
Sou quase sol também nos teus olhos que agora são duas estrelas que escondem a lua,
E me dás a mão como se eu fosse uma fotografia selvagem que voa a cada teu desejo, em cada teu beijo
Nesta mais bela tarde no silêncio Douro!
09 novembro 2024
Douro de amar
Oiço o teu sorriso no silêncio de uma árvore
É tarde
Meu amor
É tarde para sonhar
É tarde
É tarde para desenhar
Outro mar
Outro olhar
Outro luar
É tarde
Meu amor
É tarde para semear
Para viver
Tarde
É tarde no teu olhar
Como também é tarde
Este viver
Este sonhar
É tarde
É tão tarde a noite ao regressar
É tarde
É tarde para ouvir os pássaros
No Douro de amar.
26 agosto 2024
Este fim-de-semana, no sábado à noite, eu
e a Cristina, fomos a S. Mamede de Ribatua à festa das vindimas.
Ao chegar ao jardim das laranjeiras
deparei-me com uma pequena construção que está a ser edificada no local, e ao
encontrar-me com o senhor Presidente da Junta (Mário Vaz), de quem sou amigo, questionei-o
para que serviria no futuro aquele espaço.
Explicou-me que seria uma esplanada de
apoio aos residentes e turistas que visitem o jardim e S. Mamede de Ribatua e que
também funcionará como posto de turismo; ora aqui está uma excelente ideia.
Em S. Mamede de Ribatua o turista poderá
sempre visitar a aldeia que é lindíssima, poderá ir ao miradouro do Ujo, que é
deslumbrante sobre o rio Tua ou fazer o trilho das fragas más.
Uma excelente ideia que poderia ser
executada no espaço circundante ao plátano de Alijó (árvore grande).
Mas ideias para quê? Se desde que o PPD/PSD-CDS-PP chegou ao poder nunca mais abriu o Auditório Municipal… e a cultura é apenas um nome.
Estranho é que o Canil Municipal já tenha
o seu quadro de pessoal em funcionamento e colocado…, mas os cães, são cada vez
mais nas ruas de Alijó.
Depois, depois dizem que o poeta é
maluco.
douro
só
este rio que me abraça
deste rio sem frio
só e sem barcaça
só
este rio que me ilumina
estes socalcos destemidos
este rio que me ensina
e me transmite pequenos gemidos
este rio
que é ou douro património mundial
este rio em fúria
nas páginas de um jornal
meu douro em cio,
meu douro que não há igual.
08 abril 2024
25 março 2024
O Douro deslumbrante
É tudo o que tenho para oferecer aos meus leitores,
algumas palavras e imagens de uma das regiões mais lindas de Portugal; o Douro.
(Francisco)
21 março 2024
20 março 2024
Miradouro
Futuro miradouro a
construir numa quinta no Douro, Castedo do Douro, Alijó.
Será constituído por
perfis metálicos (IPE) e ficará em frente ao rio Douro.
Terá nas proximidades uma
mesa para piqueniques e um baloiço.
A parte estrutural está a
ser feita por mim no programa Cype 2024.
Dono da obra: José Carlos
Sousa Pimentel.
(Francisco, quase
engenheiro)
17 março 2024
Douro...
Tens uma flor de silêncio
no cabelo
que acorda à meia-noite
quando as outras todas
flores
escrevem poesia nos teus
olhos.
(Francisco)
Barco
Há sempre um barco que nos transporta para o sonho nocturno das palavras, há sempre um barco que nos transforma em homem-pássaro-feliz.
Bem hajam os teus olhos e
o teu cabelo.
Há sempre um barco nos
teus lábios…
(Francisco)
Rio Douro
silêncio de pássaros,
eu voava sobre este rio,
eu deixava tudo, tudo,
por este rio;
este rio são os teus
olhos…
(Francisco)
20 fevereiro 2024
Magia
Há sítios tão mágicos que a própria magia desconhece...! Cada fotografia, cada paisagem, é um poema.
É tão belo o nosso Douro!
29 janeiro 2023
Destino menino
Um pedaço de mim,
É o vento que vagueia
sobre o mar,
Outro pedacinho,
Muito mais pequeno de que
o pedaço que vagueia sobre o mar,
Que também me pertence,
Dorme nos lábios do luar,
Numa das mãos, na minha
mão esquerda,
Brinca uma criança mimada…
Na minha outra mão,
Cresce uma flor,
Em papel crepe,
E se eu pedir à madrugada
As palavras semeadas,
A madrugada não me dará nada,
Pelo contrário,
A madrugada dar-me-á as
palavras envenenadas,
Que da minha mão esquerda,
A criança mimada,
Lança ao meu olhar,
Um pedaço de mim,
É xisto que dança nos
socalcos do Douro adormecido,
Um pedaço,
Um pedaço de mim…
Que eu transportava sobre
o meu corpo dorido,
Agora, em todos os meus
pedacinhos,
Há um rio rectilíneo,
Sem curvas,
Sem medo…
O medo do destino,
De ser o eterno menino.
Alijó, 29/01/2023
Francisco Luís Fontinha
07 dezembro 2022
Call Center
Sabes
Meu amor
Um dia morrerá a
árvore grande
O nosso
centenário plátano
Em seu lugar
Um dia
Será plantado um
call center
Provavelmente
Para venderem
garrafas de vinho
Ou bilhetes de
cruzeiro
Tínhamos a fogueira
de Natal
Não vamos ter
fogueira de Natal
Um dia
Meu amor
A nossa terra
A nossa querida
terra
Será apenas um couto
de caça.
Alijó,
07/12/2022
Francisco Luís
Fontinha
19 agosto 2022
Fotografia abstracta
Não
posso mais, doutor,
São
estas palavras,
São
estes rios,
São
outros mares,
São
outros corpos possuídos,
Doutor,
Enquanto
escrevo, morrem pessoas,
Enquanto
durmo, nascem crianças,
Enquanto
pinto,
Embebedam-se
criaturas, poetas e putas,
Doutor…
E
a música, doutor?
O
que tem a música!
Tem
dentro dela o silêncio,
Tem
a alvorada,
Tem
o medo e o sonho,
E
não tem nada.
Doutor.
Percebe
agora?
Porque
voar é fácil,
Porque
dormir é canseira,
Porque
sonhar é uma merda,
Uma
merda junto à lareira.
Não
posso mais, doutor,
São
as equações,
São
estas tristes fotografias,
São
as lápides,
São
as flores,
Doutor?
Ainda aí está? Junto à árvore?
É
a chuva lá fora,
São
as acácias a morrer,
São
as palavras,
São
os ossos a correr.
Porquê,
doutor?
E
enquanto chove,
As
almas gritam,
As
enxadas no Douro, revoltam-se…
E
os homens?
Ai
doutor,
Esses,
São
uns covardes,
Tudo
aceitam,
Tudo
comem,
Como
carneiros,
Como
ovelhas.
Sabe,
doutor?
Não.
Morreu
o Zé Gato,
Morreu-me
o cão,
O
canário,
Uma
tristeza, doutor,
Uma
tristeza,
Esta
aldeia,
Sem
beleza,
Sem
sol,
Sem
água benta,
Só
fachada, doutor.
Pura
fachada,
São
as montanhas a arder,
São
as palavras a morrer,
São
estes rios,
Tristes,
Frios.
Sabe,
doutor?
Não,
diz, diz…
São
os pulhas que espancam a mulher,
São
crianças a sofrer,
Algumas,
sabe doutor?
Sofrem
antes de nascer,
Sofrem
até morrer…
Depois,
depois acordam os pássaros,
Libertam-se
as nuvens das prisões invisíveis,
Estas
sim, as nuvens não são como os homens do Douro,
Revoltam-se,
Gritam,
E
o mais engraçado…
Nunca
morrem, como nunca morrem os poetas.
Os
poetas são eternos,
São
canção,
São
revolta,
Sim
doutor,
Revolta,
Porque
estes gajos metem nojo,
Os
caneiros,
As
ovelhas,
As
flores e as abelhas…
Sabe,
doutor?
Não,
diz,
Sempre
acreditei que um dia,
Que
um dia…
Sim,
Que
um dia sonhar não era uma merda,
Que
um dia,
Que
um dia, todos os dias, todos os meninos…
Brincavam
junto ao mar;
Como
brincam os peixes
E
as gaivotas,
Como
brincam os amores
E
todas as paixões,
Que
um dia,
Sabe
doutor?
Que
um dia os homens não guerreavam,
Que
um dia, as guerras,
Eram
apenas uma fotografia,
Longínqua
e abstracta.
E
depois, doutor,
Depois
a culpa é do macaco;
Coitado…
Coitado
do macaco.
Alijó,
18/08/2022
Francisco
Luís Fontinha
Sete enxadas
Eram
sete lanças de espuma
Sobre
o peito amordaçado,
Eram
sete madrugadas
De
bruma
Na
paixão amanhecer,
Eram
sete canções e coisa nenhuma,
Enquanto
o mar queria adormecer
Sobre
o teu corpo deitado.
Eram
sete enxadas
Rodopiando
os socalcos adormecidos,
Eram
sete sois e sete rios…
E
sete tardes sem dormir,
Eram
sete madrugadas,
Em
sete dias da semana,
Eram
sete lanças de espuma
Sobre
a doce tua cama,
Eram
sete lanças de espuma
Sobre
o peito amordaçado,
Eram
sete poemas em saudade,
Da
saudade do pobre coitado,
Eram
sete Invernos à lareira
Do
corpo esquartejado,
Eram
sete lanças de espuma…
Neste
corpo maltratado.
Alijó,
19/08/2022
Francisco
Luís Fontinha









