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16 dezembro 2024

Nesta mais bela tarde no silêncio Douro!

 

A tarde desenha-se nos olhos socalcos pássaros do Douro, os nossos olhares cruzam-se neste silêncio infinito que esta paisagem deixa em nós. 

Tu és apaixonada por esta terra por este rio... 

Eu também um apaixonado pelo Douro e pelo silêncio desta paisagem deslumbrante e imensa que às vezes até parece o sorriso de uma criança. 


As quedas de água que tanto adoras que tanto amas, eu os barcos e os pássaros e os encantos e os cheiros, 

Sou quase sol também nos teus olhos que agora são duas estrelas que escondem a lua, 

E me dás a mão como se eu fosse uma fotografia selvagem que voa a cada teu desejo, em cada teu beijo 


Nesta mais bela tarde no silêncio Douro!


09 novembro 2024

Douro de amar

Oiço o teu sorriso no silêncio de uma árvore

É tarde

Meu amor

É tarde para sonhar

É tarde

É tarde para desenhar

Outro mar

Outro olhar


Outro luar


É tarde 

Meu amor

É tarde para semear

Para viver

Tarde


É tarde no teu olhar

Como também é tarde

Este viver

Este sonhar


É tarde

É tão tarde a noite ao regressar

É tarde

É tarde para ouvir os pássaros

No Douro de amar.


douro

 


Luís Fontinha

Douro/NOV2024

26 agosto 2024

 


Este fim-de-semana, no sábado à noite, eu e a Cristina, fomos a S. Mamede de Ribatua à festa das vindimas.

Ao chegar ao jardim das laranjeiras deparei-me com uma pequena construção que está a ser edificada no local, e ao encontrar-me com o senhor Presidente da Junta (Mário Vaz), de quem sou amigo, questionei-o para que serviria no futuro aquele espaço.

Explicou-me que seria uma esplanada de apoio aos residentes e turistas que visitem o jardim e S. Mamede de Ribatua e que também funcionará como posto de turismo; ora aqui está uma excelente ideia.

Em S. Mamede de Ribatua o turista poderá sempre visitar a aldeia que é lindíssima, poderá ir ao miradouro do Ujo, que é deslumbrante sobre o rio Tua ou fazer o trilho das fragas más.

Uma excelente ideia que poderia ser executada no espaço circundante ao plátano de Alijó (árvore grande).

Mas ideias para quê? Se desde que o PPD/PSD-CDS-PP chegou ao poder nunca mais abriu o Auditório Municipal… e a cultura é apenas um nome.

Estranho é que o Canil Municipal já tenha o seu quadro de pessoal em funcionamento e colocado…, mas os cães, são cada vez mais nas ruas de Alijó.

Depois, depois dizem que o poeta é maluco.

douro

 

este rio que me abraça

deste rio sem frio

só e sem barcaça

 

este rio que me ilumina

estes socalcos destemidos

este rio que me ensina

e me transmite pequenos gemidos

 

este rio

que é ou douro património mundial

este rio em fúria

nas páginas de um jornal

meu douro em cio,

meu douro que não há igual.

25 março 2024

O Douro deslumbrante

 

É tudo o que tenho para oferecer aos meus leitores, algumas palavras e imagens de uma das regiões mais lindas de Portugal; o Douro.



 

(Francisco)


20 março 2024

Miradouro


Futuro miradouro a construir numa quinta no Douro, Castedo do Douro, Alijó.

Será constituído por perfis metálicos (IPE) e ficará em frente ao rio Douro.

Terá nas proximidades uma mesa para piqueniques e um baloiço.

A parte estrutural está a ser feita por mim no programa Cype 2024.

Dono da obra: José Carlos Sousa Pimentel.

 

 

(Francisco, quase engenheiro)


17 março 2024

Douro...

Tens uma flor de silêncio no cabelo

que acorda à meia-noite

quando as outras todas flores

escrevem poesia nos teus olhos.

 

(Francisco)

 

Barco


Há sempre um barco que nos transporta para o sonho nocturno das palavras, há sempre um barco que nos transforma em homem-pássaro-feliz.

Bem hajam os teus olhos e o teu cabelo.

Há sempre um barco nos teus lábios…

 

(Francisco)

Rio Douro


 Se eu pudesse voar neste pequeno-lindo-deslumbrante

silêncio de pássaros,

eu voava sobre este rio,

eu deixava tudo, tudo,

por este rio;

este rio são os teus olhos…

 

(Francisco)

20 fevereiro 2024

Magia

 


Há sítios tão mágicos que a própria magia desconhece...! Cada fotografia, cada paisagem, é um poema.

É tão belo o nosso Douro!

29 janeiro 2023

Destino menino

 Um pedaço de mim,

É o vento que vagueia sobre o mar,

Outro pedacinho,

Muito mais pequeno de que o pedaço que vagueia sobre o mar,

Que também me pertence,

Dorme nos lábios do luar,

 

Numa das mãos, na minha mão esquerda,

Brinca uma criança mimada…

Na minha outra mão,

Cresce uma flor,

Em papel crepe,

 

E se eu pedir à madrugada

As palavras semeadas,

A madrugada não me dará nada,

 

Pelo contrário,

A madrugada dar-me-á as palavras envenenadas,

Que da minha mão esquerda,

A criança mimada,

Lança ao meu olhar,

 

Um pedaço de mim,

É xisto que dança nos socalcos do Douro adormecido,

Um pedaço,

Um pedaço de mim…

Que eu transportava sobre o meu corpo dorido,

 

Agora, em todos os meus pedacinhos,

Há um rio rectilíneo,

Sem curvas,

Sem medo…

O medo do destino,

De ser o eterno menino.

 

 

 

Alijó, 29/01/2023

Francisco Luís Fontinha

07 dezembro 2022

Call Center

 

Sabes

Meu amor

Um dia morrerá a árvore grande

O nosso centenário plátano

Em seu lugar

Um dia

Será plantado um call center

Provavelmente

Para venderem garrafas de vinho

Ou bilhetes de cruzeiro

 

Tínhamos a fogueira de Natal

Não vamos ter fogueira de Natal

 

Um dia

Meu amor

A nossa terra

A nossa querida terra

 

Será apenas um couto de caça.

 

 

Alijó, 07/12/2022

Francisco Luís Fontinha

19 agosto 2022

Arte – Francisco Luís Fontinha



 

Fotografia abstracta

 

Não posso mais, doutor,

São estas palavras,

São estes rios,

São outros mares,

São outros corpos possuídos,

Doutor,

Enquanto escrevo, morrem pessoas,

Enquanto durmo, nascem crianças,

Enquanto pinto,

Embebedam-se criaturas, poetas e putas,

Doutor…

E a música, doutor?

O que tem a música!

Tem dentro dela o silêncio,

Tem a alvorada,

Tem o medo e o sonho,

E não tem nada.

Doutor.

Percebe agora?

Porque voar é fácil,

Porque dormir é canseira,

Porque sonhar é uma merda,

Uma merda junto à lareira.

Não posso mais, doutor,

São as equações,

São estas tristes fotografias,

São as lápides,

São as flores,

Doutor? Ainda aí está? Junto à árvore?

É a chuva lá fora,

São as acácias a morrer,

São as palavras,

São os ossos a correr.

Porquê, doutor?

E enquanto chove,

As almas gritam,

As enxadas no Douro, revoltam-se…

E os homens?

Ai doutor,

Esses,

São uns covardes,

Tudo aceitam,

Tudo comem,

Como carneiros,

Como ovelhas.

Sabe, doutor?

Não.

Morreu o Zé Gato,

Morreu-me o cão,

O canário,

Uma tristeza, doutor,

Uma tristeza,

Esta aldeia,

Sem beleza,

Sem sol,

Sem água benta,

Só fachada, doutor.

Pura fachada,

São as montanhas a arder,

São as palavras a morrer,

São estes rios,

Tristes,

Frios.

Sabe, doutor?

Não, diz, diz…

São os pulhas que espancam a mulher,

São crianças a sofrer,

Algumas, sabe doutor?

Sofrem antes de nascer,

Sofrem até morrer…

Depois, depois acordam os pássaros,

Libertam-se as nuvens das prisões invisíveis,

Estas sim, as nuvens não são como os homens do Douro,

Revoltam-se,

Gritam,

E o mais engraçado…

Nunca morrem, como nunca morrem os poetas.

Os poetas são eternos,

São canção,

São revolta,

Sim doutor,

Revolta,

Porque estes gajos metem nojo,

Os caneiros,

As ovelhas,

As flores e as abelhas…

Sabe, doutor?

Não, diz,

Sempre acreditei que um dia,

Que um dia…

Sim,

Que um dia sonhar não era uma merda,

Que um dia,

Que um dia, todos os dias, todos os meninos…

Brincavam junto ao mar;

Como brincam os peixes

E as gaivotas,

Como brincam os amores

E todas as paixões,

Que um dia,

Sabe doutor?

Que um dia os homens não guerreavam,

Que um dia, as guerras,

Eram apenas uma fotografia,

Longínqua e abstracta.

E depois, doutor,

Depois a culpa é do macaco;

Coitado…

Coitado do macaco.

 

 

Alijó, 18/08/2022

Francisco Luís Fontinha

Sete enxadas

 

Eram sete lanças de espuma

Sobre o peito amordaçado,

Eram sete madrugadas

De bruma

Na paixão amanhecer,

Eram sete canções e coisa nenhuma,

Enquanto o mar queria adormecer

Sobre o teu corpo deitado.

 

Eram sete enxadas

Rodopiando os socalcos adormecidos,

Eram sete sois e sete rios…

E sete tardes sem dormir,

Eram sete madrugadas,

Em sete dias da semana,

Eram sete lanças de espuma

Sobre a doce tua cama,

 

Eram sete lanças de espuma

Sobre o peito amordaçado,

Eram sete poemas em saudade,

Da saudade do pobre coitado,

Eram sete Invernos à lareira

Do corpo esquartejado,

Eram sete lanças de espuma…

Neste corpo maltratado.

 

 

 

Alijó, 19/08/2022

Francisco Luís Fontinha