14 março 2026

se me pertencesse, o frio de uma lágrima

se me pertencesse, o frio de uma lágrima

na fria lágrima de uma mão, na folha cada que folheia

descobre a proibida palavra, que o vento envia, que semeia, o veneno

que se aperfeiçoa, e que dança

sobra a neve de um engano

 

que descobre o sono dentro de uma caneta, que escreve na chuva

e se me pertencesse, aquele outro frio, no destino rio

sentar-me e te olhar, do outro lado da margam

na esquina de luz crescente de um olhar

não te olhar

 

te ignorando, conversando com o meu outro esqueleto, vem

ao topo da montanha, vem também, pertencer a este frio, a este desdém

vem, vem também acariciar a pétala de cada flor que desenhei

quando ainda brincava na infinita madrugada

vestido de frio de uma lágrima.

 

14/03/2026, 22:12

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