16 março 2026

A árvore é quase uma mão na boca do corpo

A árvore é quase uma mão na boca do corpo, únicos

São os seios da última luz do clitóris, talvez

Amanhã seja o teu sexo uma janela para disfarçar o fogo, do mar

Gélido onde me enforco, e grita o ujo na esquina quase noite


Outra margem, na algibeira do meu desejo, que é a terra dos meus poemas, que foi meu endereço e meu jazigo

E a árvore é quase uma mão na boca do corpo, hoje

A semente que começa a se erguer na flor do meu sol

E quer ser poesia


E quer ser o teu corpo quase espuma na minha cama

Sempre que estiver dentro da chuva o silêncio de uma espada

E vem o fogo

E leva de mim o dia quase um distante olhar.


Ribadouro, 16/03/2026 - 14:17

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