03 julho 2025
08 junho 2025
06 junho 2025
21 maio 2025
O farol - livro de poesia
Um dia em conversa com o meu grande amigo Beco Fonseca
(Dr. Beco Fonseca) a uma determinada altura ele diz-me:
- porque não fazes como o Pacheco pá escreves uns
textos e fazes uns poemas e imprimes numa folha e vendes…
É claro que o nosso Pacheco é o grande Luiz Pacheco, talvez
um dos melhores escritores do século passado, apesar de não o reconhecerem como
tal.
E assim nasce O Farol, um pequenino livro de poesia, imprimido
com o apoio (?) e com 30 ex..
E confesso, amigo Beco, cada vez mais me pareço com o
Pacheco.
30 abril 2025
Não sei, era tão estranho o Artur
Não sei, era tão estranho o Artur, até quando me tocava com a sua mão invisível, quase espuma de um desvaneio, e desenhava no som de uma águia em cio, os primeiros acordes da manhã.
Eu gostava dele, amava-o, mas é impossível amar o Artur, impossível,
Impossível esta vida de ser e de ter e de estar, onde nunca estive, quando me sento em frente à estante, poiso o olhar, aqui e ali, e lembro de quando li aquele ou aquele outro livro, abro-o, às vezes, encontro notas, palavras escritas numa qualquer mesa de café, e no entanto,
Sentava-me em frente ao Tejo e o Tejo comia-me desde o dedo mindinho do pé até aos quase não cabelos que transportava e que quando estava muito vento, colocava a mão na cabeça e com um quase medo de perder o restante cabelo, aprisionava-o com um pequenino fio de nylon. Depois sentava-me, puxava um cigarro da algibeira tão cansada da poeirenta estrada, caminhar, subir, descer,
E ele quase dormia sobre as lágrimas de um cacilheiro. No pequeno caderno que sempre o acompanhava, abria-o, puxava de uma esferográfica quase tão cansada como a algibeira tão cansada da poeirenta estrada, caminhar, subir, descer,
E sabes, meu amor, nunca entendi porque o Artur era apaixonado por barcos,
Nunca percebi porque o raio do meu irmão mais novo era tão ou mais estranho de que uma locomotiva a vapor, que depois do sexo lhe lia um poema, olhava-a e sentia a claridade da noite quase destino, quase calçada sobre rodas, depois sabia
Sabia que quando ele me tocava, eu não sei por que razão, mas eu tremia, eu não dormia, eu sofria, e quando lia o que ele me escrevia,
Eu sonhava-o,
És tão tolo Artur,
Tolo.
Ouviam-se as amarras dos marinheiros miseráveis, que quando aportavam, entravam em cada luzinha meia-adormecida, bebiam, fumavam, deixavam restos de esperma sobre a mesa da cozinha, depois um gaiato rompia corredor adentro, gritava pela mãe, e esta,
Esta abraçava-o com todo o carinho do universo, cada gemido fingido servia apenas para alimentar o vício da heroína e o leite do menino,
Depois pegava numa nota de mil e enrolava-a em forma de tubo, protegendo o seu interior com prata de alumínio, o miúdo nunca percebeu porque todos aqueles marinheiros estavam fundeados no quarto da mãe, no entanto, quando ia à janela, olhava ao longe o Tejo,
E via um soldado sentado na tristeza da tarde, às vezes quase noite, às vezes, quase saudade de ser noite, de ser sempre noite dentro dele.
Uma espingarda se inventava na escuridão do penedo de luz que de ser tão estranho, o universo
Era tão estranho o Artur
O universo sabia, sabia que um dia, todos aqueles marinheiros deixariam de ser gente, o gaiato cresceria e quem sabe, também um dia, também soldado, que o cacilheiro que o olhava quase sempre ao final da tarde, hoje é sucata
Quase sempre me encontrava com ele nas águas-furtadas de uma caquéctica pensão, ele chegava sempre em primeiro lugar, entregava os vinte e cinco euros enroladinhos à senhora quase tão venha como a pensão, nada diziam, tão pouco se olhavam, subia as escadas até ao céu, a escuridão era total, enquanto eu subia, contava os degraus e quase sempre concluía que tanto os cobertores como os espelhos não tinham as mínimas dimensões segundo o RGEU,
Quero lá saber do RGEU, quero lá saber do meu irmão Artur, quero lá saber,
Três toques numa porta que mais parecia os olhos de uma abelha, depois, depois a porta abria-se, e ele à minha espera para me abraçar, tão forte, tão forte,
Ele despia-me, lentamente como se eu fosse uma andorinha à procura da primavera, tocava-me, acariciava-me os seios, beijava-os, eu sentia dentro de mim o fogo de mais uma tarde de loucura enquanto pela janela entrava o som de crianças em brincadeiras de ruela junto à catedral, ouvíamos o sino, sentia-o dentro de mim como se ele fosse a primeira pedra lançada contra um crucifixo suspenso do gesso em fendas madrugadas de uma alvorada, quase outra vez noite.
Ouvíamos a coruja e ficávamos lá, de mão dada.
28 abril 2025
Um menino a brincar com uma bicicleta sobre um plátano centenário
4º capítulo de uma merda qualquer que está a nascer.
Vai partir deste encanto, escreveu sobre a mesa de jantar quase poeirenta, quase também a despedida de uma abelha
Por favor ausento-me, depois são os peixes, fêmeas até no desejar a infância de uma borboleta, são lésbicas, são poesia que depois do desejo, um dos peixes, encostada ao vidro, liberta com a língua cada minuto do meu tempo, eu estou sentado, tenho os cotovelos sobre a dita e restrita mesa de jantar quase poeirenta, quase também a despedida de uma abelha, uma colher sente o frio do vento, se depois do vento, houver outra neblina sobre a toalha, com mais sono do que com a barriga, despediu-se também ante de ter casado a noite.
Pela janela vem a mim um pedacinho quase nada de inverno, ao longe sinto as fragas que galguei na minha meninice nos montes da cunha, sinto o frio nas mãos descalças pela miséria, descanso-as na algibeira do meu rosto, e depois
Depois ele pegou nas mãos, e olhou-as como quem olha uma andorinha, no papel da alvorada, depois de ser desenhada, ou até
Amada, e eu
Eu barcos inventava, era casado, tinha uma amante em Carcavelos, qualquer coisa como uma peça de aço amontoado sobre a mesa de uma esplanada, junto ao rio
Uma cabra tintilava os sinais invisíveis de uma morte, quase
Ao outro dia,
Anunciada. Ele,
Sorria quando sentia o vento, depois sabia, que a cabra que sorria, também ela, também ela sofria,
Tinha bronquite nas mãos calejadas pela vassoura mais pesada do que a neve dentro de uma caixa de sapatos. O correio lhe trouxe a vontade de se livrar da saudade, de vender o desejo, talvez ao diabo, talvez,
Talvez ao barbeiro
E eu contava-os, tantos eram os barcos que entravam naquela casa, das traseiras pareciam malmequeres abandonados, quando saiam, até que um dia
A árvore que caminhava no passeio da avenida, olhou-a e pegou-lhe na mão
A outra, de corpo enrolado na despedida do silêncio de um aquário, acaricia-lhe a vagina parecendo a concha de uma sílaba, distante de um final ponto, qualquer menina, desejava ser flor,
Enquanto isso, a ponte era apenas uma invenção do Artur milhas-luz, rapaz de entreter a malta, nas férias, trapezista, e engatava gajos na rua, fazia-lhes um broxe,
E,
O labirinto em ter tanto barco dentro de casa, ele sentia que do vento apenas tinha a agradecer, mas sabia-o também,
Descia, descia até sentir nos testículos o frio mais frio de Trás-os-Montes, engoliu a saliva, e deitou-se junto ao nicho de nossa senhora, nossa mãe, mesmo à entrada do jardim da carreira,
Que porra, foram insultados, uma velha agreste e mais parecendo o inverno de vila real
Que pouca-vergonha ele e elas deitados aos pés de nossa senhora nossa mãe, e que sim, também
Também lá estava a primeira lágrima daquela tarde quase libra, nos lábios de um jardim.
O menino tinha sido semeado, havia do outro lado do areal um vesúvio destemido e que dançava parecendo gente, mas que não o era, e que nunca o foi, porque gente não dançava assim, e a chuva
Porque havia também, há barcos encalhados naquela casa, há luas quase milagre, depois de despidas, nuas
Ele dançava
Eu acreditava que apenas um dos barcos me levaria até à lua dos sentidos, depois o frio, a porcaria de uma árvore quase em declínio e em cio, quase também dançando, quase também o frio,
Olha dizem que morreu o Artur
Sentei-as sobre a mesa. O Artur que se foda, se morreu, morreu
Então minhas lindas meninas o que têm a dizer em vossa defesa, a não ser que havia uma corda pendurada na parede da casa de banho, que um dia viu ratazanas em travessuras lutas lá para os lados de lisboa, que do outro dia, enquanto dormia e se esquecia, dizia-se ateu e antes de adormecer,
Agradecia a uma qualquer equação linear desenvolvida na vagina de uma laranja,
Obrigado meu deus por mais um dia. E que dia.
Dá-me a tua mão meu amor deixa-me tocar na tua pele de peixe amordaçado enquanto se ouve o leve silêncio do filtro de água, que de quando em vez, e quase sempre
Borbulhar também o sinto, eu também responde ele, pequenas gotinhas de oxigénio são lançadas para a lua e tu meu amor eu amo-te tanto mais do que a liberdade de dançarmos de mãos juntas, no tanque dos bombeiros voluntários,
Naquele dia era tarde. Havia baldes com uvas, das mãos das vindimadeiras, o brilho olhar de que um dia,
A vida vai melhorar meu filho
Eu tenho uma figueira que dança depois do jantar, saíamos todos, eu e eles, e elas, a algazarra de um bairro enigmático, o bairro dos sonhos, o eterno bairro do hospital, a casa número quinze quase em chamas de tanta heroína ter fumado, uma das noites quando regressava a casa,
Ele olhou para a lua, e viu com os dois olhinhos mais parecendo fragas do que olhinhos, quanto mais a lua
E sobre a árvore grande e centenário plátano de Alijó, um menino brincava com a bicicleta, olhei-o
Fechei o olhos. Abri novamente as persianas da última bebida da noite, e
E lá estava ele em cima da mais bela árvore e folgante como a charrua que desbrava um texto depois de sonhado, e em vez de ir dormir
Descia a rua, e depois
Sentava-me em frente ao rio. E escrevia. E desenhava.
Um menino a brincar com uma bicicleta sobre um plátano centenário.
27 abril 2025
05 dezembro 2024
17 março 2024
02 março 2024
Leituras
A minha próxima leitura,
depois de terminar a obra de Artur do Cruzeiro Seixas, vai ser Friedrich Nietzsche,
poemas.
(orgasmo literário)
20 fevereiro 2024
Luiz Pacheco
Um dia vou apresentar-te aos meus
leitores. Dizer que és um dos melhores escritores do século XX, que a maioria
das pessoas não gosta de ti ou nem te conhece e que os teus livros precisam de
ser reeditados novamente.
Os teus livros são escassos, e os que
aparecem custam os euros da cara; eu que o diga.
Um dia vou falar do teu magala em
passeio por Braga ou da carta que escreveste para a Fátima; um dia.
Diário Selvagem
Luiz Pacheco
Língua Morta
15 fevereiro 2024
12 fevereiro 2024
14 outubro 2023
Flor de fumo
A meio da noite, meu
amor, a meio da noite acorda a luz no teu corpo, a meio da noite, meu amor, a
meio da noite, deita-se a luz no teu corpo, abraça-se a luz às minhas mãos, que
poisam no teu corpo as primeiras sílabas da manhã,
A meio da noite, meu
amor, a meio da noite acordam os pigmentos de cor, com que pincelo o teu ombro,
a meio da noite, ele sonolento, tão sonolento como as predizes da madrugada,
A meio da noite,
Meu amor,
A meio da noite acorda a
luz no teu corpo, ergue-se o livro esquecido no chão, poesia de uma afegã, a
meio da noite, os teus olhos, meu amor, a meio da noite vestem-se de estrelas, e
passeiam-se nos meus lábios, quando o meu beijo desce suavemente sobre o teu
ventre, a meio da noite, o incêndio, a fogueira da noite, que a meio da noite
enrola no teu cabelo, e voa sobre um ninho de cucos, perdidos na noite,
Meu amor,
A meio da noite, fogem de
mim as diáfanas águas da ribeira dos sentidos, que a meio da noite, trazem as
pedrinhas com que construo a minha noite, quando a meio da noite,
Sobre ti, lábios de luz,
sobre ti, silêncios de ti,
A meio da noite,
Acorda,
Ergue-se o livro da
poetisa afegã…
Que perdeu a noite,
Que nunca teve noite,
como eu, quando procuro no teu corpo o poema mais belo do céu nocturno em “Flor
de Fumo”,
E querida Nadia Anjuman,
a meio da noite, porque te assassinaram, quando possivelmente as tuas noites
eram como são as minhas noites, sonhar com poesia, respirar poesia, snifar
poesia…
A meio da noite, uma flor
se aproxima de ti, se deita no teu colo, e recorda-me a infância com muitos
meios da noite, eu olhava as estrelas, pedia um desejo,
E voava,
Sobre ti a meio da noite,
Porque te assassinaram?
Flor de Fumo…
14/10/2023
30 setembro 2023
Vénus do fogo
Neste livro
Onde escrevo todos os dias
Onde escondo o dia
E as tristezas da noite
Dentro deste livro
Uma mulher em suicídio
Sucumbe à deliria loucura
Nos olhos do mar
Deste livro
Sem olhos de mar
Neste livro onde escrevo todos os dias
Onde escondo o frio
De onde liberto aquele rio
Que se perdeu no nome
Que não dorme
Que tem fome
Este livro
Que ninguém lê e que ninguém percebe
Porque da janela deste quarto
Se vê o mar
E se ouve o mar
Com barcos de papel
E de brincar
Dentro deste livro
Uma mulher
Que grita
Chora
E se revolta com a vida
Com o poema
Com a poesia
E com o cabrão do poeta
Que sou eu
Aquele que escreve este livro
Aquele que finge gostar do dia
Este livro
Este pequenino livro
(o vinil termina, levanto-me e continuo mergulhado em Mão
Morta)
Que se faz tarde
Dentro deste livro
Pequenino
Para a menina e para o menino
Neste livro
Onde escrevo
E escondo
O que escrevo
Vénus do Fogo
Livro das pérolas de ninguém
Este livro que todos o têm
Menos eu
Que sou fidalgo
Que o escrevo
E que nunca o vou ter
Neste livro
Onde habita a Vénus do Fogo
E os monstros de querer
Um dia
Talvez
Que este livro seja gente
Talvez esta cidade seja este livro
E aquela gente
Filhos deste livro
Nas mãos de Deus
Ou nas mãos de um outro qualquer impostor
Que este livro seja sempre um livro
A luz nos teus olhos
Que este livro seja a bala
Que rompe pela madrugada
E cai na cama de um coitado magala
Que este livro além de ser gente
Seja a gente
Que lê este livro
Que limpa o cu às folhas deste livro
Sem o arraial prazer do simplificado parafuso de
pressão…
Morreu enfartado com chocolates
Escreveu este livro
E escondia sarna nos tomates
E o seu pequenino testamento
Tudo o que tenho
Todos os meus livros
São para alimentar este livro
Onde se esconde a Vénus do Fogo
E todas as putas-flores que não gosto
Não gosto deste livro
Mas escrevo este livro
Detesto cebola e alho
E como arroz com letras arroz com palavras arroz com
arroz nas mentes…
Desdentadas
Escrevo este livro
Acordo
Aos poucos, este livro
Este pequenino livro
Que escrevo
Onde se esconde a Vénus do Fogo
A fogueira da minha aldeia
E uma candeia com azeite…
Liberta-se deste livro
Aquele que é feliz e escreve o outro livro
Porque este livro
Não me pertence
Não me pertence
Escrevo este pequeno livro
Sofrido
Pequenino
Com sono
Às vezes
Este pobre menino
Neste livro
Que finge orgasmos na madrugada
Que bate o pé
E abre a janela
E lança-se da janela
E voou e voa
Sobre o mar
E sobre ti
Deste livro
No livro que senti
O peso do papel
O motor a estibordo
Lançando fumo para a cabine do Comandante
Sobre a ponte
Um morto e três feridos graves
Deste neste livro
Que livro que dia em livro no desenhado livro
Foi-se
Morreu
E acordou três dias depois
Mais bêbado do que quando tinha adormecido…
Sofrido
Sorrindo a corações de areia
A janela coitada
Deixou pendurada a cabeça
E foi até à varanda fumar um pobre cigarro de sono
Sentou-se finalmente este livro
Finalmente em frente ao altar da vergonha
Onde reza este livro
Onde grita este livro
Sofre este pobre livro…
E sente ronha deste livro
Escrevo este livro
Dou vida a este livro
Papel engomado com o ferro de engomar
Vincos nas calças
Camisa do avesso
Por causa das bruxas
E lá vem este livro
Que ainda à pouco
O foi
E o será
Vadio
Sem nome
Mergulhado naquele rio
Despeça-se do menino
Se faz favor
Olhe que nunca mais vai ver o menino
Escreva que dia é hoje
Sábado
À lareira do sono
Sábado minguante enrolado numa lua luz
Abraçado a uma lua luz
Que bate à porta
Truz
Truz truz
Truz truz truz
Caiu-lhe a porta sobre o pé
Descreveu um círculo de luz com olhos verdes…
E zás
Hoje é o Comandante deste Navio apelidado de LIVRO.
30/09/2023
07 julho 2023
Livro
Este livro que escrevo
Na sonolência dos dias
E das noites perdidas
Este livro que escrevo…
E que brevemente será lançado
à fogueira,
Na fogueira dos dias
sofridos.
Este livro que escrevo
Na sombra do olhar
materno
Um dia deseja voar…
Ao outro dia…, deseja
morrer,
Este livro que escrevo
E rasgo
Quando acorda a manhã…
E lanço ao mar
Para que este livro,
nunca mais seja um livro de sofrer.
Bragança
07/07/2023
14 abril 2023
Abelha em flor
Abraço-te
Nuvem de espuma
Flor sincera das manhãs
em delírio
Abraço-te corpo pincelado
em desejo…
Quando mergulhas nos meus
olhos
E te misturas no meu
daltonismo,
Abraço-te meu poema em
construção
Palavra que lanço ao
vento
Semente de beijo
Que os teus lábios
acolhem…
Abraço-te
Na misera escuridão das
minhas mãos…
Abraço-te
E acaricio-te como se
fosses um livro
Uma página de mar
Um livro que leio
Um livro onde escrevo
Um livro em paixão,
Abraço-te
Sob todas as constelações
do Universo
Criação de Deus
Que criou a mulher
Que criou o abraço
Abraço-te meu amor com o
meu abraço…
Abraço-te
Nas primeiras páginas da
manhã
Abraço-te quando dos
lábios do pôr-do-sol…
Uma abelha em flor
Também ela
Te abraça… também ela… te
abraça e deixa um pedacinho de mel nos teus doces lábios.
Alijó, 14/04/2023
Francisco Luís Fontinha
12 abril 2023
O livro da maldição
Este livro
Que leio
E folheio
Que manuseio
Como se fosse mais um
livro
Este livro
Onde escrevo
Onde durmo
Onde habito
Este livro
Deste livro
Do livro do meu viver.
Deste livro onde nasci
Neste livro onde cresci
E vivi
E brinquei…
Deste livro onde amei
E chorei
E gritei.
Deste livro a que chamam
de vida
De viver
Deste livro de sofrer
Este livro
Entre muitos outros
livros
Neste livro
Onde me sento
E escrevo
E olho o rio
E do rio vejo o mar
Deste livro de viver
Neste livro de amar.
Deste livro
Nos jardins junto à Torre
Dos barcos deste livro
Neste grande livro de
partir
De correr
Deste livro de montanhas
De amores
De crianças sem asas
E de asas sem pássaros
Neste livro
Que seja deste livro
Que as minhas cinzas
Que das minhas asas
Se faça a vida
E se construa este livro.
Alijó, 12/04/2023
Francisco Luís Fontinha
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