Primeiro café do dia.
12 setembro 2024
02 novembro 2023
Desejo de amar
Hoje,
Vi a lágrima de alegria
nos teus doces olhos de mar,
Vi o sorrir da estrela-luar
Nos teus lábios de mel,
Hoje,
Vi o beijo desenhado
No crepe papel,
Hoje,
Vi na tua mão
O silenciado
Silêncio da alvorada…
Vi a escuridão da madrugada,
Hoje,
Hoje vi a lágrima de
alegria…
Nos teus doces olhos de
mar,
Vi o dia…
E vi o desejo de amar.
02/11/2023
14 outubro 2023
Aldeia
Triste nasceu o dia
Na aldeia
Triste e fria
A mão que semeia
O dia
A poesia
E a fogueira que
incendeia
Triste nasceu a aldeia
No triste dia
Da luz da candeia
À luz do dia
Triste
Triste nasceu o dia
Na aldeia
E a aldeia resiste
Ao triste dia
Triste acordou a aldeia
No triste dia
Da luz que encandeia
E desenha a ideia
No triste acordar da
aldeia
Da aldeia que não sentia
A ousadia
Do dia
No dia onde nasce a
ladeia.
14/10/2023
08 outubro 2023
Castelo
Sentamo-nos.
Suicidamo-nos com o fumo
deste cigarro
Quando dispara sobre a
manhã
A bala de prata.
Suicidamo-nos com as
lágrimas do mar
E sentamo-nos nesta pedra
cinzenta,
Velha,
Ferrugenta,
Sentamo-nos e
suicidamo-nos pelo entardecer,
Junto ao rio,
Quando o teu corpo não se
cansa de arder
E chorar,
O veneno que nos vai matar,
No verbo de escrever.
Sentamo-nos no chão com o
odor do teu corpo,
Suicidamo-nos com as
flores da Primavera…
Voamos para o castelo do
silêncio,
Quando os teus lábios se
transformam em pigmentos de luz…
Em pedacinhos de
amanhecer,
E suicidamo-nos quando
acordar o dia,
Quando o sol nascer,
E nos oferecer,
Ao pequeno-almoço…
Poesia.
Sentamo-nos.
Suicidamo-nos com o fumo
deste cigarro,
Nutriente do meu corpo
viver,
Sentamo-nos sobre esta
pedra, esta pequenina pedra de veludo…
E suicidamo-nos com as
primeiras lágrimas da manhã,
Nós
Sentados…
À espera de que o mar nos
leve.
08/10/2023
30 setembro 2023
Alvorada em teu olhar
Amo os teus olhos de mar
Teus lábios de mel
Amo o luar
E esta pequena folha de
papel
Amo o silêncio do teu cabelo
estrelar
E as tuas palavras que
crescem a cada madrugada
Amo sonhar
Sonhar cada palavra
Amo o poema que se solta
da poesia
Quando da chuvinha da
manhã sem nome
O poeta sem dia
Não se cansa de correr
Do dia que não come
No dia que vai nascer
30/09/2023
26 setembro 2023
Cinzento silêncio
Abraço-te com os meus braços de cinzento silêncio
Beijo-te com os meus
lábios de mar encarnado
Pego na tua mão
E dançamos sobre a espuma
do desejo
Abraço-te e beijo-te
Enquanto um pedaço de dia
Se perde na tua mão
Abraço-te com os meus
braços de invisível paixão
Enquanto respiras
ofegante
Dos cigarros que fumamos
Dos cigarros e lançamos
sobre a espuma dos dias
Beijo-te e beijo o teu
ombro
Onde brinca uma sanzala de
prata
Com perfume de infância
Abraço-te com os meus
braços de cinzento silêncio
Pássaro nocturno
Estrela Polar dos meus
olhos…
E beijo-te e beijo os
teus seios…
Antes que regresse o
primeiro vagão da manhã
E com ele
A tristeza
26/09/2023
23 setembro 2023
Espingarda
Às vezes éramos apedrejados pelo silêncio
Às vezes éramos escravos
Do silêncio
Às vezes gritávamos
Às vezes chorávamos
Às vezes tínhamos em nós
toda a alegria
Às vezes sentíamo-nos os
filhos do poema
Da poesia
Que às vezes atrapalhava
o dia
Às vezes marchávamos em
direcção ao mar
Às vezes fazíamos de mar
Quando o mar
Às vezes
Se disfarçava de um outro
mar
Às vezes ouvíamos o apito
do comboio
Na algibeira de transeuntes
aflitos
Com fome
Que às vezes sentíamos
enquanto o sono não regressava
Das vezes que se despedia
E nós sem saber o
significado de manhã
Quando às vezes
Se perde um sorriso no
meu olhar
E lá se vai a manhã
De apenas algumas vezes
Às vezes fugíamos
E às vezes pegávamos nas
espingardas da insónia
Disparávamos incenso contra
o sol
E sal contra a lua
E de todas as vezes
Regressavam sempre a nós
as outras vezes
Dos dias de às vezes
Meio-escondidos na rua
Meia-lua dos teus olhos
Que às vezes ofusca
Que às vezes me chama
E lamenta
Esta espingarda de corda.
23/09/2023
22 setembro 2023
Dia só
Um dia sem ninguém
Nas palavras
Das palavras vesgas
Nas mãos de um poeta tolo
Um dia
Sem ninguém
O primeiro pingo de chuva
Que ilumina a manhã
Um dia de um outro dia
Ausente do dia
Sem ninguém
Estas palavras
Filhas do dia
Ontem não foi dia
E amanhã
Um dia sem ninguém
22/09/2023
21 setembro 2023
O feliz ausentado
Sento-me
Pego num cigarro
E penso
Penso que todos os loucos
têm razão
Quando dizem
Que não estão loucos
Sento-me
Ausento-me
E penso
Penso que um dia
Qualquer dia
Alguém vai encontrar uma partícula
Com velocidade dez vezes
superior à velocidade da luz
E a luz
Deixará de ser o limite
Penso
Sento-me
E fumo o que penso
Penso que um dia
Qualquer dia
O pequeno-almoço serão
dois gramas de poesia
E uma colher de
literatura
Sento-me
Ausento-me
E penso
Penso que um dia
Um qualquer dia
Não haverá noite
Não haverá dia
Haverá apenas fios de loiro
Inverno nas mãos de uma criança
Penso
Ausento-me
E sento-me
Sento-me e fumo
Fumo do que me ausento
E bebo o que fumo quando
me sento
E penso
Que um dia
Um qualquer dia
A chuva será de prata
E o Sol de oiro
E mesmo assim
Haverá gente
Gente que não sente
E infeliz
E triste como quem mente
Um dia
Sento-me
Ausento-me
E penso
Penso que não devia
pensar
Que pensar dá trabalho
Cansa
E dá sono antes de adormecer
E mesmo assim
Penso
E fumo
E bebo o que penso
E penso o que bebo
E não bebo o que fumo.
21/09/2023
19 setembro 2023
Incenso
Pincelo o teu olhar
De doce insónia
Pincelo o teu doce olhar
Com os primeiros pingos
de chuva
Que a manhã esconde
Em sua mão
Pincelo o teu olhar
De puro silêncio
adormecido
Da noite em despedida
Em despedia aflita
Quando a noite se perde
No teu olhar
E gravita
E grita
O teu olhar pincelado
Com muitas cores
Com muitos sorrisos
E flores
Pincelo o teu olhar
Com a luz que se ergue
das profundezas da terra
Da água salgada
Na planície que apelidam
de mar
E do mar
O teu olhar em pedacinho
de doce pincelado
Com perfume de sonhar
Vezes sem conta em
pequenas deambulações
Pincelo o teu doce olhar
Quando acorda o dia
E sei que o dia
É apenas uma lágrima de
incenso
19/09/2023
02 setembro 2023
Acordar
Podia esconder-me de ti
Podia vestir-me de noite…
E correr
E andar…
Por aí,
Podia ser o vento
Podia
Podia ser a tempestade
Disfarçada de vento
Claro que podia,
Podia esconder-me de ti
E em ti
E esconder-me dos teus
lábios
E esconder-me…
Na tua boca
Podia,
Podia ser aquele silêncio
que poisa na tua mão
Podia ser o poema
Podia
Podia ser a alegria
E as palavras do dia
Podia
Podia esconder-me em ti…
Alijó, 02/09/2023
Francisco Luís Fontinha
29 julho 2023
O dia do nascer em teus olhos morre
O dia que foi
O dia que acaba de ser
E morre nos teus olhos
É o dia de ontem
Multiplicado pelo dia de
amanhã
O dia que foi
O dia que vai deixar de o
ser
Que traz a noite e o
saber
E morre nos teus olhos
O dia que ainda vai
nascer
O dia que foi
Dividido pelo dia que vai
nascer
Será o dia sem ninguém
No dia de alguém
Quando o dia de ontem
Morre nos teus olhos
O dia que acaba de o ser
Não o é
Sem o saber
E fé
O dia no teu dia
Sendo um outro dia
O dia que foi
O que talvez amanhã será
E morre nos teus olhos
O filho do dia de ontem
Sem perceber
Sem o saber
Que o dia de amanhã
Não será
O dia sem fé
No dia que acaba de ser
29/07/2023
Francisco
17 junho 2023
Do dia nas mãos do dia
O dia não sabe
Que dentro do dia
Existe um outro dia
Com vida
Em poesia,
O dia
Do outro dia
Não sabe
Nem quer saber
Que do dia
Em poesia
Há um livro para ler
Que há um livro para
escrever,
O dia
Deste pequeno dia
Que arde
Que incendeia o outro dia
Esconde-se neste dia
Que é apenas um dia…
No dia de morrer.
(às vezes, às vezes é
possível partir de (A) para (B), nunca ter estado em (A)… sabendo que um dia,
que um dia chegará a (B)
Luís
17/06/2023
10 junho 2023
Lápide de sono
Entre os parêntesis da
manhã
Peço a Deus que me abrace
E desenhe no meu simplório
olhar
Uma pequena lápide de
sono
Uma lápide quase
invisível
Com letras negras
Negras e muito pequeninas
Bem negras e bem
pequeninas…
Nasceu a…
Faleceu a…
Depois
Depois peço a Deus que
escreva nos meus lábios
O silêncio da noite
envenenada…
Peço a Deus que não me
traga a madrugada
Não
Hoje não me apetece ter a
madrugada,
Entre os parêntesis da
manhã
Peço a Deus que me abrace
Nem que seja um fictício
abraço
Quase invisível
Quase… quase nada,
Depois de pedir a Deus
tanta coisa
Das poucas coisas que tenho
E de ele saber que eu não
acredito em Deus…
Ele ri-se…
Ri-se da minha ignorância
Do gajo nada
Pedir tudo
Quando o tudo não existe
E é apenas uma equação
Na espuma dos dias
Quando os dias… são o
nada
E o nada…
São estes pequenos dias.
Francisco
10/06/2023
31 maio 2023
Final de tarde
Está sol,
Meu amor,
Está sol nos teus olhos,
Está um lindo final de
tarde,
Meu amor…, nos teus
olhos,
Está sol.
Está sol, meu amor,
Está sol nos teus doces
lábios de mel…
Está sol neste poema,
Nestas mãos que escrevem
este poema…
E diria, meu amor…
(que se fodam as vigas
alveolares)
Está sol, meu amor,
Não,
Não está sol nas vigas
alveolares…
Mas está sol,
Neste lindo final de tarde.
Luís
31/05/2023
27 maio 2023
Noite de mim
Podia ser noite
As luzes
Todas as luzes apagadas
Podia ser noite
Antes da noite
Podia ser noite
Dentro desta noite
Podia…
Podia ser dia
Pois podia
Se o dia não tivesse
acordado tão cedo
E a noite
Despertado
Pois podia
Meu amor
Podia ser dia
Dentro da noite
Que vai nascer
Claro que podia
Ser noite
Sem luzes
Quando da noite
Recordamos o dia
Que teve noite
E terá
Um dia
Um outro dia
Podia ser noite
Já
E agora
Nem que fosse uma noite
emprestada
Nem que fosse uma noite
comprada
A crédito
De cinquenta e seis
lindas noites de sono
E isento de insónia
Claro
Claro que podia
Meu amor
Ser já noite
Roubada ao dia
Quando a noite
Podia
Podia ser dia
E podia ser noite
Claro
Meu amor
Claro que podia
Podia ser noite
Uma noite
Noite
Podia
Podia ser noite nos teus olhos
E dia
Que podia
Ser dia
Nos teus doces lábios
Claro
Claro que podia
Meu amor
Ser dia
Ou ser já noite
Podia
Podia
Ser noite
Noite disfarçada de dia.
Francisco
27/05/2023




