Para os outros, para ti,
sou o maluquinho, o louco, o desgraçadinho do abastecedor.
Mesmo estando
completamente só, não tenho medo de continuar a minha caminhada.
Só.
Para onde caminha a imbecilidade humana, quando já as máquinas analisam e escrevem poesia e outro tipo de escritos.
As máquinas já são poetas; ordeno-lhe que me escreva um poema, e ele, enquanto eu escrevo a palavra amo-te no meu caderno, imprime-me o poema no ecrã. Muito mais rápido do que eu…
Mas será que esta máquina parva e estupida sentiu cada palavra que me escreveu?
Qualquer dia para amar e fazer amor já não serão preciso dois corpos em desejo, bastará apenas 2 interruptores e um fio; depois, não muito depois nem será preciso o fio…
É isto que desejam para os vossos filhos e netos?
Começo a ter medo a este futuro.
Felizmente que não estarei cá por muito tempo…
Não preciso de riqueza
Fortuna,
Apenas preciso de um ponto de luz que me
indique a saída da escuridão diurna, que a cada dia, se torna mais negra, mais
escura…
Escrever quando já nada
faz sentido, tudo à minha volta é um amontoado de ruinas, eu próprio sou um
pedacinho dessas mesmas ruinas. Escrever o quê? Quando o silêncio deixou de ser
o silêncio
E a solidão,
E a solidão me incomoda.
Escrever para quê?
Escrever para os outros
fazerem troça ou motivo de gozo, como se eu fosse o palhacinho cá da aldeia,
escrever
Escrever para quê?
Se há muito morri numa
noite de tempestade…
Esta noite, enquanto saboreava um
silenciado uísque e dava umas pinceladas, digitais, no ecrã deste portátil, é o
que faz ter ecrãs tácteis, estive à conversa com a minha mãe; é verdade, não
tenho vergonha de o dizer, que às vezes, preciso de conversar com ela.
E então ela:
Que estou diferente, muito, que estou
mais calmo, que está a gostar muito de me ver com a Cristina, que até está
admirada por eu ter mudado de vida.
Eu:
Escutava-a. E o quão ela tem razão.
E claro que os meus leitores irão pensar
que eu estou louco, pois a minha mãe já morreu e como é possível, eu conversar
com ela?
Apenas cerro os olhos e oiço-a!