sinto o teu desejar-me
nas minhas mãos, enquanto leio, percebo
o importante te ter, e te
sentir
e te tocar,
hoje, meu amor, já ouvi o
cuco-canoro
já tinha saudades da
primavera, meu amor
tudo sorri, as plantas
começam a crescer,
parecem crianças no
recreio da escola, e até a luz
é mais luz
e a noite está mais
alegre, veem-se as estrelas, o luar
é um rio ao redor dos
teus seios, meu amor
e eu, com tanta coisa na
cabeça, e quando quase tudo arde,
eu, eu nada, como o
álvaro de campos, sento-me e leio
e escrevo, e desenho, e
penso
que não devia pensar, e
um dia
ao acordar
zás
zarpar, erguer a âncora
deste navio, ir
para onde o vento me
levar (ao preço que está o gasóleo, este navio só daqui sai, ao sabor do vento)
caso contrário fica
acorrentado, é melhor assim
melhor ainda, do que
andar por aí a fingir
olhe que o gasóleo
simples fode-lhe o motor todo,
é mais barato, pois
claro, filho da puta
tens um navio que quase
voa, e queres poupar na palha
se te fosses foder quase
engenheiro francisco.
Alijó, 25/03/2026, 23:00