Era só um verso, foi só
uma estrela invisível
Era só uma janela
partida, um rio em fúria
Foi a tempestade e foi o
cansaço
Da triste e fria noite,
Era só um poema, depois
foi o vento
Desejo, a cama
Era só a miséria alheia e
indesejada
Foi a lua e foi a dor e
hoje já não é nada,
Foi a estrada, era só um
verso
E uma calçada, era só um
caderninho vestido de silêncio
Era a rua despida e nua,
era só a vírgula descalça
Subindo a primeira sílaba
do amanhecer,
Se sentando à sombra de
uma mangueira, era só
O destino de uma nuvem, e
foi depois o motor
E a deflexão de uma mão,
em mão
O sorriso de uma flor.
Francisco
11/05
05:16
