05 fevereiro 2026

quando me dizes; amo-te!

trinta mil demónios, oito destinos assombrados

uma lua desafinada, uma agulha

em apuros,

envergonhada

 

uma rua sem saída, lacrimejante rua e nua

uma letra adormecida, triste

cansada como o poeta sem nome, sem odor

nem o fedor, arranjem uma corda

 

uma caneta que escreva, um bairro em lata, na chapa

quando o capim era o vento, no vento cabelo de um menino

e um triciclo em círculos de alegria, porque os sorrisos dos calções eram o destino do mar

 

do mar um barco, no barco

um pequeno charco, ao longe a linha do equador

e aí eu percebi, que o amor não tem fim, que

que o amar é o semear, nas esquinas de luz, o teu corpo

 

onde lhe toco, onde escrevo

que há vírgulas a arder, dentro do poema

que há luzes que são a manhã, dentro de uma cama

que também em chama, em chama desejo

 

que depois vem o beijo,

que depois, é o beijo

trinta mil demónios, oito destinos assombrados

uma lua desafinada, uma agulha

 

quando me dizes; amo-te!

 

05/02/2026, 23:00

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