trinta mil demónios, oito
destinos assombrados
uma lua desafinada, uma
agulha
em apuros,
envergonhada
uma rua sem saída,
lacrimejante rua e nua
uma letra adormecida,
triste
cansada como o poeta sem
nome, sem odor
nem o fedor, arranjem uma
corda
uma caneta que escreva,
um bairro em lata, na chapa
quando o capim era o
vento, no vento cabelo de um menino
e um triciclo em círculos
de alegria, porque os sorrisos dos calções eram o destino do mar
do mar um barco, no barco
um pequeno charco, ao
longe a linha do equador
e aí eu percebi, que o
amor não tem fim, que
que o amar é o semear,
nas esquinas de luz, o teu corpo
onde lhe toco, onde
escrevo
que há vírgulas a arder,
dentro do poema
que há luzes que são a
manhã, dentro de uma cama
que também em chama, em
chama desejo
que depois vem o beijo,
que depois, é o beijo
trinta mil demónios, oito
destinos assombrados
uma lua desafinada, uma
agulha
quando me dizes; amo-te!
05/02/2026, 23:00

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