o cortinado abstracto é
quase o anoitecer, porque a chuva não cessa, porque o vento balança, porque o
vento
beija
cada sombra da floresta,
e cada noite no seu sofrer
a janela é de porcelana,
virgem lã da montanha
e cada árvore que tomba,
e cada sombra que se afasta
dos tristes lírios de
brincar, são flores em papel
plantadas no caderno
negro, onde escrevo e desenho a primavera
também desenho pássaros,
barquinhos de voar, e estrelas
e sinto o anoitecer, e
sinto o cortinado abstracto, quase a arder
quase o silêncio do
olhar, no espelho que enaltece
o sítio secreto do meu
esconder
e que não cessa de
chover, e que da luz vem o limbo
destino de uma fogueira
sem nome, sem oráculo no olhar
sem lenha a arder,
sentindo o destino louco
deste meu cortinado
abstracto, que é quase o anoitecer.
28/01/2026, 04:48

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