28 janeiro 2026

o cortinado abstracto

o cortinado abstracto é quase o anoitecer, porque a chuva não cessa, porque o vento balança, porque o vento

beija

cada sombra da floresta, e cada noite no seu sofrer

 

a janela é de porcelana, virgem lã da montanha

e cada árvore que tomba, e cada sombra que se afasta

dos tristes lírios de brincar, são flores em papel

plantadas no caderno negro, onde escrevo e desenho a primavera

 

também desenho pássaros, barquinhos de voar, e estrelas

e sinto o anoitecer, e sinto o cortinado abstracto, quase a arder

quase o silêncio do olhar, no espelho que enaltece

o sítio secreto do meu esconder

 

e que não cessa de chover, e que da luz vem o limbo

destino de uma fogueira sem nome, sem oráculo no olhar

sem lenha a arder, sentindo o destino louco

deste meu cortinado abstracto, que é quase o anoitecer.

 

28/01/2026, 04:48

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