01 fevereiro 2026

do outro lado do sol

do outro lado do sol, será a escuridão, ou são os teus olhos

o primeiro pingo de chuva, a primeira ribeira a brotar da montanha

será que do outro lado do sol, muito longe da tua mão

habita a outra ribeira perdida, cansada e só

e só, uma ribeira adormecida

 

do outro lado do sol, talvez

seja mar, ou outra vertigem em forma de barco

que desce as escadas de acesso à última despedida

da noite que não quer, na noite que está de partida…

e que é corpo de mulher

 

mas do outro lado do sol, não existem janelas para abrir, é tão escuro que cada nova página do meu livro, é um rio sem braços, é um rio sem cabeça,

no olhar dos teus lábios, a arriba, que se suicida na distância de um novo mar, que também é um sonho

que também foi luar de uma lua de papel

 

do outro lado do sol, meu amor

eu te procuro, nua, vestida de estrelas e deitada sobre a candeia de uma vírgula desnorteada, tão faminta, e tão procurada

pelos pássaros da madrugada,

que se eu tocar no teu corpo, a minha mão se transforma em geada

 

01/02/2026, 09:38