03 fevereiro 2026

depois, talvez não

depois, talvez

não

 

e agora o que fazer, se o tempo

parar, se o tempo morrer

mas às vezes, o tempo, o tempo é sofrer

e sentir, sentir o tempo na mão de escrever

 

procurar o amar, e saber

que o tempo não tem nome, que o tempo sempre saberá

onde se esconde o alento, que às vezes, que às vezes também não tem tempo, que às vezes ninguém tem, tem

tem outro sentimento

 

e tem um nome suspenso na corda da morte, e quase não tem tempo

quase, quase que também envergonhado, procura dentro do outro tempo

um quadro pincelado com os sobejos do tempo

quando o tempo, ainda pertencia à montanha do adeus

 

que deus o quis, porque sim

não

 

andamos perdidos, num falso tempo, curvilíneo, abstracto no silêncio de uma vírgula, se uma pedra for capaz de arremessar contra mim,

a palavra enforcada na árvore da despedida

 

e também eu, estou sem tempo

aliás, desde que nasci, nunca tive tempo

porque o tempo também é a raiz

porque o tempo, o tempo também é a fronteira que separa o calor, do frio,

que separa o cio, do rio

e que separa, a luz, do vazio.

 

03/02/2026, 03:56