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Em cada pigmento de cor
Deita-se um pequeno
sorriso na tela
Desenha-se o corpo
circunflexo
Em pequenos círculos aerodinâmicos
Em cada pigmento de cor
Acordam as estrelas da
minha cidade
E brincam os meninos da
minha cidade
Em cada pigmento de cor
Oiço as sombras da minha
cidade
E levitam em direcção ao
céu
As mulheres da minha
cidade
A cada pigmento de cor
Envio as palavras das
colmeias em flor
E escondem-se na minha
algibeira
As palmeiras da minha
cidade
Na tela onde escondo
Cada pigmento de cor
Em cada pigmento de cor
Da minha cidade
Um sorriso de vento me
leva até lá…
Alijó, 21/05/2023
Francisco Luís Fontinha
Enquanto escrevo, morro, enquanto escrevo, suicido-me na tristeza do poema, enforco-me na agonia de uma tela sem nome, suspensa numa manhã junto ao Tejo, do rio, vêm a mim os tristes cacilheiros, que entre viagens, me trazem o silêncio da despedida,
E despeço-me sem ter de
quem me despedir, apenas me restam meia dúzia de retractos, meia dúzia de
sombras…
E muitas dúzias de
sonhos; morram todos os sonhos.
Morram todos os sonhos e
todos os sonhadores e todos os poetas e todos os pássaros… e que morram também
todas as noites com luar.
E já agora, que morram
todos os cacilheiros e todos os barcos da minha infância.
Puxo do último cigarro. O
veneno que me mantêm vivo e de boa saúde…
Inesperadamente, começo a
odiar todos aqueles que morreram e que amei. Inesperadamente, começo a
odiar-me, começo a odiar as minhas palavras, os meus desenhos… e todos os meus
sonhos.
Enquanto escrevo, morro.
Suicido-me na tristeza do
poema, enforco-me na agonia de uma tela sem nome como todas as minhas telas,
sem nome.
De que serve um nome?
Alijó, 24/03/2023
Francisco
Numa folha em papel branco
Podia escrever a minha
vida
A minha vida
Como se a vida pudesse
ser escrita
Como se a vida pudesse
ser desenhada
Numa pequena folha em
papel
Ou numa tela desmaiada,
Numa pequena folha desanimada
Nasceu a não sei quantos
de Janeiro
Às sete e trinta da madrugada
Num feliz Domingo de Sol,
Cresceu
Brincou junto ao mar
Cresceu
Cresceu
E morreu a tantos do
tantos
De dois mil e tantos…
A vida
A minha vida,
Uma merda de vida
Dentro das escarpas da
solidão
A vida que é escrita
Na escrita que é vivida,
Vivida em cada mão,
Numa folha
Numa folha em papel
branco
Quando no corpo um nenúfar
de vento
Te leva a pequena folha
A pequena folha em papel
branco…
E não tens onde escrever
A tua vida
A vida da tua pobre vida.
Alijó, 17/01/2023
Francisco Luís Fontinha