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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Margaridas


Sinto-me um abutre sem dono

Margaridas, meu amor, margaridas no teu corpo,

Margaridas em sono,

Em flor,

Em dor,

Sinto-me um transeunte vestido de negro,

Confundindo-me com a noite,

Quando a noite era apenas um desenho incógnito,

 

Sou a luz da escuridão iluminada,

Margaridas, meu amor,

Margaridas na esplanada,

Margaridas sem nada…

 

Oiço a tua voz envergonhada,

Sinto o teu corpo recheado de amendoeiras,

Margaridas, meu amor,

Margaridas… margaridas entranhadas nas videiras,

 

Quando tínhamos as janelas encerradas,

Não existiam madrugadas,

Margaridas, meu amor, margaridas roubadas,

 

Margaridas em ti assassinadas.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

sábado, 12 de janeiro de 2013

Os homens sonoros, que de casa em casa, que, que de jardim em jardim, arbitrariamente prendiam as inocentes palavras que um louco com asas de vidro e olheiras gelatinosas, escrevia nas paredes transparentes dos pilares de areia, morreram, desapareceram nas veias lilases das pétalas em flor, morreram, evadiram-se com éguas em cio correndo sobre o verdejante pasto, húmido, sombrio, os homens, sonoros, que de casa a casa, porta a porta, impingiam rádios a pilhas, lanternas pornográficas, revistas com gajas nuas, que ele vendia num quiosque junto à rotunda das margaridas (flor) envenenadas pelo tesão da chuva esfomeada
Comprávamos três revistas, religiosamente encerradas dentro de um saco plástico, por vinte e cinco escudos,
Da chuva esfomeada vêm-se as estrelas de prata que cobrem o tecto da aldeia com sabor a laranja de S. Mamede de Ribatua, laranja saborosa, conhecida mundialmente, bonita, a moça, da chuva
Dávamos-lhe os vinte e cinco escudos com direitos adquiridos, uma voltinha às revistas, e posteriormente
Revendidas separadamente, aprendi que comprando um maço de cigarros e vender os cigarros a avulso podia ganhar alguns escudos, não muitos, alguns, economia paralela, entre os carris do comboio com destino a Santa Apolónia, e derretiam-se os corações de açúcar quando olhávamos o Tejo vestido de pérola-mármore à porta do Texas em Cais do Sodré,
Até,
Até que...
(   )
(texto de ficção não revisto)
@Francisco Luís Fontinha
Alijó