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14 setembro 2025
24 janeiro 2025
Ainda estou aqui
Ontem assisti ao filme
Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e tendo como protagonista Fernanda
Torres com a participação de Fernanda Montenegro (filha e mãe).
Uma história verídica
sobre o ex-deputado Federal Rubens Paiva durante a ditadura militar no Brasil.
O papel desempenhado
por Fernanda Torres como Eunice Paiva é sem qualquer dúvida de divinal.
Não percam, é do melhor.
24 novembro 2024
A Comédia de Deus – João César Monteiro
Para aqueles que têm disponibilidade, hoje às 21:10 horas na AXN Movies Portugal poderão ver a Comédia de Deus de João César Monteiro.
Cineasta português, um dos melhores.
João César Monteiro, Figueira da Foz 02/02/1939 – Lisboa 03/02/2003.
27 maio 2024
19 novembro 2013
a sanzala dos grilos...
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foto de: A&M ART and Photos
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Tínhamos um espelho chamado Fantasia, dormia
connosco e das poucas vezes que lhe ouvimos um sussurro ou um
desabafo... ou uma palavra
Cansaço,
Tínhamos uma janela virada para o rio, do nosso
quarto apenas conseguíamos ver um dos braços do rio, e ao de
leve... uns finíssimos dedos em algas masturbadas como linhas
paralelas, confundíamos os finos dedos como linhas paralelas com os
tristes carris de regresso a casa, dormitávamos, sonhávamos e
acordávamos, e quase durante uma hora havia um filme só nosso que
vivia dentro do nosso peito, o meu era a preto-e-branco, e o dela
Colorido,
As paredes que ultrapassávamos como pequenas
limalhas de ferro ensanguentadas de cinzentos cabelos do transeunte
indignado e anónimo que viajava quase sempre ao meu lado, não
falava (como o fazia antes de adormecer o espelho do nosso quarto) e
fumava cigarros de enrolar, pedia-me lume
Deixei de fumar,
E continuava silencioso como os cadáveres do nosso
armário que desde sempre estiveram no corredor de nossa casa, antes
de regressarmos, em Angola, depois, depois viemos encaixotados com
pedaços de madeira que roubamos, inclusive algumas portas do
interior, e algumas tábuas do alpendre onde guardávamos o triciclo,
as pombas e algumas galinhas e o meu
Chapelhudo?
Não, não, esse não
Chapelhudo, orelhudo... e a chuva esfarelava-se
sobre nós, tínhamos a ressaca das tardes de sábado, e tínhamos
Dá-me lume se faz favor?
Lamento, deixei de fumar, lamento... deixei de
viver, lamento... deixei de amar, de ser amado...
Chapelhudo, orelhudo... e a chuva esfarelava-se
sobre nós, tínhamos a ressaca das tardes de sábado, e tínhamos as
multiplicações semanais das
(como o fazia antes de adormecer o espelho do nosso
quarto)
Fitas a preto-e-branco, ela, colorido, imagens
rolantes que descaíam dos edifícios negativos com gravata embebidas
em bolas de naftalina, o cheiro, o cheiro a ratazanas sobre os cubos
de queijo esburacados, envenenados... tínhamos um espelho chamado
Fantasia, dormia connosco e das poucas vezes que lhe ouvimos um
sussurro ou um desabafo... ou uma palavra, ou simplesmente
Nada,
Ou simplesmente
Nada,
Ou... esperavam (ou simplesmente... nada), não, não
Não?
Ou simplesmente... lamento informá-lo... mas hoje
não temos carris na frigideira com molho de solidão
Porra...
E o que faço eu aqui?
Caminho, procuro os dedos finíssimos do rio em
desejo, sentamos-nos um sobre o outro, enrolamos-nos e
Tem lume se faz favor?
Deixei...
E víamos,
E ouvíamos,
E... os imbecis homens de chapéu igual ao do
Chapelhudo a fotografarem-nos, como se
Eu e ela
Fossemos dois corpos, com esqueleto, com cabeça,
carne apodrecida, carne desfigurada... como se eu e ela fossemos...
um espelho chamado Fantasia
E éramos só,
Eu e ela,
Dois filmes fugidos da sanzala dos grilos...
(não revisto – ficção)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Terça-feira, 19 de Novembro de 2013
Labels:
amor,
Angola,
chapelhudo,
cidade,
cinema,
desejo,
ficção,
infância,
Lisboa,
palavras,
regresso,
rio,
solidão,
Texto
Location:
5070 Alijó, Portugal
29 novembro 2012
8 milímetros de tédio entre quatro paredes de vidro
A cena passa-se dentro de um carro
uma avenida despida
duas miúdas giras
e um charro
o charro come o carro
e sem roupa
a avenida
finge orgasmos no rosto das miúdas
giras
eu estou sentado
na pastelaria
à janela
à deriva
espero espero e espero
e ela não vem
e ela sentada invisível na minha mesa
choram choram choram as luzes cansadas
do silêncio meu destino
as duas miúdas giras
e um charro
dentro de um carro
à deriva na avenida
sem roupa
despida
que puta a minha vida
sem carro
sem miúdas giras
que fingem orgasmos no rosto do charro
que puta
a minha
que puta de vida esta de estar sentado
na pastelaria
só
abandonado
nos cornos da avenida...
nua
tua
perdidamente despida
a avenida Sá Carneiro.
(poema não revisto)
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