Não é fácil recomeçar, mas vale sempre a pena.
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19 agosto 2026
21 janeiro 2023
Órgãos de máquinas
Correias,
Correntes,
Volantes
E chumaceiras,
Madrugadas,
Parafusos de pressão,
Engrenagens de teu corpo,
Amor,
Veios de transmissão,
Fadiga,
Tensão e noites sem
dormir,
As rodas dentadas sem
estrelas,
Cem estrelas…
O luar a sorrir,
A mecânica dos corpos,
Os corpos poisados sobre
o sémen quadriculado,
Deste caderno sem nome,
Neste caderno apaixonado,
Correias e correntes,
Rodas dentadas,
Sonhos e palavras,
Palavras…
Palavras sem nada.
Alijó, 21/01/2023
Francisco Luís Fontinha
26 novembro 2014
Desenhos embriagados
A mecânica do
esqueleto de pedra
em movimento
uniformemente acelerado,
no abismo das
amendoeiras enlouquecidas
adormece um sorriso
cansado,
triste,
porque habitam nos
lábios de uma gaivota os desenhos embriagados,
a mecânica...
do sexo quando
emerge das sílabas tontas o orgasmo da palavra,
deita-se na fina
folha de papel não escrita,
branca como o
silêncio... como o silêncio da mecânica...
que grita,
e chora nas encostas
perdidas,
na montanha do
Adeus,
brincam as crianças
das planícies nocturnas do infinito,
descobrem o beijo
num qualquer espelho sem nome,
e a cidade entra em
ebulição quando uma janela se alimenta do cortinado colorido,
a mecânica... não
sabe o que é o amor,
a física quântica
alicerça-se ao esqueleto de pedra,
e as mandíbulas
ínfimas de espuma...
correm nas veias do
poeta,
tenho no meu quarto
um veleiro ensonado,
sem bandeira,
sem... sem
Nacionalidade,
como a saudade...
sempre desalinhada
com os carris invisíveis da paixão.
Francisco Luís
Fontinha – Alijó
Quarta-feira, 26 de
Novembro de 2014
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