sábado, 30 de novembro de 2013

um homem sem versos

foto de: A&M ART and Photos

a alegria doirada das gaiolas de silício
permaneço intacto dentro deste amargo cubículo
invento amores como a tempestade desenha ventos nas paredes do silêncio
e espera-me o sacrifício da solidão
entre quatro velhas paredes caquécticas
reumáticas
envelhecidas meninas
como serpentes diabólicas nas algibeiras da madrugada
sou teu cumplicie
sou teu... amante desembargado dos tristes alicerces nocturnos em meandros pronomes...
sou um texto sem alma sem coração sem palavras lindas como teus lábios malignos dos solstícios envergonhados

sou uma palavra não escrita
sou um buraco negro esquecido no frio Universo
um buraco de minhoca
um homem sem versos

sou uma paixão envergonhada
alvorada como a alegria doirada das gaiolas de silício
um cordel voando sobre os telhados do desejo
um papagaio entranhado nos teus seios...
a alegria perde-se nas profundezas ranhuras do púbis em delírio...
sou uma paixão
um livro sem palavras
um homem sem versos
reumáticas
envelhecidas meninas
como serpentes diabólicas nas algibeiras da madrugada
sou teu cumplicie

não sou nada.


(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha – Alijó
Sábado, 30 de Novembro de 2013

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