sábado, 27 de junho de 2015

Livros do Inferno


Não esperes por mim,

Hoje,

Não,

 

Não desenhava a felicidade no teu corpo,

Não,

Não sei como é a felicidade,

Não,

Não sei desenhar,

E no teu corpo…

Sem coragem de amar,

Não,

 

Não esperes por mim,

 

Não grites no meu olhar de água embriagada, imaginado por duas montanhas de esquecimento,

Dois seios separados por dois muros de desejo,

Cai a noite no espelho da tua voz,

Imagino-me na tua boca gritando…

AMO-TE,

Não esperes por mim,

 

Hoje,

Na noite,

As cancelas da alegria argamassadas na literatura da loucura,

Habito numa cidade de inveja,

Habito nos teus braços

Como habitam nos teus braços,

 

As sabáticas manhãs de Inverno,

 

E os apaixonados livros do Inferno…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 27 de Junho de 2015

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A saudade


Deixei de pertencer aos retractos nocturnos do abismo,

Sou uma sombra aprisionada neste longínquo porto sem amarras,

À deriva,

Procuro o vento laminado das tardes de Luanda,

Não ando,

Não amo,

Não… não sei o nome da imagem que acordou neste espelho envelhecido,

Não entendo os Oceanos de insónia que brincam nos meus ombros,

Deixei de ter ossos,

Deixei de pertencer…

E do abismo

Uma flor encardida voando sobre as palmeiras,

 

Uma mão de solidão

Encalhada no meu olhar,

E onde estão as tuas palavras?

Amargas,

Cansadas das viagens ao Planeta da escuridão,

Asas em chamas,

Crocodilos em vão…

Sem janelas no sótão,

Sento-me nas escadas,

Pego levemente num cigarro inventado pelos teus lábios,

E canto,

E choro…

 

A saudade.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 26 de Junho de 2015