sábado, 4 de outubro de 2014

Montanha do adeus


Em meu redor os grãos de areia do deserto,
as serpentes de vidro que trepam as árvores do meu quintal,
ao longe sei que existe uma praia,
morta,
triste,
embrulhada nos lençóis do sofrimento,
minto,
finjo sorrisos quando apenas são desenhos abstractos,
palavras amorfas e escritas por um louco,
e no meu corpo suspendem-se os tentáculos da dor,
um carrossel de chocolate que assombra os lábios do mendigo,
não sei porque existo,
porque minto,
porque vivo... porque me escondo...
e no meu corpo... a montanha do adeus em desespero.


Francisco Luís Fontinha – Alijó
Sábado, 4 de Outubro de 2014

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