09 junho 2026

É horrível, frágil

É horrível, frágil

Sentir o estranho, pedir a um estranho

Viver acreditando

Que cada estranho, não passa disso

De um estranho

 

O estranho, estranho é eu saber que sou um estranho, vivendo neste estranho, que sou eu

Sabendo que a morte, se o é, pertence ao xisto

E à voz, que semeia na areia

O som de um estranho, que coxeia

E que se passeia, na areia

 

É horrível, frágil

Ser, e o ter

Sentado, o abstracto aledo, o medo

Pedir ao destino, um menino

Com tino, com tino

 

E com outro destino, dizendo, porquê?

Se a voz morreu, se os olhos não são nem estrelas, e estrelas

Como o céu, na voz que procura a bruma

Maré, sideral, o drama

O drama de uma colmeia

 

09/06
22:36

Entre as pétalas e as pétalas, em papel

Entre as pétalas e as pétalas, em papel

Que a hipótese, a não ser o infinito, vergo-me

Envergonhado de o ser, a lágrima de fogo

No peito deitada, deitada ela está e sofrendo

 

Até que o rio seja o dia da rua empedrada, que foi calçada

Distante, também como eu, ela está envergonhada

De mim,

De o ser

 

A semente na terra virgem, a semente durante o sacrifício

Desejar que a outra porta deixou de o ser, e agora

Capaz de se erguer, se ergue, e levita

Sobre as pétalas, em papel

 

09/06
22:23

Esqueci o nome dos teus olhos, nunca me pertenceram

Mas olhava-os, e lhes escrevia

Perdi o interesse pelos teus olhos, nada mais me interessa,

A não ser,

 

Fingir viver.

 

09/06
18:13

 

08 junho 2026

A espuma do mar

A quem pertence a espuma do mar

O mar que vence a espuma de um outro mar,

 

Era quase verão na ausência da palavra, a angustia e saboreada e derramada,

Charrua que de sangrenta estava, de tanto ser escrava

E de tanta terra lavrada

E na tarde dormia a luz, e o tédio de uma cama cansada

E de uma janela para o rio, meia-aberta, meia-fechada

Como a palavra, a palavra e a charrua e a espada, a quem pertence a espuma do mar

Do mar que vence,

E afinal, não temos, nada

Nada

 

A quem pertence a espuma do mar

O mar que vence a espuma de um outro mar,

 

Um outro mar tão distante deste mar.

 

08/06
22:44

Dentro da espada

Dentro da espada, a minha alegre cabeça

Cortada

A cabeça que tive, não foi nem é

Uma brilhante cabeça, enfim

O tempo o dirá, e apenas o relógio do silêncio

Saberá a quem pertence o sonho sonhado

E inventado

Pela cabeça,

A cabeça que me pertenceu

E hoje não me pertence mais

 

08/06
22:15

E assim morre a noite na profunda mais tristeza da outra saliência e no cansado destino quando a luz de nada serve e sabendo que há uma espuma de silêncio nos teus seios e de quatros ventos em demanda que hoje meu amor é