A quem pertence a espuma
do mar
O mar que vence a espuma
de um outro mar,
Era quase verão na
ausência da palavra, a angustia e saboreada e derramada,
Charrua que de sangrenta
estava, de tanto ser escrava
E de tanta terra lavrada
E na tarde dormia a luz,
e o tédio de uma cama cansada
E de uma janela para o
rio, meia-aberta, meia-fechada
Como a palavra, a palavra
e a charrua e a espada, a quem pertence a espuma do mar
Do mar que vence,
E afinal, não temos, nada
Nada
A quem pertence a espuma
do mar
O mar que vence a espuma
de um outro mar,
Um outro mar tão distante
deste mar.
08/06
22:44