08 junho 2026

A espuma do mar

A quem pertence a espuma do mar

O mar que vence a espuma de um outro mar,

 

Era quase verão na ausência da palavra, a angustia e saboreada e derramada,

Charrua que de sangrenta estava, de tanto ser escrava

E de tanta terra lavrada

E na tarde dormia a luz, e o tédio de uma cama cansada

E de uma janela para o rio, meia-aberta, meia-fechada

Como a palavra, a palavra e a charrua e a espada, a quem pertence a espuma do mar

Do mar que vence,

E afinal, não temos, nada

Nada

 

A quem pertence a espuma do mar

O mar que vence a espuma de um outro mar,

 

Um outro mar tão distante deste mar.

 

08/06
22:44