09 junho 2026

É horrível, frágil

É horrível, frágil

Sentir o estranho, pedir a um estranho

Viver acreditando

Que cada estranho, não passa disso

De um estranho

 

O estranho, estranho é eu saber que sou um estranho, vivendo neste estranho, que sou eu

Sabendo que a morte, se o é, pertence ao xisto

E à voz, que semeia na areia

O som de um estranho, que coxeia

E que se passeia, na areia

 

É horrível, frágil

Ser, e o ter

Sentado, o abstracto aledo, o medo

Pedir ao destino, um menino

Com tino, com tino

 

E com outro destino, dizendo, porquê?

Se a voz morreu, se os olhos não são nem estrelas, e estrelas

Como o céu, na voz que procura a bruma

Maré, sideral, o drama

O drama de uma colmeia

 

09/06
22:36