03 abril 2026

Uma andorinha na primavera dos teus seios

Uma andorinha na primavera dos teus seios, e o pincelar

Da minha sombra que não tem remetente, a angústia que sinto

Na alvorada manhã do mar, tímido

O teu sorrir


Na vidraça de ontem o fogo de hoje

Quando o teu corpo é quase uma mágoa poisada sobre o meu nome, não

A árvore da chuva é quase gelo, mas o vento

Traz o dia vestido de lua


Se as tuas mãos, meu amor, fossem as palavras

Do meu jardim que também são o silêncio de um relógio

Na despedida dos teus olhos

Quando o meu destino é amar-te


03/04/2026, 20:00


Que te amo, apenas

Só.

Hoje a noite despediu-se da última paragem do comboio

Hoje a noite despediu-se da última paragem do comboio

Hoje a noite deixou de me pertencer

E de ser

Canção

Verbo

Ou até revolta de não vencer

 

Hoje a noite foi teatro sob o vento

Vento que sempre traz algo de novo

Uma carta, uma palavra

Ou até, nada

Mas hoje a noite vendeu-se ao diabo

Dizendo que a melancolia, sentia

 

E que pertencia

Ao destino

Ao abismo

Sofrido então desde a queda do meteoro

Sobre a tarde, quase chuva

No ventre de uma mãe

 

Hoje a noite deitou-se sobre mim, que tanto me abraça

E que me sufoca, e que me doi

A mão cansada de correr, a mão

Sangue em contramão, talvez

Hoje a noite me escreva, e

Lance contra mim, a outra lua do silêncio

 

03/04/2026, 04:17

02 abril 2026

Artemis II com vontade de lá chegar

Lá vamos, nós

Artemis II com vontade de lá chegar

Se me levasses então, não

Chegando lá, me sentava

 

Abria o livro na página cem

Sem foguetões, o hidrogénio na minha pele

À volta da terra, levita

A equação diferencial sem sucesso

 

Artemis II, lá vamos nós

Nesta casca de noz

Entre vós, Moisés

O que ele me dirá?

 

02/04/2026, 21:25

peço às estrelas que as estrelas dos teus olhos iluminem as estrelas do meu olhar

Peço às estrelas que as estrelas dos teus olhos

Iluminem as estrelas do meu olhar,

Peço à lua e ao luar

Que o teu silêncio se transforme em vento

E que me traga a última janela entreaberta, da noite

Peço ao dia, peço à sílaba do teu cabelo

Que me dêem a luz, na luz de um pequeno sorrir

 

Peço às minhas mãos que não escrevam mais, que

Finjam que são construídas em aço e que todos os sentidos perfumes, do corpo

Me acompanhem na caminhada

Subir a montanha, e me sentar junto à ribeira

Peço aos pássaros o ruido de um beijo

Que apenas os teus lábios o sabem desenhar, na minha tela

 

02/04/2026, 05:17

01 abril 2026

Tempo de um guarda-chuva acorrentado de ser libertado do mar, mas

Tempo de um guarda-chuva acorrentado de ser libertado do mar, mas

O sorriso da tempestade quer que eu apenas faça do dia

O pôr-do-sol

No olhar de uma andorinha

Faminta


Os teus olhos são os meus poemas, que também são quase delírio

No cansaço pincelar da manhã

O universo é capaz de ser um pedaço da chuva, quando

O teu corpo é quase uma mão na boca do meu sol

Porque não vou conseguir estar na esquina do meu desejo


Sem tempo no toque, mas o vento semeou na alma da morte o fogo que deixei no teu ventre

A cama ausente, na ausência da última viagem

Que seduz o teu alegre muro disfarçado de tinta

E escrevo, e pertenço ao jardim

No inferno sonhar


Tempo de um guarda-chuva acorrentado de ser libertado do mar,

No voar de uma mágoa poisada sobre o meu nome, eu Francisco

Mil estrelas no teu sexo, outra margem

No toque de uma fotografia, sentia

A luz do clitóris que floresce na flor do mar.


01/04/2026, 22:54

Na alvorada manhã o que dizem os teus olhos, meu amor

Na alvorada manhã o que dizem os teus olhos, meu amor

Se alguma coisa dizem os teus olhos, mas o vento

Haverá de me trazer o fogo dos teus seios, e incendiar a luz do mar

Sempre que o sono for o dia e a noite, a tarde no silêncio de uma fotografia

Nos sais de prata da insónia 


Na alvorada manhã, meu amor

A doce tua voz nos lábios do universo

Que é quase um verso

No toque de uma mágoa, não

Não me canso de te sonhar

E de te amar


Procurando nas frestas nocturnas do clitóris da última figueira, o teu orgasmo, quase neve

Sobre o meu sexo, quase luz

Na alvorada manhã, e te pergunto

O que dizem os teus olhos, meu amor.


01/04/2026, 19:06