03 abril 2026

Hoje a noite despediu-se da última paragem do comboio

Hoje a noite despediu-se da última paragem do comboio

Hoje a noite deixou de me pertencer

E de ser

Canção

Verbo

Ou até revolta de não vencer

 

Hoje a noite foi teatro sob o vento

Vento que sempre traz algo de novo

Uma carta, uma palavra

Ou até, nada

Mas hoje a noite vendeu-se ao diabo

Dizendo que a melancolia, sentia

 

E que pertencia

Ao destino

Ao abismo

Sofrido então desde a queda do meteoro

Sobre a tarde, quase chuva

No ventre de uma mãe

 

Hoje a noite deitou-se sobre mim, que tanto me abraça

E que me sufoca, e que me doi

A mão cansada de correr, a mão

Sangue em contramão, talvez

Hoje a noite me escreva, e

Lance contra mim, a outra lua do silêncio

 

03/04/2026, 04:17