Hoje a noite despediu-se
da última paragem do comboio
Hoje a noite deixou de me
pertencer
E de ser
Canção
Verbo
Ou até revolta de não
vencer
Hoje a noite foi teatro
sob o vento
Vento que sempre traz
algo de novo
Uma carta, uma palavra
Ou até, nada
Mas hoje a noite
vendeu-se ao diabo
Dizendo que a melancolia,
sentia
E que pertencia
Ao destino
Ao abismo
Sofrido então desde a
queda do meteoro
Sobre a tarde, quase
chuva
No ventre de uma mãe
Hoje a noite deitou-se
sobre mim, que tanto me abraça
E que me sufoca, e que me
doi
A mão cansada de correr,
a mão
Sangue em contramão, talvez
Hoje a noite me escreva,
e
Lance contra mim, a outra
lua do silêncio
03/04/2026, 04:17