Projecto de Francisco Luís Fontinha.
Procuro o teu sexo neste emaranhado de papéis, tintas
Às telas dos teus seios, o fogo
Vírgula por vírgula, dia após dia, misericórdia, e miséria
A árvore do mar é quase gelo, a primeira primavera dos nossos sonhos, a água
A sílaba do mundo, o universo
Em verso
No encarnado destino
A não ser
Enquanto fui menino, também o fui enquanto voei, enquanto
A estrada era só um caminho, um ninho
As tuas palavras são as palavras da última paragem no silêncio dos meus poemas
Que arden no xisto de uma fotografia, a areia
A sul, um barco é quase o outro relógio que também foi a luz do clitóris, a janela, a migalha
A mesa despedida, nua, a
Tarde no teu ventre, sente
A gente.
13/03/2026, 22:08
Houve um pedestal antigo
Sobre o fogo da chuva amanhecer
Um corpo sem abrigo
Um corpo que vai morrer
Houve um rio que corria para o mar
Que de tanto correr se ficou a dormir
Se cansou de ver o luar
E se cansou de sorrir
Houve um pedestal sem abrigo
Na maré de um chorar
E o rio ficou amigo
Tão amigo que quis comer uma flor
E depois também quis comer o sonhar
Que Depois de comido ficou dor.
13/03/2926, 21:43
O sorriso de um relógio, se a noite o quiser
Construir na chuva o silêncio do tempo
Será o tempo leviano, quando a mão deseja escrever
Quando o fogo também é o tempo
E do vento, o sentir, o ter
Dentro do meu peito
A flor tarde do mar
E te amar
Te sentir na escuridão da última hora para o dia, hoje
A tarde já sonolenta, tão pequenina como se fosse só uma pétala de pão na esquina da morte
O sorriso de um relógio, no teu pulso, o pulsar do meu sexo, na outra margem do mar, do
E o cacimbo do meu sol dorme sobre a mesa
E da faca escorreu o sumo do teu clitóris que o vento semeou
Mas o vento se cansou, como me cansou
Quem sou
Ser um quase nada
O gasóleo irá aumentar, o sorriso de um relógio, ficará igual
Tal como o fogo do teu olhar, a jangada, da pedra
Lançada, ou púrpura
Ou também cansada, ou também morta
E morto eu me sinto, quando sentado na cama
Eu não te pertenço
Porque sou um relógio.
12/03/2026, 21:53
Se esconde a tarde no silêncio dos teus seios, que o livro seja um pedaço de mão na algibeira do mar,
Porque o amar é uma seara de desejo na esquina do meu sol, quando dorme o corpo quase espuma,
Se esconde a tarde no silêncio dos teus seios, que o diga o fogo que também era soldado, mas
A tarde é quase gelo,
Somos os passageiros de uma viagem sem regresso, barcos, sandálias de inverno comestíveis por uma lágrima, ao longe, sentir a tarde no toque da tua mão,
E o cansaço pincela os nossos corpos com a bala disparada pelos teus lábios,
Abraço-te, e sei que brevemente será primavera,
E todas as palavras serão o dia, e o dia, uma janela para o mar.
12/03/2926, 15:44
Foi um pedaço de pedra sobre mim, que eu queria remisturar na ausência da última paragem do comboio, senti-me pão com queijo, porque talvez sejas um adendo filho, ou púrpura canção
Ou beijo camuflado cinzento da chuva alvorada,
Senti-me também, depois, pedaço de pedra, olfacto misterioso do mar, saber que não sou amado, que
Que cada sílaba do mundo é quase uma mão de Deus que o livro semeia no teu corpo,
E escrevo no fogo cada fotografia do meu âmbar que pertence ao jardim do castelo de mel,
E se uma abelha poisar no meu sonhar, talvez
O sul me traga a paixão de uma tarde junto à marina depois das árvores de papel, que tocavas e te masturbavas em frente ao espelho do meu olhar ,
A terrível sensação de estar dentro de ti, algemado à tua vagina,
E tão fina, que o era, cada janela do palacete, que cada vidro parecia a ejaculação da última figueira que ficou sentada no teu ventre,
Eu era o soldado mais feliz de todos os felizes soldados dos Lanceiros, e às vezes, sentia no meu sexo a mão alheia, uma calçada fria e mórbida,
E sabia que o teu corpo era uma vírgula, e
Foi um pedaço de pedra sobre mim.
11/03/2026, 22:02
Amanhã acordará a tarde, mas amanhã
Talvez eu não encontre a tarde depois de acordar
Talvez nem cá esteja, amanhã
Eu, para a tarde olhar
Mas amanhã talvez eu seja um guarda-chuva acorrentado ao contrário destino
Depois de a tarde acordar, sentada sobre o fogo
Depois de um relógio morrer na esquina do mar
Amar-te
Amar-te quando a tarde acordar, amanhã
O sorriso da tempestade que ainda ontem estava na cama, ontem
Saber que te escrevo, sentindo
O medo do fogo
Do amor, nos teus seios com a minha língua escrever, cada sílaba do meu e do teu, desejo em te desejar como se fosses a luz do clitóris
Amanhã, meu amor
Acordará a tarde no teu sexo.
10/03/2026, 21:14