11 março 2026

Foi um pedaço de pedra sobre mim

Foi um pedaço de pedra sobre mim, que eu queria remisturar na ausência da última paragem do comboio, senti-me pão com queijo, porque talvez sejas um adendo filho, ou púrpura canção

Ou beijo camuflado cinzento da chuva alvorada,

Senti-me também, depois, pedaço de pedra, olfacto misterioso do mar, saber que não sou amado, que

Que cada sílaba do mundo é quase uma mão de Deus que o livro semeia no teu corpo,


E escrevo no fogo cada fotografia do meu âmbar que pertence ao jardim do castelo de mel,

E se uma abelha poisar no meu sonhar, talvez

O sul me traga a paixão de uma tarde junto à marina depois das árvores de papel, que tocavas e te masturbavas em frente ao espelho do meu olhar ,

A terrível sensação de estar dentro de ti, algemado à tua vagina,


E tão fina, que o era, cada janela do palacete, que cada vidro parecia a ejaculação da última figueira que ficou sentada no teu ventre,

Eu era o soldado mais feliz de todos os felizes soldados dos Lanceiros, e às vezes, sentia no meu sexo a mão alheia, uma calçada fria e mórbida,

E sabia que o teu corpo era uma vírgula, e

Foi um pedaço de pedra sobre mim.


11/03/2026, 22:02

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