12 março 2026

O sorriso de um relógio, se a noite o quiser

O sorriso de um relógio, se a noite o quiser

Construir na chuva o silêncio do tempo

Será o tempo leviano, quando a mão deseja escrever

Quando o fogo também é o tempo

E do vento, o sentir, o ter

Dentro do meu peito

A flor tarde do mar

E te amar


Te sentir na escuridão da última hora para o dia, hoje

A tarde já sonolenta, tão pequenina como se fosse só uma pétala de pão na esquina da morte

O sorriso de um relógio, no teu pulso, o pulsar do meu sexo, na outra margem do mar, do

E o cacimbo do meu sol dorme sobre a mesa

E da faca escorreu o sumo do teu clitóris que o vento semeou

Mas o vento se cansou, como me cansou

Quem sou

Ser um quase nada


O gasóleo irá aumentar, o sorriso de um relógio, ficará igual

Tal como o fogo do teu olhar, a jangada, da pedra

Lançada, ou púrpura

Ou também cansada, ou também morta

E morto eu me sinto, quando sentado na cama

Eu não te pertenço

Porque sou um relógio.

12/03/2026, 21:53