10 março 2026

Acordará a tarde no teu sexo

Amanhã acordará a tarde, mas amanhã

Talvez eu não encontre a tarde depois de acordar

Talvez nem cá esteja, amanhã

Eu, para a tarde olhar


Mas amanhã talvez eu seja um guarda-chuva acorrentado ao contrário destino

Depois de a tarde acordar, sentada sobre o fogo

Depois de um relógio morrer na esquina do mar

Amar-te


Amar-te quando a tarde acordar, amanhã

O sorriso da tempestade que ainda ontem estava na cama, ontem

Saber que te escrevo, sentindo

O medo do fogo


Do amor, nos teus seios com a minha língua escrever, cada sílaba do meu e do teu, desejo em te desejar como se fosses a luz do clitóris

Amanhã, meu amor

Acordará a tarde no teu sexo.


10/03/2026, 21:14

Fogo submerso

Despidos, o fogo submerso nas frestas nocturnas da paixão

O círculo invisível de um grama de insónia, gente feliz com lágrimas

No toque de uma fotografia que ainda está mergulhada na espuma interestelar madrugada, os corpos parecem migalhas sobre a mesa e te abraço sabendo que ainda não terminou o ciclo lunar do desejo

E que ainda falta regressar do além-mar a caravela do teu sexo

Despidos, a infinita distância entre a luz e o beijar-te

Escrever em ti nua, e cada gemido em silêncio que apenas a tua boca sabe, é quase uma mágoa de tinta no orvalho de um olhar

Outras vezes, é o amor que não tem remetente, o meu endereço, ontem eu pertencia à tua voz, que semeava na esquina luz da noite

O sorriso de uma flor.


Ribadouro, 10/03/2026, 15:09

Leituras

 

Uma andorinha na primavera dos teus olhos

Uma andorinha na primavera dos teus olhos, o silício fogo

Trôpego, tão magro como o vento, tão lindo como sempre, a tarde que também é quase uma mão para as palavras da tua boca, os teus lábios

São os meus poemas que ainda ontem eram a água de uma fotografia


Há sol no silêncio dos teus seios, vestia-me de tinta apenas para te beijar,

Apenas para pincelar o teu sexo de manhã apaixonada, como a andorinha na primavera dos teus olhos, só minha

Na alvorada do meu peito.


Ribadouro, 10/03/2026, 09:19

 

09 março 2026

A tarde

A tarde escondeu-se nos teus seios, senti o fogo dos teus olhos

Quase gelo na minha mão, havia em ti a claridade ausente

Que me oferece o beijo, que me rouba a palavra, a voz de uma lágrima no teu braço ferido


E eu, sentindo tudo isto

E aquilo, despia-me só para te abraçar, e me sentar

Na tua mão, talvez gélida, talvez veneno

Porque deixei de ver a tarde


Porque talvez sejas o meu engano, dizia-te que não

Que não havia luz dentro daquele cubo, em curvilínea

Áurea migalha de mim, aqui

Sentado sobre a maré


Amanhã acordará a tarde, a tarde que se escondeu nos teus seios, e eu,

Ficarei junto ao pôr-do-sol de tinta, lamentando não sentir

No meu peito, a tua voz

Cansada, cansada de me ler.


09/03/2026, 21:38


Amar sem medo