09 março 2026

A tarde

A tarde escondeu-se nos teus seios, senti o fogo dos teus olhos

Quase gelo na minha mão, havia em ti a claridade ausente

Que me oferece o beijo, que me rouba a palavra, a voz de uma lágrima no teu braço ferido


E eu, sentindo tudo isto

E aquilo, despia-me só para te abraçar, e me sentar

Na tua mão, talvez gélida, talvez veneno

Porque deixei de ver a tarde


Porque talvez sejas o meu engano, dizia-te que não

Que não havia luz dentro daquele cubo, em curvilínea

Áurea migalha de mim, aqui

Sentado sobre a maré


Amanhã acordará a tarde, a tarde que se escondeu nos teus seios, e eu,

Ficarei junto ao pôr-do-sol de tinta, lamentando não sentir

No meu peito, a tua voz

Cansada, cansada de me ler.


09/03/2026, 21:38


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