A tarde escondeu-se nos teus seios, senti o fogo dos teus olhos
Quase gelo na minha mão, havia em ti a claridade ausente
Que me oferece o beijo, que me rouba a palavra, a voz de uma lágrima no teu braço ferido
E eu, sentindo tudo isto
E aquilo, despia-me só para te abraçar, e me sentar
Na tua mão, talvez gélida, talvez veneno
Porque deixei de ver a tarde
Porque talvez sejas o meu engano, dizia-te que não
Que não havia luz dentro daquele cubo, em curvilínea
Áurea migalha de mim, aqui
Sentado sobre a maré
Amanhã acordará a tarde, a tarde que se escondeu nos teus seios, e eu,
Ficarei junto ao pôr-do-sol de tinta, lamentando não sentir
No meu peito, a tua voz
Cansada, cansada de me ler.
09/03/2026, 21:38
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