do outro lado do sol,
será a escuridão, ou são os teus olhos
o primeiro pingo de
chuva, a primeira ribeira a brotar da montanha
será que do outro lado do
sol, muito longe da tua mão
habita a outra ribeira
perdida, cansada e só
e só, uma ribeira
adormecida
do outro lado do sol,
talvez
seja mar, ou outra
vertigem em forma de barco
que desce as escadas de
acesso à última despedida
da noite que não quer, na
noite que está de partida…
e que é corpo de mulher
mas do outro lado do sol,
não existem janelas para abrir, é tão escuro que cada nova página do meu livro,
é um rio sem braços, é um rio sem cabeça,
no olhar dos teus lábios,
a arriba, que se suicida na distância de um novo mar, que também é um sonho
que também foi luar de
uma lua de papel
do outro lado do sol, meu
amor
eu te procuro, nua,
vestida de estrelas e deitada sobre a candeia de uma vírgula desnorteada, tão
faminta, e tão procurada
pelos pássaros da
madrugada,
que se eu tocar no teu
corpo, a minha mão se transforma em geada
01/02/2026, 09:38



