Do vértex destino o outro
corpo parecia um farrapo de linho, ou até
A melodia manhã vestida
de preto, caminhando descalça, calçada abaixo, se sentando na primeira esquina
de luz que encontrava, e que o amava
Que o desejava,
envenenado, amordaçado, lançado contra o último barco da noite.
Um dia, ele, e ela, e os
outros, se cansaram do abismo, e acordaram da sonolência, que é pertencer à
aldeia dos mabecos, e submersa num lençol de sonhos.
Chovia. Chove, sempre que
me recordo de ti, sempre que te peço, qualquer coisa, começa a chover, e que de
tanto eu te sinto no meu peito, que sei, que sei que em cada lágrima por mim
desenhada, é um sorriso teu, quando me olhavas com os teus olhinhos de morfina
e me perguntavas,
E que me dizias,
- isto tem de acabar pá,
nunca sei quando é noite, nunca sei quando é dia, porra
Porra mesmo,
respondia-lhe o filho em término silêncio, do silêncio que fosse eternamente,
naquele momento, o silêncio divino, que era o fim, que era o começo e o
recomeço quando um dia qualquer resolveu atravessar o rio congo, e zás
Congo Belga,
E das tantas vezes, nas
muitas vezes que lhe perguntei, porquê
Ele, nada
Apenas porque do outro
lado do rio, chovia. E que uma criança, brincava com círculos de luz.
Hoje, talvez perceba que
essa criança era eu, e que que os círculos de luz, o teu olhar, mas sei lá, meu
amor, o tempo é estranho, Einstein sabe-o e eu, aos poucos o vou compreendendo,
porque
- esteve aqui o médico e
se tudo correr bem para a semana já vou para casa,
Claro que vais, paizinho,
vais e talvez não voltes mais, o filho, mentia ao pai, dizendo-lhe que tudo
estava a correr pelo melhor, depois, bom, depois mentia à mãe, fazendo-a
acreditar que em breve, o amor da sua vida estava ao seu lado, deitado na sua
cama, e depois mentia a mim mesmo, não sabendo se tinha almoçado ontem, se tinha
vontade de jantar amanhã, ou
Se seria melhor lançar os
dados, e ele mentia ao filho e à mulher de uma vida,
E que seja o que deus
quiser.
Uma caneta pertencente à
sua infância, durante a noite se erguia, e eu sabia, que era ela, e então
Sentava-me na cama, e
escutava-a, espiava-a
E eu também sabia, que a
caneta escrevia, mas quando
(querem mais? Insiram a
moedinha de 25$ na ranhura e)
O tipo da cabine ao lado
em gritos histéricos, louco, que já tinha introduzido na ranhura 75$ e que a
cabra ainda nem sequer tinha tirado o soutien, coisa macabra que eram estes
bares estranhos, com cabines que mais pareciam o telefone público, tão
estranhos como o tempo, e o bar 25 sempre apiado e recheado e magalas.
Quanto ao filho do senhor
que atravessou o rio Congo, esse, coitado, dos primeiros 25$ apenas retractou e
filmou o olhar mais triste daquela noite, e desistiu.
E pela primeira vez da
minha vida de adulto, deitei-me na cama ao lado da minha mãe, peguei-lhe na
mão, e adormeci ficando acordado a olhar o tecto e a imaginar…
Como seria o rosto da
criança que brincava com círculos de luz do outro lado do rio, e
E que tinha fascinado o
meu pai.
Alijó, 08/04/2026 – 11:45