sábado, 12 de maio de 2018

Flores


Gostava que as tuas mãos fossem palavras,

Sonhos encantados nas páginas de um livro embriagado,

Gostava que as tuas mãos fossem fósseis,

Pedaços de ossos,

Adormecidos no lençol da madrugada.

 

Gostava que as tuas mãos fossem um sorriso,

Um rio envergonhado correndo para o mar,

Gostava que as tuas mãos tivessem nos dedos pequenos dardos de sangue…

Quando acorda a lua.

 

Gostava que as tuas mãos fossem papéis,

Pedacinhos de jornal,

 

Entre parêntesis,

 

Em cada final de tarde.

 

Gostava que as tuas mãos fossem um carrossel,

Com crianças de sombra,

Gostava que as tuas mãos fossem um poema,

Cantado pelo silêncio,

Nos lábios de uma pomba.

 

Gostava que as tuas mãos fossem a Primavera,

Flores,

Jarras envenenadas por flores…

Das flores desencontradas.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 12 de Maio de 2018

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