são mil os soldados que
me querem matar
porque eu nunca serei uma
gotinha de sangue, na lágrima de alguém
e outros muitos mais,
virão, e
depois dizem que sou
louco, porque desejo voar
ou
são mil os soldados que
me querem matar
porque gosto da chuva,
porque gosto das flores
e das faúlhas de um
sorriso, porque
porque mil soldados,
armados
me querem matar
e em cada rua, e em cada
esquina
de luz, ou de um cigarro
que flutua
na algibeira do sono, um
punhado de pedras, uma qualquer saliência
no peito, um desejo de ir
e de não levar comigo
identidade, ou até
o sitio de onde vim, ou
até no sítio para onde vou
não preciso de relógio,
preciso de comer, mas já como tão pouco
que,
havia um sino na toca da
raposa, havia uma sombra no leito do lobo
e do sítio de onde vim,
apenas uma fotografia
só
aquela imagem do ombro a
tocar no arame farpado da vida, em círculos, e em muito pequeninos pontos de
luz, sem regresso
tão tristes os mil
soldados, sobre as limalhas do vento, gente a sofrer,
que vivem, sem viver
porque também eles, vão
morrer
às mãos dos mil soldados
que me querem matar.
Alijó, 22/03/2026 - 05:58
