o que pensará a caneta do
poeta, de tudo isto
o que pensará a água que
cai sobre as mãos do poeta, de tudo isto
o que pensará a chuva,
sobre o poeta, e sobre a caneta do poeta
que hoje, que hoje triste
acordou
porque está cansada, ou
apenas
porque sonhou
que pensava
e afinal, e afinal é tudo
uma falsa madrugada
e afinal é apenas uma
caneta, uma caneta que deixou de acreditar
e de escrever, e de
sentir
a noite
e o corpo a ferver
o que pensará a caneta do
poeta
quando morrer
ou quando abrir a janela
e com a janela aberta,
sentir no rosto o vento a sofrer.
Alijó, 20/03/2026, 05:37
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