20 março 2026

o que pensará a caneta do poeta, de tudo isto

o que pensará a caneta do poeta, de tudo isto

o que pensará a água que cai sobre as mãos do poeta, de tudo isto

o que pensará a chuva, sobre o poeta, e sobre a caneta do poeta

que hoje, que hoje triste acordou

porque está cansada, ou apenas

porque sonhou

que pensava

e afinal, e afinal é tudo uma falsa madrugada

 

e afinal é apenas uma caneta, uma caneta que deixou de acreditar

e de escrever, e de sentir

a noite

e o corpo a ferver

o que pensará a caneta do poeta

quando morrer

ou quando abrir a janela

e com a janela aberta, sentir no rosto o vento a sofrer.

 

Alijó, 20/03/2026, 05:37

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