O teu corpo é o pincelar da última primavera, quando a
ausência
É o amor que ficou na tarde
E é a melodia da chuva na flor do mar
Como são velhas, meu amor, as palavras que te escrevo
E que há muito deixaste de ler
Já não gostas do meu escrever
Como deixaste de gostar do
Meu olhar
E da minha mão sobre a folha de tinta
Que seduz o fogo que também é quase mar
E o teu corpo já não vou tocar
É o pincelar da última primavera, que o desejo
Que eu apenas sentia
Foi a última ceia
E depois, morri
Ao sentir a despedida do teu sexo, entre as palavras
que foram escritas para disfarçar o fogo
Mas o vento semeou na tarde o silêncio
E ninguém sabia o nome
Da minha sombra
Que amou o sol
E sábado, meu amor
Voará sobre um oceano de sémen a luz
E acordará na cubata o sorriso
E
Será primavera outra vez na flor do mar.
18/03/2026, 19:26