Leio-te no olhar
A carta que teimas em me
escrever
Dos teus olhos em mar
No mar que eu vejo a
arder
O incêndio da primeira
página de um livro inconstante
Que na mão de alguém, é
só a primavera triste
Que escreve na eira
ardente
A oração que resiste
E a sílaba da madrugada
Não desiste
Da proibida palavra
E que te leio, e que
tanto te abraçava
Enquanto o universo
assiste
Enquanto o universo
chorava.
Alijó, 18/03/2026 – 12:12