18 março 2026

Leio-te no olhar A carta que teimas em me escrever

Leio-te no olhar

A carta que teimas em me escrever

Dos teus olhos em mar

No mar que eu vejo a arder

 

O incêndio da primeira página de um livro inconstante

Que na mão de alguém, é só a primavera triste

Que escreve na eira ardente

A oração que resiste

 

E a sílaba da madrugada

Não desiste

Da proibida palavra

 

E que te leio, e que tanto te abraçava

Enquanto o universo assiste

Enquanto o universo chorava.

 

Alijó, 18/03/2026 – 12:12