17 março 2026

vertigem

(finalmente, o descanso)


da vertigem, a esfinge, meninge

o silêncio de uma pedra, quase vapor, quase água

saber onde ando, e nado

quando ainda é noite no espelho da aldeia

 

ele se senta, e fuma e incendeia

cada lágrima de sangue, que lhe choram as mãos

e é tempestade no abrigo, na igreja

onde a luz se vai esconder, quando o corpo morre

 

e se veste de infinitas poeiras, pequeninos grãos de saudade

que ficam, que emergem e que crescem

na sombra do plátano, na ribeira

vejo a vertigem, quase

 

migalha, a mesa em papeis dispersos, outros desenhos

muitos versos

coisas sem significado, sem nexo

o anexo que me esqueço de anexar

 

e saber que há outro mar, outro mar que me espera

do outro lado da indiferença, do triste olhar

que sabe sempre a mel

a despedida do amar.

 

Alijó, 17/03/2026 - 23:02