10 março 2026
09 março 2026
A tarde
A tarde escondeu-se nos teus seios, senti o fogo dos teus olhos
Quase gelo na minha mão, havia em ti a claridade ausente
Que me oferece o beijo, que me rouba a palavra, a voz de uma lágrima no teu braço ferido
E eu, sentindo tudo isto
E aquilo, despia-me só para te abraçar, e me sentar
Na tua mão, talvez gélida, talvez veneno
Porque deixei de ver a tarde
Porque talvez sejas o meu engano, dizia-te que não
Que não havia luz dentro daquele cubo, em curvilínea
Áurea migalha de mim, aqui
Sentado sobre a maré
Amanhã acordará a tarde, a tarde que se escondeu nos teus seios, e eu,
Ficarei junto ao pôr-do-sol de tinta, lamentando não sentir
No meu peito, a tua voz
Cansada, cansada de me ler.
09/03/2026, 21:38
quase lua, quase mar
quando te olho, quase que
enlouqueço
como a serpente em seu
veneno, além-mar desejo
da outra margem, entre
portas, nocturnas fogueiras
quando te olho, quase que
enlouqueço, quase que pertenço
à última viagem da noite,
e não voltará mais o meu sonhar
enlouquecer, enlouquecer
sem te tocar, em te olhar
quando te olho quase que
enlouqueço, e o dia
parece uma jangada de
fogo, quase lua, quase mar
09/03/2026, 19:03
O que dirá quem em mim quer escrever
O que dirá quem em mim
quer escrever
O silêncio de um pedacinho
de vento, que no seu tocar
Sente e deseja ser
A primavera do meu olhar
O que dirá a noite às
estrelas do meu sonhar
E que têm nos braços a
luz de uma criança
O que dirá quem em mim
quer escrever amar
E que se esconde na
alegria mas ainda me dá a esperança
De sobre a maré voar
Quando a chuva é só o
desejo de uma pedra cinzenta
Que se esconde e que não
se cansa do luar
O que dirá quem em mim
quer escrever
Que não sente e que não
lamenta
Todo, todo o meu sofrer.
09/03/2026, 07:37
08 março 2026
nos teus lábios
poiso o meu sono, nos
teus lábios
neles construo uma
cabana, lá dentro me sento, e me deito
sempre, meu amor, sempre
nos teus lábios
sabendo que o meu sono é
pobre, e leviano
como as pedras, o são,
quando lançadas
não, não por uma mão, não
meu amor
quando são lançadas,
quando são gritadas
e desenhadas, por uma
faminta garganta
que cada migalha, que
cada pedra lançada
não importa, tão pouco
adianta
o nome do meu sono, que o
poiso muito devagarinho
apenas, meu amor, apenas
para não magoar os teus lábios
(não entendo como um
louco e tolo, que sou, depois de 9 horas de trabalho alucinantes, ainda tem
forças para escrever, isto)
08/03/2026, 22:48

