21 fevereiro 2026

a vagina enjoada

sobre a cama, a vagina enjoada

talvez, triste

talvez cansada, talvez em desejo

e muitas vezes, sem lhe apetecer dizer nada

 

mas há sempre quem o queira, querer acariciar uma vagina uma vagina cansada, ou mesmo,

até,

até uma vagina enjoada

 

que tanto faz que seja dia, como que seja noite

porque para a vagina, tanto faz

e mesmo que esteja a chover, e depois

não é tudo prazer

 

que o fumar, e que o foder

todos eles são filhos, filhos do prazer

se cá estivesse o cesariny, talvez me dissesse

que sim, sim senhor

 

e se cá também andasse, esse jeitoso do álvaro de campos, que sim

sim, que sinto tanto prazer, no ler

e no foder,

 

e que eu também, sinto prazer.

 

21/02/2026, 23:12

Há lugares, mágicos

Há lugares, mágicos

Tão mágicos o são os passadiços de S. Mamede de Ribatua.

Parabéns a todos aqueles que de um sonho, conseguiram construir, este lugar; Mágico.

 

Francisco






um perfeito dia

quase que enlouquecia, meu amor

só de pensar, nisso

 

e no entanto, a loucura é quase um sonho,

 

quase que morria, só de pensa, nisso

que cada sábado desenhado, é um quadro pincelado

com a luz da minha mão, que sobre a tela do teu corpo, poisa

que quase, meu amor, que quase eu sofria, porque sentia

que quase eu enlouquecia, apenas por o pensar,

 

e no entanto, eu nunca estive louco

e tão pouco, morri

só de eu o pensar,

 

que por pouco, pouco

eu enlouquecia, que um dia eu acordaria,

e na frente de um espelho, eu escrevia

 

hoje, hoje é um perfeito dia.

 

21/02/2026, 06:02

o negrito

o pequeno trapo

sabia de cor cada frio que o visitava

depois havia um gatinho, também ele, pequeno, pequenino

que muito miava, e que o pouco que tinha, que com ele trazia

um outro dia, e apelidei-o de negrito

eu por ele gritava, ele apenas me olhava,

 

e me ignorava.

 

eu que odeio gatos, comecei a gostar de um gato.

 

o negrito.

 

21/02/2026, 05:47

20 fevereiro 2026

 

algo de estranho, em mim

algo de estranho, em mim

tão estranho, dentro e em mim

tão estranho que não consigo ficar triste, tão estranho

a alegria que sinto, e que vejo

quando me olho no espelho da manhã, e ao longe

o perfume do meu rosto, sem lágrimas

e sem fome

 

que não importa o nome, ou o número indefinido

e que nos foi transmitido pelo nosso progenitor, porque

progenitor todos o podemos ser, a não ser

que pais não o podemos ser todos

 

e a roda quadrática do ónus que serpenteia a noite, que se veste de mulher

que tem nas mãos a espada, e no olhar

o silêncio de uma vírgula, de uma enxada

que de baixo até ao cimo da montanha, que de socalco em socalco

já não cai, e também não mais me acanha

 

ou apanha, ou grita os tais e os ais

que estou bem, obrigado

dos meus órgãos genitais, que não pratico qualquer desporto, a não ser

 

algo de estranho, em mim

tão estranho, dentro e em mim

tão estranho que não consigo ficar triste, tão estranho

a alegria que sinto, e que vejo,

 

e cheiro a claridade dos destemidos homens de veludo, e que a loucura é passageira, tal como a noite, tal como o dia

tal como a chuva,

a alegria, a poesia, a vírgula já tão tonta e que estonteia

as sementeiras da aldeia, o trigo colhido, foi ontem o fumo de um pequeno silêncio,

 

também sabe a lixivia a virgindade de um livro, toco e manuseio o tabaco, cheiro-o

e me sinto tão estranho, e tão contente

de viver, e de ser gente

 

finalmente, gente.

 

20/02/2026, 19:27