algo de estranho, em mim
tão estranho, dentro e em
mim
tão estranho que não
consigo ficar triste, tão estranho
a alegria que sinto, e
que vejo
quando me olho no espelho
da manhã, e ao longe
o perfume do meu rosto,
sem lágrimas
e sem fome
que não importa o nome,
ou o número indefinido
e que nos foi transmitido
pelo nosso progenitor, porque
progenitor todos o
podemos ser, a não ser
que pais não o podemos
ser todos
e a roda quadrática do
ónus que serpenteia a noite, que se veste de mulher
que tem nas mãos a
espada, e no olhar
o silêncio de uma
vírgula, de uma enxada
que de baixo até ao cimo
da montanha, que de socalco em socalco
já não cai, e também não
mais me acanha
ou apanha, ou grita os
tais e os ais
que estou bem, obrigado
dos meus órgãos genitais,
que não pratico qualquer desporto, a não ser
algo de estranho, em mim
tão estranho, dentro e em
mim
tão estranho que não
consigo ficar triste, tão estranho
a alegria que sinto, e
que vejo,
e cheiro a claridade dos
destemidos homens de veludo, e que a loucura é passageira, tal como a noite,
tal como o dia
tal como a chuva,
a alegria, a poesia, a
vírgula já tão tonta e que estonteia
as sementeiras da aldeia,
o trigo colhido, foi ontem o fumo de um pequeno silêncio,
também sabe a lixivia a
virgindade de um livro, toco e manuseio o tabaco, cheiro-o
e me sinto tão estranho,
e tão contente
de viver, e de ser gente
finalmente, gente.
20/02/2026, 19:27
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