há-de ser, depois foi
apenas um pequeno desejo, um longo silêncio
depois apeou-se a
lareira, e eu fiquei com frio
despido na maré de um
olhar
depois deixei de ter mar,
depois
há-de ser, se o vento me
trouxer a raiz cúbica de uma lágrima, e do cansaço, as pedras lançadas, as
veias quase em água, descendo o sangue às profundezas de um sorriso
depois, fiquei louco,
depois fui aprisionado a um pequenino raio de sol
e há-de vencer a luz, e
há-de crescer
na minha mão confusa, na
minha mão tão trémula como trémulo foi o meu sonhar, em sonhar um sonho vestido
de noite
quando ainda, havia na
claridade, um poema em construção
e uma secretária entupida
e recheada, de livros
e de folhas secas, folhas
que sobejaram de uma árvore, que foi tempestade e que hoje
e que hoje é amor
e é a cama que me aquece,
e abraça, e me toca
quando o meu corpo,
despido, e despedido
se enforca, e se demora,
numa vertida lágrima, e que o sono
seja novamente a tua mão,
no meu peito
02/02/2026, 06:10



