Abre-se a porta, havia
uma fina lâmina de sombra que abraçava a mesa, sobre ela, ela
Outra mesa, mais nova,
mais pequena, mas também
Mais cansada, e muito
mais desorientada do que a charrua puxada pela mão do limbo, quando o sol é
lua, quando a chuva é o silêncio, na espuma do tempo.
Abre-se a porta, algumas
migalhas de luz, sobre a mesa, sob a mesa, a mão que depois de puxar a charrua
se escondeu, e desde então
Nunca dia mais foi.
Uma criança acena-me,
sorri e grita o meu nome, há tanto tempo que ninguém gritava o meu nome, há
tanto tempo que não ouvia, e que não sentia,
Um sorriso.
Abre-se a porta, abre-se
a porta e eu acreditava que um dia, um círculo de luz com olhos verdes me
visitava, escrevi-o
E o José Luís Peixoto
escolheu o meu texto dos cerca de setecentos textos a concurso para o conte
connosco dois, fiquei contente, depois deixei de o ficar
Abre-se a porta, e na
seminua voz a encarnação do destino, da janela, pouca coisa e muita coisa para
se ver, para se observar, enquanto o barco não chega, para me levar.
Abre-se a porta, havia
uma fina lâmina de sombra que abraçava a mesa, sobre ela, ela
Outra mesa, mais nova,
mais pequena.
27/06
19:20