27 junho 2026

Abre-se a porta, havia uma fina lâmina de sombra que abraçava a mesa, sobre ela, ela

Abre-se a porta, havia uma fina lâmina de sombra que abraçava a mesa, sobre ela, ela

Outra mesa, mais nova, mais pequena, mas também

Mais cansada, e muito mais desorientada do que a charrua puxada pela mão do limbo, quando o sol é lua, quando a chuva é o silêncio, na espuma do tempo.

Abre-se a porta, algumas migalhas de luz, sobre a mesa, sob a mesa, a mão que depois de puxar a charrua se escondeu, e desde então

Nunca dia mais foi.

Uma criança acena-me, sorri e grita o meu nome, há tanto tempo que ninguém gritava o meu nome, há tanto tempo que não ouvia, e que não sentia,

Um sorriso.

Abre-se a porta, abre-se a porta e eu acreditava que um dia, um círculo de luz com olhos verdes me visitava, escrevi-o

E o José Luís Peixoto escolheu o meu texto dos cerca de setecentos textos a concurso para o conte connosco dois, fiquei contente, depois deixei de o ficar

Abre-se a porta, e na seminua voz a encarnação do destino, da janela, pouca coisa e muita coisa para se ver, para se observar, enquanto o barco não chega, para me levar.

Abre-se a porta, havia uma fina lâmina de sombra que abraçava a mesa, sobre ela, ela

Outra mesa, mais nova, mais pequena.

 

27/06
19:20