05 junho 2026

Quando estamos sozinhos, e que tínhamos

Quando estamos sozinhos, e que tínhamos

Quando estamos sozinhos, e que sentíamos

Sentíamos a lâmina da espada em fria garganta

E trazíamos no peito, na jangada de um olhar

A alegria em termos

No sentir

No despir

Quando sozinhos estávamos

E a bala amordaçada, finalmente

Finalmente é disparada

 

05/06
00:38

04 junho 2026

Abílio, Abílio meu poeta gato infiel

Abílio, Abílio meu poeta gato infiel

O que tens tu, Abílio aflito

Que tão aflito que estás

Que não sendo eu gato nem poeta, Abilio

Sinto-te triste, meu amigo

 

Meu amigo Abílio gato invisível poeta, Abílio

Que quase noite que és e o serás

E daí nunca passarás, é a vida, meu querido amigo gato poeta, Abílio

Sentindo no cu o ardume do silêncio

E na boca o fogo dos cigarros

 

Gato és preto és poeta és Abílio és infiel és gato

E olhas do cimo do monte, a espuma

O vinho em cadeia, derramando pedras

Se erguendo, se escondendo no buraco da sombra, Abílio

O sinto, meu amigo Abílio

 

04/06
21:42

Vulgarmente o nome do mar é o pincelar do teu olhar
Vulgar, indeciso como o vento quando semeia no teu sexo a mão que te deseja
Que também ela é vulgar como o nome do mar, e tão vulgar como o pincelar vulgar,
Do teu olhar

Vulgarmente o meu nome também é vulgar, como o nome do mar, como todos os nomes, vulgares
Como são vulgares o pincelar dos teus olhos e de todos os outros olhares
Que são vulgares, como a tarde no silêncio dos teus seios
Que também vulgares o serão, como todos os lugares
Como todos os mares e todos os seios
E todos os sonhares
Vulgares

Deito-me na divina vagina da noite

Deito-me e sinto a voz, a tua voz quase esfinge

Quando o infinito é o recomeçar e o acordar

De me sentar, e em te olhar

 

E em vez de te amar, eu preciso tanto de te odiar

E que me deito na divina vagina da noite

Fugindo do feitiço do teu olhar

E procurando o sorriso do mar

 

04/06
17:29

Talvez nunca te diga o nome daquele barco

Também porque quererias tu saber o nome daquele barco

Se nada de mim te interessa

Se nada do que tenho em nada ter te interessa

 

04/06
16:24

Voávamos nas margens infinitas de um olhar

Voávamos nas margens infinitas de um olhar

Capaz do louvor ardente em outras ruas e nomes

Os ausentes

Trabalhos

Incapaz de voar e de saber que há no silêncio de uma vírgula

A saliva do desejo em não o desejar

 

Na cama uma abelha acaricia o sexo de uma sombra

E têm os seios da sombra as aspas da madrugada

Que é a sebenta e que é a luz molhada

Que traz do mar

A triste estrela

E o fim de um olhar

 

E o que fazer com a janela que está encerrada

Na quase maré e incenso da boca

Que o sexo da sombra é o mergulho

No sangue oculto

Encarnado da abelha

Na esperma cama que a noite adivinha

 

04/06
10:27